As ações da Azzas 2154 (AZZA3) avançaram quase 4% nesta sexta-feira, na terceira alta seguida, com investidores analisando os possíveis desdobramentos de uma escalada das disputas entre os principais acionistas da companhia.
Os papéis da empresa dona de marcas como Arezzo, Farm, Hering e Reserva fecharam a R$ 20,72, em alta de 3,86%, enquanto o Ibovespa caiu 0,81%.
De acordo com reportagem do Valor Econômico, há um desenho possível para a cisão societária de Alexandre Birman e Roberto Jatahy, que envolve a listagem de três empresas-espelho.
Nesse plano, segundo o Valor, a Azzas seria formada pelos negócios da Arezzo&Co, incluindo também a Hering e a Farm, que seriam operações sob o comando de Birman, e que se juntariam à Reserva. Jatahy ficaria com as demais operações, numa espécie de “ex-Farm” — incluindo ativos que já estão sob seu guarda-chuva, com a moda feminina; e um terceiro braço poderia se abrir com a Farm sendo listada no exterior.
Para o analista Joseph Giordano, embora uma divisão possa teoricamente destravar valor ao separar ativos e reduzir desalinhamentos estratégicos, ainda há baixa visibilidade sobre execução, valuation, complexidade tributária/legal e prazos.
“Importante destacar que o valor da Farm pode emergir como um dos principais vetores de valor em um cenário de separação, especialmente se os investidores atribuírem um prêmio ao seu potencial de expansão global. Ainda assim, a realização desse valor dependeria da estrutura, do timing, dos riscos de execução e do apetite do mercado”, ponderou, reiterando recomendação neutra para as ações.
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O analista João Pedro Soares, do Citi, também destacou que, embora as discussões ainda sejam preliminares, vê potencial para criação significativa de valor caso a Farm seja separada como uma entidade independente, dada sua posição como o ativo de maior crescimento do grupo e o mais premium, o que implicaria um múltiplo estruturalmente mais alto quando avaliada de forma isolada.
“Esse processo provavelmente exigiria aprovação societária, da CVM, da B3, de acionistas minoritários, credores e possivelmente do Cade. A versão mais “limpa” provavelmente seria um ‘spin-off’ proporcional: a Azzas transferiria ativos para novas empresas listadas, e todos os acionistas minoritários de Azzas receberiam ações em cada uma das empresas sucessoras de forma proporcional”, acrescentou.
