Viajantes terão limite de carregadores em voos da American Airlines (Divulgação/American Airlines)

A American Airlines anunciou uma nova política para o transporte e uso de carregadores portáteis em voos. A decisão passa a valer a partir de 1º de maio e estabelece limites mais rígidos para os chamados power banks, dispositivos cada vez mais comuns entre passageiros.

A mudança não acontece por acaso. Nos bastidores da aviação, cresce a preocupação com episódios envolvendo baterias de íon de lítio, que podem superaquecer e, em casos extremos, provocar incêndios dentro da cabine. O tema já vinha sendo discutido globalmente e agora começa a se refletir de forma mais concreta nas regras aplicadas pelas companhias.

O que muda para quem vai voar na American Airlines

Os passageiros poderão levar no máximo dois carregadores portáteis por pessoa. Cada dispositivo não poderá ultrapassar 100 watt-hora, padrão já adotado em boa parte da indústria aérea.

Além do limite, há uma mudança importante no uso durante o voo. Os power banks precisarão permanecer visíveis e ao alcance do passageiro o tempo todo. Guardar o item no compartimento superior não será mais permitido. Outro ponto que chama atenção é a proibição de recarregar esses dispositivos utilizando as tomadas dos assentos. Ou seja, o power bank passa a ser uma fonte de energia, mas não poderá ser recarregado durante o trajeto.

Em comunicado enviado ao jornal Dallas Morning News, a American Airlines explicou o motivo da decisão. “Sabemos que nossos clientes dependem desses dispositivos para manter seus aparelhos funcionando ao longo da viagem. Essas atualizações permitem uma resposta mais rápida da tripulação caso ocorra algum problema e reforçam nosso compromisso com a segurança”, informou.

Um movimento que já vinha sendo desenhado

A decisão da American não surge isolada. No início do mês, a International Civil Aviation Organization, agência de aviação da ONU, recomendou um padrão global: limitar a dois carregadores por passageiro e evitar o carregamento desses dispositivos durante o voo.

Outras companhias já começaram a se mexer. A Southwest Airlines foi uma das primeiras nos Estados Unidos a endurecer as regras. Inicialmente restringiu o uso e, mais recentemente, reduziu o limite para apenas um power bank por passageiro em determinadas condições.

Esse efeito cascata mostra que o setor está alinhando protocolos diante de um risco que deixou de ser pontual para virar tendência de atenção.

O problema das baterias de lítio

Os power banks utilizam baterias de íon de lítio, tecnologia presente em diversos itens do dia a dia, como celulares, notebooks e até cigarros eletrônicos. O problema está no comportamento dessas baterias em caso de falha.

Segundo relatório de 2025 da UL Standards and Engagement, os incidentes envolvendo esse tipo de bateria estão em alta. Dentro da aviação, o cenário também preocupa.

Dados da Federal Aviation Administration mostram que centenas de ocorrências já foram registradas nas últimas duas décadas. E um dado chama atenção: quase 40% dos casos têm relação direta com carregadores portáteis.

O risco principal é o chamado “thermal runaway”, quando a bateria entra em um ciclo de superaquecimento difícil de conter. Em um ambiente pressurizado como o avião, qualquer foco de incêndio exige resposta imediata.

O que muitos passageiros ainda não sabem

Existe um detalhe curioso nessa história. A maioria das pessoas sequer sabe que carrega dispositivos com baterias de lítio. O mesmo relatório da ULSE aponta que o passageiro médio viaja com cerca de quatro itens desse tipo. Além dos power banks, entram na lista celulares, laptops, tablets e outros eletrônicos comuns.

Por isso, há regras que já são antigas, mas ainda pegam muita gente de surpresa. A principal delas é a proibição de despachar na bagagem qualquer dispositivo com bateria de lítio. Esses itens devem sempre ir na bagagem de mão. Dentro da cabine, qualquer problema pode ser identificado e controlado rapidamente pela tripulação. No porão da aeronave, a resposta seria muito mais limitada.

Impacto na experiência de viagem

Para o passageiro, a mudança exige adaptação, mas não chega a ser uma ruptura. O uso de power banks continua permitido, apenas com mais controle.

Quem costuma viajar com vários dispositivos ou equipamentos mais potentes pode precisar rever o que leva na mochila. Já quem depende do carregador portátil durante voos longos deve ficar atento ao fato de que não poderá recarregá-lo a bordo. A decisão reforça um movimento maior da aviação: antecipar riscos antes que eles se tornem crises.

Tendência que deve se espalhar

Tudo indica que a medida da American Airlines não será a última. Com recomendações internacionais já em vigor e dados mostrando aumento de incidentes, o caminho natural é que outras companhias adotem regras semelhantes. Para o viajante, vale uma leitura rápida antes de embarcar. Aquilo que parece detalhe pode fazer diferença na hora do embarque ou até impedir o transporte do item.

*Com informações da Travel Pulse