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"A Dança Matemática das Cores" marca retorno de José Patrício em mostra individual no Recife



Pelo menos doze obras inéditas dos últimos cinco anos de produção vão marcar o retorno de José Patrício em uma exposição individual no Recife, após quase uma década sem fazê-la.

Trata-se de “A Dança Matemática das Cores”, com curadoria de Diego Matos e em cartaz na Galeria Amparo 60 a partir do próximo dia 9 de outubro.

A última vez em que esteve à frente de uma individual, José Patrício apresentou “Precisão”, em 2017, no Museu do Estado (Mepe).

Com botões
Das obras que estarão expostas na Amparo, metade delas são produções feitas com botões – de séries já conhecidas do público (“Espirais Cromáticas” e “Progressões Cinéticas”).

Há também uma série nova, “Interações Espaciais”. As demais obras são peças únicas feitas com quebra-cabeças, que reúnem Espirais tonais, Circuitos tonais, Formas em sequência numérica tonal e Conjuntos em progressão tonal.

“Várias obras apresentam um viés cinético, aspecto que vem sendo abordado por mim ao longo da minha carreira. O meu trabalho lida com a ocupação de espaços e esta tem sido a minha principal referência ao criar novas obras”, conta Patrício.

Ele complementa afirmando que “Em várias séries existe uma estrutura imutável, um grid, que serve de base para novas configurações abstrato geométricas, que se mostram sempre únicas na sua aparência”.

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Ponto de partida
De acordo com Diego Matos, a obra de José Patrício ressalta uma preocupação e uma consciência territorial, política e simbólica do lugar de onde ele vem, Pernambuco.

“Ele guarda esse lugar não só com carinho, mas como ponto de partida conceitual da sua produção”, explica o curador.

Colecionador de objetos e artefatos da artesania pernambucana, José Patrício se utiliza de elementos de forte apelo popular — muitos deles descartes, não pensados originalmente como objetos de arte — e os transforma numa linguagem, fazendo uso de valores racionais de composição plástica.

Dança e matemática
Diego Matos explica, ainda, sobre o título da exposição “A Dança Matemática das Cores” que, segundo ele, não se propõe a ter um caráter de oposição.

O curador conta, por exemplo, que a dança, “apesar da aparência de fluidez, embute um raciocínio, um domínio às vezes até projetual.

Já a matemática, ele ressalta ser ela “sempre vista como algo mais rígido, mantém sua solidez, mas pode ser extremamente lúdica”.

A operação sequencial que Patrício faz com jogos de dominó, botões e peças de quebra-cabeça, construindo sequências que tendem ao infinito, seja por movimento espiral, seja por progressões crescentes ou decrescentes, esclarecem a ideia do título da mostra.

“As obras são literalmente construídas a partir de princípios matemáticos, com maior ou menor rigidez no que diz respeito às intervenções que envolvem aspectos da ordem e do acaso na distribuição das unidades componentes”, detalha José Patrício.

Na exposição as obras estão à mostra em dois núcleos: em jogos sequenciais e uma racionalidade de movimento marcada por escalas tonais que vão do branco ao preto, passando pelo cinza.

Os demais levam ao público uma 'organização mais caótica' com movimentação de formigas, disposição das estrelas no espaço ou os estudos da teoria do caos.

SERVIÇO
Exposição “A Dança Matemática das Cores”, de José Patrício
Quando: a partir de 9 de outubro até 28 de novembro
Onde: Galeria Amparo 60 – Rua Professor Eduardo Wanderley (3º andar da Dona Santa)
Acesso gratuito

Visitação: de segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 15h
Informações: @amparosessenta





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