Previsão da Honeywell aponta US$ 343 bilhões em entregas até 2035, com avanço das frotas e oportunidades em diferentes segmentos
A aviação de negócios poderá incorporar 14.150 aeronaves novas entre 2026 e 2035, em um movimento de expansão e renovação que deverá movimentar aproximadamente US$ 343 bilhões. A análise faz parte do Global Business Aviation Outlook 2026, da Honeywell Aerospace. A projeção compreende 9.950 jatos e 4.200 turboélices e aponta para uma frota mundial próxima de 51 mil aeronaves ao final do período, ante as 39.400 em 2025.
O cenário combina demanda por maior capacidade de transporte, preferência por aeronaves com mais alcance e conforto e ampliação dos modelos de acesso à aviação de negócios. Para fabricantes, operadores e prestadores de serviços, as oportunidades se distribuem entre a venda de aviões, a utilização mais intensa das frotas e o atendimento às necessidades de manutenção, suporte e infraestrutura.
O estudo da Honeywell prevê investimento empresarial, o aumento da riqueza individual e a valorização de ativos ligados ao setor de tecnologia para ajudar a sustentar a capacidade de compra ao redor do mundo. A possibilidade de organizar viagens conforme a própria agenda, alcançar mais destinos e preservar produtividade e privacidade continua entre os fatores que atraem empresas e indivíduos para o uso de aeronaves de negócios.
A previsão indica aproximadamente 900 entregas de jatos em 2026, volume 41% superior às 640 unidades registradas em 2020, mantendo a tendência de alta registrada há seis anos. Considerando também os turboélices, o total anual deverá passar de 1.180 aeronaves em 2025 para 1.550 em 2035, crescimento de cerca de 31%. Já as entregas acumuladas na década projetada deverão superar em aproximadamente 32% as do período anterior.
A edição de 2026 do estudo amplia o universo acompanhado, incorporando turboélices e jatos pessoais anteriormente excluídos. Essa abrangência permite observar melhor a diversidade de missões atendidas pela aviação de negócios, embora exija atenção nas comparações com os totais publicados em edições anteriores.
Um dos aspectos mais relevantes da previsão é a diferença entre participação em unidades e peso econômico. Os jatos de cabine larga deverão representar aproximadamente 22% das entregas, mas concentrar 61% do valor movimentado. Os médios responderão por cerca de 19% das unidades e 20% do valor. Somados, os dois segmentos reúnem aproximadamente 41% dos aviões previstos e 81% do valor das entregas.
Essa concentração mostra a importância comercial de jatos capazes de combinar alcance, capacidade de passageiros e espaço de cabine, assim como seu maior valor médio e seu peso nos balanços. Também ajuda a explicar por que melhorias de conforto, conectividade e desempenho ocupam posição central no desenvolvimento de produtos. Em uma parcela expressiva do mercado, a decisão de compra envolve tanto a capacidade de cumprir a missão quanto a experiência oferecida durante o voo.
Importância dos Jatos Médios
Os jatos médios, porém, merecem atenção própria. A Honeywell projeta crescimento de 40% de sua frota mundial entre 2025 e 2035, acima dos 36% previstos para modelos de cabine larga, dos 32% para os leves e dos 20% para os turboélices. O resultado aponta para oportunidades em uma categoria que reúne alcance e acomodação para diferentes perfis de viagem corporativa e privada.
Os segmentos menores preservam uma participação relevante. Os turboélices deverão responder por aproximadamente 30% das entregas da década, embora representem 7% do valor. Sua presença evidencia a demanda por aeronaves adequadas a aeroportos menores, instalações industriais e missões nas quais flexibilidade operacional e economia têm peso decisivo. Os jatos leves deverão reunir outros 30% das unidades, com participação de 12% no valor.
O crescimento projetado da frota também indica que uma parcela importante das entregas deverá ampliar a capacidade instalada. A Honeywell estima aproximadamente cinco aeronaves novas para cada retirada de serviço ao longo do período. Com isso, a frota mundial poderá crescer cerca de 29% entre 2025 e 2035, depois de ter avançado aproximadamente 22% na década anterior.
Para o setor de serviços, a combinação de mais aeronaves e maior atividade amplia a perspectiva de demanda. Oficinas, fornecedores de peças, centros de treinamento e estruturas de atendimento aeroportuário participam desse movimento ao longo da vida operacional dos aviões. O potencial de negócios, portanto, se estende por muitos anos depois da entrega de uma aeronave.
As expectativas de utilização ajudam a sustentar essa leitura. Entre os operadores consultados, 32% pretendem voar mais em 2027 e 57% esperam manter o nível de atividade de 2026. Outros 11% preveem redução. Nos jatos médios, a proporção dos que planejam aumentar as horas de voo chega a 36%.
Os dados de atividade apresentados no relatório mostram avanço de 4% nos jatos de negócios no acumulado de 2026 considerado pelo estudo. Os médios registram alta de 7%, seguidos pelos grandes, com 5%, e pelos leves, com 1%. Os turboélices apresentam recuo de 2%, evidenciando ritmos distintos entre os segmentos. Para o horizonte de dez anos, a Honeywell projeta crescimento de aproximadamente 34% nas horas de voo, chegando a 12,2 milhões.
Nesse contexto, a propriedade compartilhada ganha importância pela intensidade de utilização. Segundo o levantamento, essas operações registram média de 850 horas anuais por aeronave, diante de aproximadamente 400 horas no fretamento e 200 entre operadores privados. As diferenças refletem modelos de operação distintos e mostram como uma mesma aeronave pode atender a uma base mais ampla de usuários.
A pesquisa também revela que a compra de cotas pode complementar uma estrutura própria de voo. Entre os proprietários consultados, 14% já possuem participação em aeronaves fracionadas e outros 16% consideram adquiri-la. Metade desse último grupo pretende utilizar as cotas para acrescentar capacidade à operação.
Para esses clientes, o compartilhamento pode atender a necessidades adicionais sem exigir a aquisição de outra aeronave inteira. O dado abre espaço para uma leitura mais ampla do mercado, no qual propriedade integral, fracionamento e fretamento podem integrar a mesma estratégia de transporte. A escolha depende da frequência de uso, da disponibilidade necessária e das características de cada missão.
Os Estados Unidos e Canadá concentram aproximadamente 83% da atividade de voo fracionada mundial, segundo o relatório. A região também reúne 63% da frota global de aeronaves de negócios e 68% das horas voadas. Sua escala mantém o mercado norte-americano como principal referência para fabricantes e fornecedores, enquanto a expansão desses modelos em outras regiões representa uma frente adicional de negócios.
O papel do Brasil
A América Latina ocupa posição relevante nesse cenário. Com cerca de 5.900 aeronaves, principalmente baseadas no Brasil e no México, a região abriga aproximadamente 15% da frota mundial considerada pelo estudo. Entre os operadores latino-americanos entrevistados, 40% pretendem ampliar suas frotas, 58% esperam manter o tamanho atual e apenas 2% planejam reduzi-lo.
Além disso, 27% dos participantes da região possuem aeronaves novas encomendadas, avanço de oito pontos percentuais em relação ao resultado anterior apresentado no levantamento. A intenção de expansão, acompanhada por encomendas já colocadas, indica oportunidades tanto na comercialização de aeronaves quanto na preparação da estrutura necessária para operá-las.
A Honeywell relaciona a demanda latino-americana ao investimento em infraestrutura, ao desenvolvimento econômico e à expansão das atividades agrícolas e de recursos naturais. O relatório também destaca a adequação dos jatos leves às ligações entre centros econômicos da região. São características que favorecem diferentes categorias de aeronaves, conforme a distância, os aeroportos utilizados e o perfil do operador.
Os critérios de compra acrescentam outra dimensão a esse mercado. Globalmente, 85% dos entrevistados incluem desempenho entre suas três principais prioridades. Experiência de cabine e custos operacionais e de manutenção aparecem com 55% cada, seguidos por suporte ao cliente, incluindo peças e atendimento a aeronaves indisponíveis, com 42%. Como os participantes podiam selecionar mais de um fator, os percentuais não são cumulativos.
Na América Latina, a pesquisa identifica maior ênfase relativa em custos e acesso a financiamento. Isso sugere espaço para propostas comerciais que combinem capacidade de cumprir a missão, previsibilidade de despesas e condições de aquisição. A disponibilidade de suporte também integra essa equação, especialmente para quem depende da aeronave como ferramenta regular de deslocamento.
O mercado de usados participa da mesma dinâmica. Segundo a Honeywell, a procura por capacidade no curto prazo leva parte dos operadores a buscar aeronaves disponíveis enquanto aguarda entregas de fábrica. O relatório informa que aproximadamente 6% a 7% da frota de usados está anunciada para venda, abaixo dos padrões históricos citados pela empresa. Esse indicador oferece contexto para a disponibilidade, embora não detalhe diferenças por categoria, idade ou modelo.
A previsão combina análises macroeconômicas e de mercado, planos de produção e desenvolvimento dos fabricantes, consultas a executivos e dados de Cirium, WingX e Jetnet. A pesquisa BuyerEx, realizada com Seefeld Group e Ad Hoc Research, ouviu 306 operadores não fracionados, responsáveis por 1.558 aeronaves. O relatório não informa a margem de erro nem detalha o número de participantes por região.
O conjunto aponta para oportunidades em várias etapas da atividade. Os grandes jatos concentram valor, os médios apresentam a maior expansão proporcional de frota e os leves e turboélices preservam participação expressiva nas entregas. Ao mesmo tempo, o fracionamento amplia as possibilidades de utilização e de acesso. Para as empresas do setor, atender a essa diversidade de missões será parte central do crescimento projetado até 2035.
Por Edmundo Ubiratan, de Las Vegas
Publicado em 21/10/2026, às 17h24 – Atualizado às 17h24
