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Alceu Valença comemora 80 anos ao lado da Pitombeira dos Quatro Cantos

Alceu Valença comemora 80 anos ao lado da Pitombeira dos Quatro Cantos


Já é Carnaval em Olinda! Ainda que o calendário diga o contrário, bastou a noite desta quarta-feira (1º) cair sobre as ladeiras da Cidade Alta para que o frevo tomasse conta das ruas. Quando Alceu Valença e a Pitombeira dos Quatro Cantos se encontram é assim: o tempo obedece outra lógica, a da memória, da música e da festa.


A celebração marcou os 80 anos do cantautor pernambucano, completados neste 1º de julho, e também abriu simbolicamente as comemorações pelos 80 anos da Pitombeira dos Quatro Cantos, que serão celebrados no Carnaval de 2027.


Centenas de foliões acompanharam a saída da Pitombeira de sua sede, embalada por orquestra de frevo, passistas, alegorias e bonecos gigantes. O destino era a Casa Estação da Luz, residência de Alceu, onde o cantor celebrava o aniversário ao lado de familiares e amigos.




Frevo, surpresa e encontro

A ideia era fazer uma surpresa. Segundo pessoas próximas, Alceu — conhecido por não acessar redes sociais e internet — não sabia da homenagem preparada em sua porta.


Houve quem dissesse que ele já demonstrava certa desconfiança. Mas guardar segredo de uma multidão cantando suas músicas pelas ladeiras de Olinda parecia uma missão impossível.


Pouco depois das 19h30, o cortejo seguiu em direção à Casa Estação da Luz, arrastando uma multidão que transformou o percurso em um verdadeiro desfile carnavalesco.


“Alceu é sem comentários. Ele já se mistura por si, pelo frevo, dentro de Olinda. Então, a gente teve essa ideia de começar as comemorações dos 80 anos da Pitombeira homenageando Alceu Valença, que está completando 80 anos. Um ícone do Carnaval pernambucano, um ícone da cultura brasileira”, afirmou Hermes Neto, presidente da Pitombeira dos Quatro Cantos.


A janela virou palco

A Rua Prudente de Morais já estava completamente tomada quando o cortejo chegou. O aperto lembrava os dias mais intensos do Carnaval, enquanto os fãs/foliões aguardavam pela aparição do aniversariante.


O momento aconteceu quando Alceu surgiu em uma das janelas da Casa Estação da Luz. A recepção foi imediata: aplausos, gritos e um coro que ecoou pelas ladeiras. Minutos depois, a orquestra estacionou em frente à residência e a homenagem ganhou sua cena mais emblemática.


Da janela, Alceu cantou acompanhado pela Pitombeira e por uma multidão que conhecia todos os versos. No repertório, clássicos como “Bicho Maluco Beleza”, “Girassol”, “Diabo Louro”, “Estação da Luz”, “Tropicana” e “Bom Demais. Ao fim da sequência, o coro trocou as canções pelo tradicional “Parabéns pra Você”, celebrando o mais novo octogenário da música brasileira.





Em um momento raro, o cantor também apareceu ao lado dos irmãos Aécio, Delma e Décio, reunidos na janela da casa diante do público. Entre os convidados presentes na festa estavam nomes como Maestro Duda, Nena Queiroga, Jota Michiles, Charles Teony e Kátia Mesel, entre outros artistas e amigos.


Por algumas horas, fevereiro pareceu ter chegado antes do tempo. Olinda viveu um Carnaval fora de época para celebrar um de seus maiores símbolos.


Em retribuição, a cidade devolveu a Alceu Valença um pouco daquilo que ele lhe ofereceu ao longo de oito décadas: canções que se confundem com suas ladeiras, sua memória e sua própria identidade.

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