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A primeira execuo na cadeira eltrica foi um espetculo dantesco que carbonizou o crebro do executado

A primeira execuo na cadeira eltrica foi um espetculo dantesco que carbonizou o crebro do executado

6h38 de 6 de agosto de 1890. Ele no parecia um homem caminhando em direo . Parecia um homem indo para um encontro social de domingo. William Kemmler tinha ombros largos, barba cerrada bem feita e uma compostura notvel. Em uma sala repleta de mdicos, testemunhas e executores, ele era o homem mais tranquilo do grupo. William faz uma pausa, parecendo um pouco confuso com a disposio da sala. O diretor gesticula em direo a uma cadeira de madeira. Um guarda coloca uma cadeira de madeira simples ao lado da imponente cadeira eltrica com tiras de couro.

A primeira execu
Imagem gerada com a IA do Gemini.

uma imagem obscura com raios eltricos amarelos mostrando em primeiro plano um homem alinhado com barba cerrada bem feita, tendo ao fundo, acima de seu ombro direito a imagem de Thomas Edson. E no esquerdo, a imagem de George Westinghouse.

William senta-se olha ao redor da sala, fazendo contato visual com as testemunhas. Ele no parece com medo. Na verdade, parece satisfeito por ser o centro das atenes.

– “Ora, senhores, este William Kemmler. Eu o avisei de que ele tem que morrer, e se ele tem algo a dizer, ele dir”, disse o diretor do presdio

William estava esperando por esse momento e disse:

– “Bem, desejo boa sorte a todos neste mundo. Acho que vou para um bom lugar… e os jornais tm dito muita coisa que no verdade. tudo o que tenho a dizer.”

Ao terminar de falar, William levantou-se e tirou o palet. A execuo estava prestes a comear. Para o mundo, ele se tornaria um smbolo de uma nova era. Mas nas favelas de Buffalo, Nova York, William Kemmler era apenas mais um vendedor de verduras lutando contra um vcio debilitante em lcool.

Em 29 de maro de 1889, William estava se recuperando de uma bebedeira desenfreada na noite anterior. Seus nervos estavam flor da pele, sua mente turva pela ressaca e por uma crescente raiva paranoica. Ele descontou essa raiva em sua companheira, Matilda “Tillie” Ziegler.

Ele a acusou de roubar o dinheiro que ele havia ganho com muito esforo e de planejar fugir com um de seus amigos. medida que a discusso atingia o pice, uma calma arrepiante tomou conta de William.

Ele caminhou at o celeiro, pegou um machado e voltou para a casa. Em questo de instantes, a briga domstica se transformou em um massacre. William golpeou Tillie repetidamente at que ela jazesse morta no cho.

Quando terminou, no tentou se esconder. Caminhou diretamente at a casa de um vizinho e fez uma confisso sem rodeios: acabara de assassinar sua companheira.

A justia foi feita com uma rapidez impensvel hoje em dia. Em 10 de maio, menos de dois meses aps o assassinato, William foi condenado por homicdio em primeiro grau. Trs dias depois, a sentena foi proferida: pena de morte.

Mas William no enfrentaria a forca. De acordo com a nova lei de execues de Nova York, ele estava destinado a um destino diferente. Uma cadeira j o aguardava no Presdio Estadual de Auburn: uma mquina projetada para substituir a corda pelo zumbido da eletricidade.

O dispositivo que aguardava William na priso de Auburn no era obra de um carrasco experiente. Era uma criao de um dentista de Buffalo chamado Alfred Southwick, que passou nove anos aperfeioando uma mquina que acreditava que mudaria o mundo da pena capital.

Em 1 de janeiro de 1888, Nova York tornou-se o primeiro estado a impor a pena de morte por eletrocuo. Chamaram-na de “humanizada e moderna”. Mas, nos bastidores, a cadeira eltrica havia se tornado uma pea em uma brutal guerra corporativa.

Essa foi a “Guerra das Correntes“. Thomas Edison, o defensor da Corrente Contnua (CC), viu uma oportunidade de destruir seu rival, George Westinghouse, o rei da Corrente Alternada (CA).

Thomas queria que o pblico associasse a corrente alternada da Westinghouse morte. Ele apoiou um ativista chamado Harold P. Brown, que adquiriu secretamente um gerador da Westinghouse para alimentar a cadeira de William. O objetivo era simples: garantir que a “corrente do carrasco” fosse a corrente da Westinghouse.

George lutou com todas as suas foras. Ele no queria que seu produto fosse comercializado como uma mquina de matar. Contratou o renomado advogado W. Bourke Cockran para representar William, entrando com um recurso que chegaria Suprema Corte do pas.

O argumento era simples: a cadeira eltrica violava a Oitava Emenda, que proibia punies cruis e incomuns. Durante meses, a execuo ficou paralisada enquanto a nao debatia se matar um homem com um choque era uma misericrdia ou um massacre.

O recurso foi negado em 9 de outubro de 1889. A Suprema Corte dos EUA rejeitou o caso, decidindo que, embora a morte por eletrocuo fosse certamente incomum, no era “cruel” aos olhos da lei.

Os obstculos legais haviam desaparecido. Os interesses corporativos tinham feito o pior. Tudo o que restava era o homem, a cadeira e o interruptor.

As batalhas judiciais haviam terminado. Agora, restava apenas a realidade mecnica do procedimento. Ao tirar o palet, William revelou um detalhe macabro: um buraco havia sido feito na parte de trs de suas calas, expondo a base de sua coluna.

Este era o ponto de contato para o segundo eletrodo. Enquanto o diretor retirava as “cortinas que atrapalhavam” suas roupas, William permaneceu notavelmente imvel. Sentou-se na pesada cadeira de carvalho com a tranquilidade de um homem que se senta para jantar.

Ele era a pessoa mais prestativa na sala e parecia obcecado com a preciso do procedimento. Enquanto o diretor pressionava a cabea contra a almofada de borracha, um agente comeou a abaixar a estrutura metlica que sustentava o eletrodo na cabea. William sentiu a ventosa pousar em seu couro cabeludo e disse:

– “Ah, acho melhor voc pressionar isso mais um pouco. Pressione isso.”

O diretor da priso soltou a presilha da cabea, pressionou-a firmemente contra o crnio de William e a travou novamente no lugar. A conexo foi estabelecida.

O passo final foi a salmoura. O Dr. George Fell avanou com uma seringa comprida, umedecendo habilmente as esponjas em ambos os eletrodos com gua salgada para garantir a mxima condutividade. Ele estava transformando o corpo de William em um circuito perfeito.

George caminhou at a porta que dava para a sala do dnamo. Ele falou com um homem que estava parado perto de uma grande alavanca de madeira e disse-lhe que tudo estava pronto. Eram 6h43 da manh.

A corrente eltrica, mil volts da corrente alternada de George Westinghouse, atingiu em cheio o sistema nervoso de William.

A convulso foi to repentina e violenta que pareceu abalar os prprios alicerces da sala. A corrente eltrica permaneceu por dezessete segundos. Dezessete segundos que pareceram uma eternidade para quem assistia.

A sala estava impregnada com o cheiro forte de oznio da eletricidade. William permanecia imvel. Os mdicos se aproximaram, verificando seu pulso e sua respirao. Para os homens naquela sala, o experimento parecia ter terminado. Eles acreditavam ter acabado de testemunhar a primeira execuo “humana” da histria da humanidade. Ou pelo menos era o que eles pensavam.

Por um breve instante, no houve dvidas. Os mdicos tinham certeza de que a vida de William Kemmler havia sido extinta. Mas ento, um mdico de olhar atento percebeu algo impossvel.

Uma ruptura em sua mo, causada por suas prprias unhas cravando na palma durante a convulso, estava sangrando. Para os mdicos presentes na sala, era um sinal aterrador: o corao ainda batia. O sangue ainda circulava.

Enquanto o diretor sinalizava freneticamente para a sala do dnamo, o impensvel aconteceu. William comeou a respirar. Saliva escorria de seus lbios e seu peito subia e descia com fora. Um gemido pesado e ofegante -meio suspiro, meio soluo- ecoou pela cmara e William comeou a ofegar do nada.

Todos os presentes na sala ficaram horrorizados.Durante setenta e trs segundos agonizantes, as testemunhas permaneceram impotentes. A mquina “humanitria” falhou, deixando William lutando para respirar em um estado de tortura semiconsciente.

O zumbido retornou sala, mais profundo e agressivo do que antes. O corpo de William enrijeceu novamente.

Dessa vez, no haveria erro. Os eletricistas levaram a mquina ao seu limite absoluto: 2000 volts. E isto criou um espetculo ainda mais dantesco. A corrente era ligada e desligada… ligada e desligada repetidamente, sacudindo o corpo sem parar.

A boca de William espumava sem parar, indicando que ele ainda estava vivo em convulso. At pedaos da sua camisa comearam a arder e pegar fogo. Foi como se ele suasse sangue, enquanto todos os vasos sanguneos do rosto estouravam. Mais tarde uma das testemunhas relatou que, em dado momento, uma fumaa comeou a subir por sua cabea .

E ento, o homem de aparncia jovial e modos educados que entrara na sala desapareceu dando lugar a um zumbi. A sala agora recendia a um nauseabundo cheiro de carne chamuscada. A primeira execuo por eletricidade havia conseguido matar William Kemmler.

A autpsia subsequente revelou que a corrente eltrica havia literalmente carbonizado seu crebro. A “Guerra das Correntes” havia terminado, e a cadeira eltrica permaneceria como o mtodo padro de execuo por dcadas.

Como George Westinghouse disse certa vez aps ouvir os detalhes:

– “Eles teriam se sado melhor com um machado.”

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