Qantas antecipa para 2028 o início da substituição dos Airbus A380 e negocia opções para mais vinte unidades do A350-1000 e do Boeing 787
A Qantas antecipou em três a quatro anos o início da substituição de seus Airbus A380 e pretende começar a retirar os modelos da frota em meados de 2028.
A informação foi divulgada por Vanessa Hudson, CEO do grupo Qantas, durante a apresentação dos resultados anuais da companhia, nesta quinta-feira (27).
A companhia australiana também negocia com a Airbus e a Boeing o exercício de opções para a aquisição de vinte aeronaves de fuselagem larga, entre o Airbus A350-1000 e o Boeing 787.
Anteriormente, a empresa indicava que a aposentadoria dos A380 começaria no ano fiscal de 2032, iniciado em meados de 2031.
A Qantas opera atualmente dez Airbus A380, entregues a partir de 2008. O Airbus A350-1000 foi definido como o principal substituto do modelo de dois andares.
A companhia não estabeleceu uma data para concluir a retirada dos A380. Segundo Hudson, a estratégia busca preservar flexibilidade conforme os novos aviões forem incorporados à frota.
Custos de manutenção
A Qantas relaciona a antecipação do processo à idade dos A380 e à perspectiva de aumento dos custos de manutenção e das despesas associadas a interrupções operacionais.
A substituição também permitirá a introdução de novos produtos de cabine e a utilização de aeronaves com menor consumo de combustível, segundo a executiva. A companhia associa a renovação da frota ainda às metas de eficiência operacional e sustentabilidade.
A definição do início da aposentadoria dos A380 também tem impacto sobre o planejamento de tripulações.
Carteira de pedidos
A carteira de pedidos da Qantas para aviões de fuselagem larga inclui atualmente doze Airbus A350-1000 e doze A350-1000ULR, além de outros doze Boeing 787-9.
Os A350-1000ULR serão utilizados principalmente na expansão de rotas de ultra-longa distância, enquanto os A350-1000 convencionais serão destinados inicialmente à substituição dos Airbus A380.
Os Boeing 787 já encomendados serão empregados na renovação da frota de Airbus A330, cuja retirada começou a ser planejada para até dezembro. A Qantas, porém, ainda precisará de aeronaves adicionais para completar a substituição dos A330 e A380.
Negociação de aeronaves
A companhia confirmou negociações para exercer opções referentes a mais 20 aeronaves de fuselagem larga. O pacote deverá combinar Airbus A350-1000, sem a configuração ULR, e Boeing 787.
As entregas dessas aeronaves estão previstas a partir de 2030. A Qantas não revelou quando pretende concluir as negociações com Airbus e Boeing. A expansão das opções permitirá à companhia ajustar a composição da frota de acordo com o ritmo de retirada dos A330 e A380 e com a entrada em serviço dos novos aviões.
Entregas previstas
O Grupo Qantas prevê receber 31 aeronaves durante o ano fiscal de 2027, iniciado em 1º de julho. Desse total, 28 serão aeronaves Airbus de fuselagem estreita.
As três primeiras unidades do Airbus A350-1000ULR estão programadas para serem entregues em abril, maio e junho de 2027. Os próximos Boeing 787-9 estão previstos para o ano fiscal de 2028.
Os novos 787-9 terão uma configuração de classe executiva com 42 suítes equipadas com portas deslizantes de privacidade.
Enquanto os 787 ainda não estiverem disponíveis em quantidade suficiente, os Airbus A321XLR serão utilizados para substituir parte dos A330 retirados da operação.
Resultado financeiro
No ano fiscal de 2026, o Grupo Qantas registrou lucro líquido de US$ 926,3 milhões, queda de cerca de 20% em relação ao exercício anterior.
A despesa com combustível aumentou quase US$ 440 milhões. A companhia limitou a cerca de US$ 300 milhões o impacto líquido da crise no Oriente Médio sobre seus resultados, por meio de ajustes de tarifas e capacidade e da realocação de aeronaves para atender ao aumento da demanda por viagens à Europa.
