A Azul Linhas Aéreas espera obter nos próximos meses a aprovação para sua parceria com a American Airlines
A Azul Linhas Aéreas espera obter nos próximos meses a aprovação regulatória para seu pedido de imunidade antitruste em parceria com a American Airlines, etapa considerada estratégica para consolidar a cooperação comercial entre as empresas.
A expectativa foi apresentada por Abhi Shah, presidente da companhia, durante o CAPA Airline Leader Summit Americas, realizado na última quarta-feira (27), nos Estados Unidos.
Segundo o executivo, o processo regulatório avança de forma favorável após a rejeição, em dezembro, de uma contestação apresentada pela Gol Linhas Aéreas. Uma segunda objeção protocolada por outra entidade também deverá ser rejeitada, na avaliação da companhia.
Estrutura acionária
A expectativa de aprovação ocorre após a conclusão do processo de recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos, sob o Chapter 11. A companhia ingressou no procedimento em maio de 2025 e encerrou a reestruturação em fevereiro deste ano.
Durante o processo, a empresa recebeu US$ 850 milhões em novos investimentos em participação acionária e reduziu aproximadamente US$ 2,5 bilhões em dívidas e compromissos de arrendamento de aeronaves.
Parte da capitalização incluiu um aporte de US$ 100 milhões da United Airlines. A American Airlines também assumiu o compromisso de investir US$ 100 milhões, condicionado à aprovação regulatória no Brasil.
Com a conclusão da operação, American Airlines e United Airlines passarão a deter participações de aproximadamente 8% cada, tornando-se os maiores acionistas individuais da transportadora brasileira.
Parceria simultânea com American e United
O modelo desenhado pela Azul cria uma configuração incomum no setor aéreo, com duas grandes companhias norte-americanas atuando simultaneamente como parceiras comerciais e acionistas da empresa brasileira.
De acordo com Shah, as duas empresas terão participação equivalente na relação estratégica com a Azul. “Ter dois irmãos mais velhos diariamente é uma enorme vantagem. É um voto de confiança no nosso plano de negócios”, disse.
O presidente da companhia acrescentou que o porte das duas transportadoras pode ampliar o poder de negociação junto a fornecedores e parceiros da indústria aeronáutica.
Plano de negócios após a reestruturação
Segundo a Azul, o plano de negócios implementado após a recuperação judicial foi elaborado antes mesmo do ingresso no Chapter 11.
O projeto teve como objetivos principais a redução expressiva do endividamento, o fortalecimento das parcerias estratégicas, a desaceleração do ritmo de expansão e a revisão da carteira de encomendas de aeronaves.
A empresa reduziu sua projeção de crescimento anual de aproximadamente 11% para 3%, além de ajustar seus compromissos futuros de aquisição de aeronaves.
Shah classificou o processo como uma redefinição da estrutura financeira da companhia, com foco em aumentar a resiliência operacional diante das oscilações do mercado brasileiro de transporte aéreo.
Pressão dos custos e impacto da alta do petróleo
A Azul também relatou impactos decorrentes do aumento dos preços do petróleo após o início do conflito envolvendo o Irã, ocorrido poucos dias após a conclusão do processo de recuperação judicial.
Segundo a companhia, a elevação dos custos operacionais exigiu reajustes tarifários em um mercado caracterizado por elevada sensibilidade a preços.
O executivo afirmou que a empresa já observa sinais de desaceleração na demanda do segmento de lazer em função desse cenário.
Apesar disso, a Azul avalia que sua ampla malha aérea doméstica oferece maior capacidade de sustentação tarifária em determinadas rotas com menor concorrência. “É preciso ter confiança para manter tarifas mais elevadas”, disse Shah.
Diferencial operacional
De acordo com a companhia, a abrangência de sua rede de destinos continua sendo um dos principais elementos de sustentação de sua estratégia comercial.
A Azul opera uma malha com forte presença em mercados regionais e cidades com menor oferta de serviços aéreos, característica que, segundo a empresa, amplia sua capacidade de gestão da demanda e da precificação em determinadas rotas.
“Nós controlamos nosso destino com nossa rede maior. Nossa rede é muito diferente hoje, e gostamos de ser diferentes”, disse Abhi Shah.
