A primeira temporada de “Amor da Minha Vida” não prometia muita coisa. A série era bem produzida e bem acabada, e bastante centrada nos protagonistas Bia e Victor, interpretados pelos carismáticos Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros. No entanto, os personagens traziam questionamentos muito superficiais, com explicações nas falas em off para traduzir os dilemas.
Até mesmo as cenas mais sensuais pareciam contidas, assumindo uma postura mais infantilizada. Mas tudo mudou na segunda temporada. A série passou a ir mais fundo nas reflexões e convocou uma verdadeira tropa de choque para interpretar os personagens que cruzavam a vida dos protagonistas.
Caso das vizinhas de Bia e Victor, Cacilda e Clotilde, feitas por Guida Viana e Louise Cardoso, com interpretações cheias de intenção e humor. Ou então de Zé Henrique, papel de Rômulo Estrela, um deprimido cantor sertanejo que vive o drama de odiar as músicas que construíram seu sucesso e afunda numa depressão paralela à de Bia.
Tem ainda a Sarah, de Clarice Falcão, que faz uma dentista que desenvolve uma relação virtual e culpada com Victor. A lista de gente talentosa ainda inclui Alanis Guillen e a surpreendente Gleici Damasceno. Daniel Dantas, como Arnaldo, faz uma participação rápida, mas decisiva, que subverte a autoimagem de Bia. O mesmo acontece com Victor, por conta da relação com Paula, de Rayssa Bratillieri.
A crise pessoal dos protagonistas faz com que todos os questionamentos abordados na trama também mudem e ganham profundidade. E continuam sendo traduzidos pelas vozes de Bia e Victor em off, explicando o que estão sentindo e pontuando as mudanças de fase na vida, começando sempre com a frase “Esse (ou essa) agora sou eu…”.
A abordagem de “Amor da Minha Vida” nesta segunda temporada está mais adulta, em que os personagens parecem buscar seu lugar no mundo. Ao mesmo tempo, esta entrada na vida adulta traz cenas mais ousadas, com uma liberdade sexual própria da Geração Z. Ou como definiriam as Gerações X e Y, rola uma pegação geral – mesmo que nada ocorra fora de contexto. Ao mesmo tempo, os personagens mais maduros passam uma certa esperança de que a calma e a segurança sobre a própria identidade uma hora chegam.
Estas alterações trouxeram a produção exibida pela Disney+ da condição de uma série boboca e infantilizada para um patamar mais consistente. Embora o público-alvo não tenha mudado, agora a trama mostra relações mais complexas e interessantes, sem maniqueísmos que dividam os personagens em bons e maus. Também ganhou em humor, em drama e também em romance. E o episódio final cria um gancho bem evidente para uma terceira temporada, que já foi confirmada pela Disney.
“Amor da Minha Vida” – Duas temporadas disponíveis no Disney+
