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As amizades que ajudaram a construir uma lenda da aviação

As amizades que ajudaram a construir uma lenda da aviação

Amizades com nomes como Olacyr de Moraes, Telê Santana, Ozires Silva, Shigeaki Ueki e Rolando Boldrin revelam um lado menos conhecido do fundador da TAM

Há pessoas que constroem empresas. Há outras que constroem legados. Meu pai, o Comandante Rolim, fez as duas coisas. Mas, acima de tudo, construiu amizades. Costumo dizer que Rolim era o amigo dos amigos. Talvez tenha sido o verdadeiro rei das amizades.

Tinha uma capacidade rara de enxergar o melhor nas pessoas, de cultivar relações sinceras e de fazer com que aqueles que cruzavam seu caminho se tornassem parte da sua vida. Para ele, amizade nunca foi conveniência. Era admiração, lealdade, aprendizado e generosidade.

Ao longo da sua trajetória, muitas dessas amizades o ajudaram a se tornar quem era. Meu pai tinha uma enorme curiosidade pelas pessoas e acreditava que sempre havia algo a aprender com quem fazia a diferença em sua área de atuação. Cercava-se de homens e mulheres extraordinários, mas o que mais o encantava não eram os cargos ou o sucesso, e sim o caráter, a coragem e a capacidade de sonhar grande.

Uma dessas amizades marcantes foi com Olacyr de Moraes, o inesquecível “Rei da Soja”. Os dois compartilhavam uma admiração mútua pela audácia de seus projetos e pela grandeza de seus empreendimentos.

Eram homens que acreditavam que o Brasil poderia ser muito maior do que parecia. A amizade entre eles era tão profunda que fizeram um pacto curioso e revelador: se um dia um dos dois quebrasse, o outro se comprometeria a ajudá-lo com dez mil dólares por mês, pelo tempo que fosse necessário. Mais do que um acordo financeiro, era um compromisso de confiança absoluta, daqueles que só existem entre grandes amigos.

Outra figura por quem meu pai nutria enorme respeito era Shigeaki Ueki, ex-ministro das Minas e Energia e ex-presidente da Petrobras. Rolim admirava profundamente sua capacidade de pensar o Brasil e o mundo de forma global, estratégica e analítica. As conversas entre os dois iam muito além dos negócios. Eram encontros em que ideias circulavam livremente e nos quais meu pai encontrava inspiração na inteligência e na visão de futuro de Ueki.

Com Telê Santana, a amizade ganhou contornos ainda mais especiais durante os anos em que a TAM patrocinou o São Paulo Futebol Clube, período em que o time conquistou o mundo. Mas o que realmente aproximava os dois não eram apenas as vitórias. Eram as longas conversas sobre as coisas simples e essenciais da vida. Falavam de futebol, naturalmente, mas também de valores, disciplina, trabalho e humildade. Rolim admirava o jeito mineiro de Telê, sua delicadeza no falar, sua poesia e sua maneira serena de enxergar a vida.

Entre os amigos que ocupavam um lugar especial em seu coração estava também Rolando Boldrin. Meu pai era apaixonado pela música caipira e via em Boldrin a representação mais autêntica da cultura brasileira. Gostava de seu jeito simples, da sua sensibilidade e da forma como transformava o cotidiano do homem do campo em poesia. Era uma amizade construída pela afinidade de valores e pelo amor às raízes do Brasil.

Não poderia deixar de lembrar de Ozires Silva. A história da TAM e da Embraer caminham juntas em muitos momentos, especialmente no início da aviação regional brasileira. Os aviões Bandeirante foram fundamentais para o crescimento da companhia, levando a aviação a cidades antes isoladas e ajudando a consolidar um novo modelo de transporte aéreo no país. Rolim admirava profundamente Ozires, não apenas pelo extraordinário engenheiro e empreendedor que era, mas também pela visão de futuro que transformou a Embraer em um orgulho nacional.

Meu pai tinha uma característica muito especial: aprendia com todos. Cada amizade lhe trazia uma nova perspectiva, uma nova ideia, uma nova forma de enxergar o mundo. Não importava se a conversa era sobre agricultura, energia, aviação, futebol, música ou política. Ele sabia ouvir, fazia perguntas e absorvia o conhecimento daqueles que admirava.

Infelizmente, seria impossível citar todas as pessoas que marcaram sua vida. Muitos grandes amigos ficaram de fora destas linhas. Mas algumas amizades são inesquecíveis e permanecem como parte da própria história do Comandante Rolim. Elas ajudam a explicar não apenas o empresário visionário que ele foi, mas, sobretudo, o homem generoso, curioso e profundamente humano que conquistava as pessoas por onde passava.

Talvez esse tenha sido um de seus maiores legados: mostrar que nenhum grande sonho é construído sozinho. Empresas podem nascer de uma ideia, mas vidas extraordinárias são construídas, acima de tudo, pelas pessoas que escolhem caminhar ao nosso lado.

* Marcos Amaro é empresário, artista plástico e foi membro do conselho da TAM Linhas Áreas.
É sócio fundador e presidente do conselho da Amaro Aviation





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