Aluno de escola de aviação morreu após participar de batismo com óleo usado em aviões em Ponta Grossa/PR; Instrutor responderá por homicídio culposo
Um aluno de uma escola de aviação de Ponta Grossa/PR morreu na noite da última quinta-feira (16), após participar de um batismo com óleo utilizado em motores de aeronaves, após ter concluído seu primeiro voo solo.
Segundo a Polícia Civil do Paraná, ele sofreu uma reação alérgica e veio a óbito ao ser atendido em um hospital da região.
O instrutor responsável por lançar o produto sobre o aluno apresentou-se espontaneamente à delegacia. Conforme a Polícia Civil, ele foi preso em flagrante por homicídio culposo, modalidade em que não há intenção de matar. Após prestar depoimento, foi liberado mediante pagamento de fiança.
Segundo o depoimento prestado à polícia, o instrutor confirmou que participou do ritual e afirmou que o procedimento é realizado tradicionalmente “do pescoço para baixo” dos alunos formados.
O batismo com óleo
O chamado “banho de óleo” é um ritual informal presente em diversas escolas de aviação e aeroclubes brasileiros para marcar conquistas durante a formação de pilotos, como a realização do primeiro voo solo ou a conclusão de etapas do treinamento.
Embora difundida em parte da comunidade aeronáutica, a prática não integra os currículos oficiais de formação de pilotos nem constitui procedimento previsto pela regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Em nota, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa informou que manifesta pesar pelo falecimento do aluno. A instituição declarou que “não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas”.
Após o ocorrido, nesta sexta-feira (17), a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) divulgou nota lamentando a morte do aspirante a piloto e prestando solidariedade aos familiares e amigos. A agência reforçou que óleos, lubrificantes e outros produtos químicos utilizados na aviação não devem entrar em contato com a pele.
“A ANAC alerta que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, ter contato com a pele, conforme orientam os rótulos desses materiais. O uso desses produtos durante celebrações traz riscos à saúde das pessoas, podendo, inclusive, levar a óbito“, disse a autarquia.
A autoridade reguladora também orientou escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução a reavaliarem práticas comemorativas que possam representar riscos.
“A ANAC reitera a escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução que, na aviação, a segurança vem sempre em primeiro lugar. Por isso, é essencial repensar ritos de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco“, acrescentou.
