Laura Cardoso, que morreu nesta terça-feira (18), aos 98 anos, começou a se aproximar da atuação ainda muito jovem, movida pelo encantamento que sentia pelas histórias de radionovelas que ouvia nas emissoras de então.
A atriz tomou coragem e, sozinha mesmo, seguiu para fazer um teste na Rádio Cosmos, em 1942. Ela não contou com o apoio de todas as pessoas da família, especialmente porque ainda havia muito preconceito em relação à profissão.
Para ela, o rádio tinha uma força particular por estimular a imaginação e permitir que o ouvinte criasse mentalmente as cenas e os personagens. O seu pai a apoiava neste momento.
“Fui fazer o teste porque as histórias no rádio me encantavam. Rádio estimula a imaginação, faz você fantasiar. É como o livro. Já a televisão está com tudo estampado e a gente fica meio bobo olhando”, disse Laura em uma entrevista à revista Quem, em 2012.
A escolha pela carreira, no entanto, não foi bem recebida pela mãe de Laura, que não gostava da ideia de que a filha trabalhasse no rádio, em uma época em que mulheres ligadas ao teatro, ao rádio e ao circo eram alvo de preconceito e frequentemente associadas à prostituição, segundo a própria atriz. A artista mesmo chegou a ter experiências com teatro infantil e circo popular, segundo o Itaú Cultural.
“Os vizinhos da rua onde morava faziam comentários quando eu saía de casa, falavam: ‘Olha lá, ela não presta’. Eu nem ligava. Não estava nem aí se comentavam que eu era puta, vestia minha roupa e ia trabalhar de salto alto e cabeça erguida. O meu trabalho era sério”, afirmou à revista.
Antes de consolidar esse caminho, Laura chegou a fazer um teste na Rádio São Paulo, em 1942, com Oduvaldo Vianna, mas desistiu naquele momento.
