A Air Canada abriu 2026 mantendo o ritmo forte observado no fim do ano passado e apresentou um primeiro trimestre marcado por recordes financeiros e geração robusta de caixa. Ao mesmo tempo, a companhia optou por suspender suas projeções para o ano completo, refletindo a crescente instabilidade no cenário global de energia — especialmente no mercado de combustível de aviação.
Entre janeiro e março, a empresa registrou receita operacional de US$ 5,8 bilhões, avanço superior a 11% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho foi impulsionado pela demanda consistente em toda a malha aérea, reforçando a recuperação e o apetite por viagens mesmo em um ambiente geopolítico desafiador.
O lucro operacional alcançou US$ 117 milhões, representando uma melhora de US$ 225 milhões na comparação anual. Já o LAJIDA ajustado somou US$ 623 milhões, uma alta de 61%; e atingiu o melhor patamar já registrado pela companhia para um primeiro trimestre. Segundo o presidente e CEO Michael Rousseau, os resultados “comprovam a eficácia da nossa estratégia e o comprometimento dos nossos colaboradores”.
Além da rentabilidade, a empresa apresentou forte geração de caixa. Foram US$ 1,8 bilhão em fluxo operacional e US$ 1,6 bilhão em fluxo de caixa livre no período. A companhia também recomprou mais de US$ 140 milhões em ações, em linha com sua política de retorno aos acionistas e disciplina na alocação de capital.
Apesar do desempenho sólido, a volatilidade nos preços do combustível de aviação — influenciada por tensões no Oriente Médio e desafios logísticos globais — reduziu a previsibilidade para o segundo semestre. Diante disso, a empresa decidiu suspender o guidance para 2026 e passar a divulgar apenas projeções trimestrais.
Para o segundo trimestre, a expectativa é de um LAJIDA ajustado entre US$ 575 milhões e US$ 725 milhões, com crescimento modesto de capacidade, entre 0,5% e 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia projeta ainda conseguir compensar entre 50% e 60% do aumento estimado nos custos com combustível por meio de iniciativas comerciais e eficiência operacional.
Mesmo com as incertezas, a demanda segue resiliente. A Air Canada afirma observar um nível robusto de reservas ao longo de toda a janela de vendas para o segundo semestre, o que sustenta uma visão positiva para o negócio no médio prazo. “Acredito que a Air Canada está muito bem posicionada sob a perspectiva financeira, de frota e de rede”, afirmou Rousseau.
Os números do trimestre mostram ainda margem operacional de 2% e margem LAJIDA ajustada de 10,8%. O lucro líquido foi de US$ 48 milhões, com lucro por ação diluído de US$ 0,16. Já a alavancagem financeira ficou em 1,4 vez, indicando uma estrutura de capital relativamente equilibrada dentro dos padrões do setor.
A companhia reforça, no entanto, que as projeções seguem sujeitas a riscos relevantes, incluindo possíveis impactos de políticas comerciais, tarifas internacionais e a continuidade das tensões geopolíticas.
