A semana começou com sinais mistos nos mercados financeiros, refletindo a instabilidade geopolítica no Oriente Médio e a cautela dos investidores diante de negociações ainda incertas entre Estados Unidos e Irã. Nesta segunda-feira (20), o dólar encerrou o dia em queda de 0,17%, cotado a R$ 4,9746 — o menor patamar desde março de 2024. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,20%, fechando aos 196.132 pontos.
O desempenho positivo do real ocorre em um ambiente global marcado por ruídos políticos e expectativas desencontradas. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo com o Irã pode ser alcançado “relativamente rápido”, autoridades iranianas adotaram um tom mais cauteloso, destacando obstáculos relevantes nas negociações diplomáticas.
Depois do alívio cambial, incerteza externa ainda dita o ritmo
A valorização da moeda brasileira se sustenta, em parte, pela entrada de fluxo estrangeiro e pela percepção de que o Brasil segue atrativo em meio à turbulência global. No entanto, o pano de fundo segue delicado.
A dois dias do fim do cessar-fogo considerado frágil, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que “violações contínuas” e “posições contraditórias” por parte dos EUA representam entraves significativos ao avanço das tratativas.
A tensão aumentou no fim de semana após os Estados Unidos interceptarem e atacarem um navio iraniano no Golfo de Omã. Segundo Trump, a embarcação teria tentado romper um bloqueio naval imposto pelos americanos. Em resposta, Teerã prometeu retaliação e chegou a colocar em dúvida sua participação nas negociações de paz — embora, horas depois, tenha sinalizado positivamente ao Paquistão sobre a continuidade do diálogo.
Petróleo dispara e acende alerta global
A instabilidade no Oriente Médio impactou diretamente o mercado de commodities. O petróleo tipo Brent, referência internacional, avançava 5,32% no fim da tarde, sendo negociado a US$ 95,19 o barril.
O movimento reflete o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um terço do petróleo comercializado globalmente. Qualquer bloqueio na região tende a pressionar preços e elevar o risco inflacionário em escala global.
Bolsas globais fecham sem direção única
Nos mercados internacionais, o cenário foi heterogêneo. Em Wall Street, os principais índices recuaram levemente: o Dow Jones caiu 0,01%, o S&P 500 perdeu 0,22% e o Nasdaq recuou 0,26%.
Na Europa, o tom também foi negativo, com o índice STOXX 600 registrando queda de 0,8%. As perdas foram mais acentuadas na França e na Alemanha, onde os principais índices caíram cerca de 1,1%. Em Londres, o FTSE teve baixa de 0,55%.
Já na Ásia, o desempenho foi majoritariamente positivo. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,77%, enquanto o SSEC, de Xangai, avançou 0,76%. Em Tóquio, o Nikkei teve alta de 0,6%, e o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,44%.
Negociações seguem no radar do mercado
Apesar do tom otimista de Trump, que afirmou não estar sob pressão para fechar um acordo e prometeu um pacto “melhor” que o anterior, conhecido como JCPOA, os sinais ainda são contraditórios.
Segundo fontes internacionais, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, deve viajar ao Paquistão nesta terça-feira (21) para participar de discussões relacionadas ao conflito — movimento que reforça a relevância diplomática da região neste momento.
Do lado iraniano, há expectativa de que o país mantenha sua participação nas negociações, com intermediação paquistanesa, embora sem garantias concretas de avanço.
Desempenho acumulado em 2026
Dólar
- Semana: -0,17%
- Mês: -3,94%
- Ano: -9,37%
Ibovespa
- Semana: -0,81%
- Mês: +4,41%
- Ano: +21,48%
