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Alta dos combustíveis pressiona aviação agrícola e preços de alimentos

Alta dos combustíveis pressiona aviação agrícola e preços de alimentos

Pesquisa do Sindag mostra alta de até 67,3% no Avgas e impacto de até 40% nos custos da aviação agrícola, com possível reflexo nos preços de alimentos

A elevação nos preços dos combustíveis elevou significativamente os custos operacionais da aviação agrícola no Brasil, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (9), pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag).

O levantamento indica aumento de 67,3% na gasolina de aviação (Avgas) e de 51,6% no querosene de aviação (QAV), resultando em uma pressão direta sobre as operações aeroagrícolas e potencial impacto na cadeia produtiva do agronegócio.

De acordo com o estudo “Inflação dos Combustíveis sobre a Aviação Agrícola”, a alta mais expressiva foi registrada no Avgas, utilizada por aeronaves com motor a pistão. Já o QAV, empregado em aeronaves turboélices de maior porte, também apresentou avanço relevante.

Outros insumos energéticos tiveram variações mais moderadas no período analisado: o etanol — responsável por cerca de 20% do abastecimento da frota aeroagrícola — subiu 6,9%, enquanto o diesel, utilizado em veículos de apoio em solo, avançou 7,7%.

Impacto operacional

Com base nessas variações, o Sindag estima que os custos operacionais das empresas aeroagrícolas aumentaram entre 14% e 40%, com média aproximada de 25%, dependendo da região e do perfil da frota.

Diante desse cenário, o setor projeta a necessidade de reajuste superior a 10% nos preços dos serviços para manter a viabilidade econômica das operações.

Quando o custo sobe na aplicação, ele sobe na lavoura. E isso, inevitavelmente, chega ao preço dos alimentos, das fibras e da energia”, disse Cláudio Júnior Oliveira, diretor operacional do Sindag e economista responsável pelo estudo.

Abrangência

O levantamento considerou dados de trinta empresas aeroagrícolas distribuídas em diferentes regiões do país, incluindo polos estratégicos da produção agrícola.

Segundo o Sindag, a aviação agrícola atende diretamente os principais centros produtivos do Brasil, o que amplia o efeito sistêmico da elevação de custos. Em 2025, os dez principais produtos agropecuários brasileiros responderam por mais de 40% das exportações nacionais, incluindo soja, milho, açúcar, café, celulose e algodão, além das cadeias de proteína animal dependentes de grãos.

A concentração produtiva também reforça essa dinâmica: 83% da produção agrícola está localizada em oito estados — Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Bahia — que concentram 87% da frota aeroagrícola.

Volatilidade inflacionária

O estudo também aponta instabilidade recente no Índice de Inflação da Aviação Agrícola (Iavag). Após recuo pontual em fevereiro, influenciado por fatores como câmbio e preços do etanol, a tendência se reverteu rapidamente, com projeção de alta superior a 6,75% em março, impulsionada principalmente pelos custos energéticos.

O combustível hoje é uma variável estratégica. Ele impacta diretamente a margem, a competitividade e a capacidade operacional das empresas”, disse Oliveira.

Fatores externos

Segundo o Sindag, o cenário atual resulta da combinação de fatores internacionais, como a dinâmica do petróleo, e variáveis domésticas, ampliando a sensibilidade do setor a oscilações externas.

A entidade informou que encaminhará os dados ao Instituto Pensar Agro (IPA), à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a órgãos do governo federal, incluindo os ministérios da Fazenda e da Agricultura e Pecuária, além da Casa Civil. Entre as propostas em discussão estão medidas de apoio, como subsídios para mitigar a escalada dos combustíveis.

Adaptação operacional

No curto prazo, empresas do setor têm adotado estratégias para absorver parte dos custos, como revisão de contratos, ajustes operacionais e ganhos de eficiência.

Também cresce o interesse por alternativas energéticas mais estáveis, como o etanol, que apresentou menor volatilidade no período analisado e já responde por cerca de 20% da frota aeroagrícola.

Ainda assim, o diagnóstico do setor permanece cauteloso. “Se esse cenário persistir, os efeitos não ficarão na aviação agrícola. Eles se espalharão por toda a economia”, conclui Oliveira.





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