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após demissão de 6 mil no trimestre, o que acontece com varejista?

após demissão de 6 mil no trimestre, o que acontece com varejista?

A rede supermercadista Grupo Mateus (GMAT3) teve outro trimestre difícil nos primeiros meses de 2026. Mesmo justificando retração de 22% no lucro pela deflação de alimentos e pelo impacto de commodities ao longo do trimestre, os desafios para a varejista já acontecem há mais tempo. Os dados negativos, divulgados no último dia 14, não foram suficientes para derrubar os papéis da companhia, que fecharam com alta de 1,17% na sessão seguinte à divulgação.

Os dados divulgados também mostram que cerca de 6 mil funcionários foram demitidos, com redução no quadro de funcionários em mais de 13%, de acordo com dados divulgados junto com o balanço do primeiro trimestre de 2026. Até o fim de 2025, o quadro de funcionários era composto por 47,9 mil empregados e caiu 6.673 para 41,2 mil. As reduções aconteceram em seis estados.

A movimentação foi mencionada pelo presidente do conselho de administração da companhia, Ilson Mateus Rodrigues, na teleconferência sobre os resultados da companhia. Rodrigues afirmou que mais reduções de despesas estão previstas, mas não em funcionários. A companhia também realizou o fechamento de 28 lojas no trimestre, com inauguração de outras quatro novas unidades no período.

O balanço foi considerado com uma linha de receita bastante pressionada, segundo análise da XP, embora uma melhora na margem bruta tenha levado o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado a ficar em linha com as estimativas mais cautelosas da casa. A casa destaca que a receita líquida veio 8% abaixo de suas projeções, ainda assim avançando 13% na comparação anual. As vendas nas mesmas lojas retraíram 7,3% (queda de cerca de 6 p.p. trimestre contra trimestre), pressionado por deflação de alimentos, crédito ao consumidor mais restrito e maior endividamento das famílias.

Além dos ventos macroeconômicos desfavoráveis, a companhia decidiu reduzir o canal “Balcão” (vendas em balcão dentro das lojas) para focar em vendas mais rentáveis, o que contribuiu para o SSS fraco, mas ajudou a margem bruta. Ainda assim, segundo a XP, esse movimento não foi suficiente para compensar a desalavancagem operacional, que levou a margem de EBITDA ajustado a cair 30 pontos-base na comparação trimestral.

A XP observa que, embora a empresa já esteja ajustando sua estrutura a um cenário de crescimento de receita mais fraco — com corte de 9% do quadro de pessoal desde setembro de 2025 — a combinação de resultados fracos e ambiente macro pressionado tende a reforçar a postura cautelosa dos investidores em relação ao papel.

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A decisão do Grupo Mateus de deixar de divulgar vendas por canal também aumenta a complexidade para entender e projetar o desempenho do negócio, o que pode manter parte do mercado em compasso de espera até que haja sinais mais claros de recuperação da trajetória de crescimento.

Por outro lado, o Itaú BBA vê a geração de caixa como ponto positivo: a GMAT gerou cerca de R$ 250 milhões no trimestre, bem melhor que o cenário de consumo de caixa esperado, com capital de giro mais saudável e estoques mais enxutos. Ainda assim, o banco avalia que o fraco crescimento de receita, o cenário mais pressionado no Nordeste e o adiamento da inflexão operacional para o 2S26 devem manter o curto prazo desafiador e sustentar revisões negativas de lucro, apesar das iniciativas de produtividade e da desalavancagem financeira.

Dificuldades desde 2025

Nas análises sobre o resultado ainda do quarto trimestre de 2025, analistas já destacavam dados fracos e cenário desafiador. Naquele momento, aa expectativa de que a dinâmica de inflação de alimentos no primeiro semestre de 2026 ainda desafiadora, o Itaú BBA já não projetava melhora relevante no período em termos de SSS (vendas nas mesmas lojas) ou margens EBITDA na base anual. Isso acabou se confirmando no primeiro trimestre.

A XP também apontava que o cenário seria agravado por pressões de volume decorrentes de crédito ao consumidor mais restrito, deflação de alimentos e um ambiente macroeconômico desafiador, ou seja, condições amplas da economia como juros elevados e renda pressionada, que persistiriam ao longo de 2026.

Antes disso, nos resultados do 3º trimestre de 2025, a rede de atacarejo sofreu pressão desde então após o balanço apontar erro de R$ 1,1 bilhão em estoques valorizados no seu balanço patrimonial de 2024. Isso por conta de erros nos cálculos do custo médio das mercadorias vendidas, que é considerado um dos pontos mais sensíveis nos balanços de varejistas.

Houve uma correção no valor das mercadorias estocadas em 2024, que estavam superavaliadas em R$ 1,1 bilhão, passando de R$ 6 bilhões para R$ 4,9 bilhões.O ajuste contábil fez com que o patrimônio líquido tivesse uma queda para R$ 9,1 bilhões, levando a um corte de quase R$ 695 milhões.

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O tema sobre problema de estoques é visto como antigo. Em maio de 2021, formulário de referência da empresa enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), relativo à 2020, aponta que a auditoria da época, a Grant Thornton, identificou 42 deficiências moderadas na empresa.

O mercado está dividido sobre o papel, conforme mostra compilado da LSEG com 4 casas que cobrem o papel. O BTG recomenda o papel como compra, assim como a XP. O Itaú BBA estima como “outperform”, similar a compra, enquanto o Santander vê como Neutro.



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