Ternos desconstruídos e detalhes de fantasia. Jonathan Anderson apresentou, nesta quarta-feira (24), sua terceira coleção masculina para a Dior, em clima de festa, mas em plena onda de calor na França.
O evento, um dos mais aguardados desta Semana de Moda Masculina, foi um dos primeiros a mudar de horário para evitar os momentos mais sufocantes do dia.
Na chegada ao Museu Nissim de Camondo, um palacete do século XVIII, o público recebia bebidas, leques e até pequenos guarda-sóis para os convidados instalados no jardim.
“Para mim, toda a coleção é sobre depurar a ideia do personagem masculino e como ela se conecta com a feminina”, disse Anderson à imprensa após o desfile.
O estilista norte-irlandês apresentou ternos fluidos, com tecidos muito leves, quase transparentes, em estampas de finas listras ou xadrez. Também exibiu jaquetas de corte estruturado, desfiadas nas extremidades.
“Você tem o visual de alfaiataria no começo, mas depois tira o interior e o reconstrói como uma estrutura de forro”, explicou o estilista de 41 anos. “É tudo uma questão de experimentação”, acrescentou.
Toques brilhantes
Várias peças da coleção tinham toques brilhantes: calças douradas e prateadas, casacos com detalhes em paetês ou bordados em camisas que simulam um lenço em trompe-l’oeil, que cria uma ilusão de ótica.
As botas recobertas de minúsculos cristais pretos remetiam à pequena bola de discoteca enviada com o convite.
A coleção é “sobre rapazes em uma festa em casa”, acrescentou Anderson, que trabalhou com o DJ britânico Fred Again nesta proposta.
Anderson foi nomeado no ano passado diretor artístico das coleções femininas e masculinas da Dior.
Ele se tornou, assim, o primeiro estilista desde Christian Dior a supervisionar as três linhas da casa emblemática da LVMH, inclusive a de alta-costura.
“Para mim, meu objetivo com a Dior é tentar elevar a aparência do homem, fazer com que se sinta capaz de ter uma tensão interna, que não seja simplesmente […] merchandising, mas sim sobre como se constroem personagens”, comentou.
O estilista, considerado um dos prodígios da moda e reconhecido por sua criatividade transbordante, avança na consolidação de seu estilo na lendária marca francesa.
“Definir um look leva tempo e pouco a pouco começa a se encaixar. É algo para se desfrutar”, concluiu o estilista, que trabalhou por uma década na grife espanhola Loewe, também pertencente à LVMH, antes de chegar à Dior.
Histeria
Outros desfiles se sucederam ao longo do dia, como o da francesa Jeanne Friot, conhecida pela moda sem gênero e engajada, que apresentou sua coleção “Hysteria”, inspirada na tentativa de transformar “algo negativo, que é um insulto, em um símbolo positivo”, disse à AFP.
Seus primeiros conjuntos eram completamente brancos, criados para evocar os centros hospitalares onde as mulheres acusadas de histeria eram trancadas, e os últimos looks eram em preto.
A também francesa Egonlab apresentou ternos estruturados, do azul-marinho a peças em verde e amarelo, bordadas com pérolas, inclusive com conjuntos em lingerie.
A estilista belga Meryll Rogge, diretora artística da italiana Marni, mostrou cerca de 20 propostas masculinas e femininas de sua marca epônima, com peças clássicas, jaquetas bomber e calças chino.
Esta edição da Semana de Moda Masculina, na qual cerca de 70 marcas revelarão suas novas propostas para a primavera-verão 2027 até 28 de junho, será marcada pelas altas temperaturas que castigam a França e outros países europeus.
Os recordes de temperatura levaram as grandes marcas a improvisar recursos de última hora para atenuar o calor asfixiante: de leques personalizados a bebidas de boas-vindas refrescantes, passando por toalhinhas umedecidas.
