O que torna os humanos diferentes dos outros animais? Pergunte a quaisquer dez pessoas e voc provavelmente ter dez respostas diferentes, que vo desde nossos crebros relativamente grandes, ao nosso uso incrvel de linguagem e smbolos ou a nossa capacidade de modificar drasticamente o mundo ao nosso redor. Mas se algum me perguntasse, eu diria que so as bundas. Srio! D uma olhada no reino animal. Mesmo nossos parentes vivos mais prximos entre os grandes macacos (chimpanzs, bonobos e gorilas) no tm bundas to grandes quanto os humanos. |

A principal razo para isso provavelmente se deve ao nosso estilo nico de locomoo. Somos os nicos mamferos vivos hoje cuja principal forma de se locomover andar sobre duas pernas. E tornar-se bpedes eretos teve algumas consequncias importantes para nossas ndegas. Mas nem sempre foi assim.
Tente imaginar a cena: milhes de anos atrs, nossos ancestrais andavam de quatro, felizes da vida, com a bunda servindo basicamente como um travesseiro de cho ineficiente. Mas a, algum teve a ideia genial (ou terrvel) de levantar.
– “E se a gente andasse s com duas patas?” disse uma influencer loira bunduda do paleoltico. O resultado? A evoluo olhou para aquilo e pensou: – “Bom, eles esto eretos, mas parecem dois sacos de batata prestes a cair”.
Foi ento que, h cerca de 2 milhes de anos, a bunda humana evoluiu de forma proeminente, nica entre os primatas, no para rebolar no carnaval, mas para funcionar como um par de amortecedores de luxo e um motor de corrida de longa distncia.
Basicamente, a nossa bunda uma mochila muscular de sobrevivncia que nos impede de cair de cara no cho enquanto tentamos pegar o metr ou fugir de uma dieta.
A estrutura anatmica que geralmente chamamos de “bumbum” composta de tecido adiposo (gordura) situado no topo de nossos msculos glteos, que esto ligados pelve ssea. Em ltima anlise, a forma de nossa pelve que dita a forma de nossas ndegas, e esse conjunto de ossos sofreu algumas mudanas importantes nos ltimos seis milhes de anos.
o lio que realmente faz a diferena entre ns e nossos parentes macacos. O lio de um chimpanz relativamente alto e plano, com os lados planos voltados para frente e para trs. Nossos lios, por outro lado, so curtos e curvadas mais para os lados, tornando nossa plvis em forma de tigela. Essas diferenas de tamanho e forma esto ligadas evoluo do bipedalismo e reorganizao dos msculos glteos que tornam possvel andar ereto.

Tem a ver tambm com os trs msculos glteos: mximo, mdio e mnimo. Nosso glteo mximo (especialmente a parte superior) muito grande em comparao com o de outros primatas. Ele estende a coxa e a move para trs, e nos d fora quando corremos ou subimos escadas. E o que nos d a maior parte de sua forma.
Em outros primatas, porm, os chamados “glteos menores” (glteo mdio e mnimo) fazem muito desse trabalho, ento o glteo mximo no precisa ter um papel to importante. Nossos glteos menores, no entanto, fornecem estabilidade em vez de potncia.

Podemos rastrear essa mudana na forma do lio e funo gltea inferida ao longo de nossa histria evolutiva, desde o antigo parente humano Ardipithecus ramidus de 4,4 milhes de anos, at australopitecinos como Lucy, e no Homo erectus. O lio geralmente ficou mais curto, mais largo e mais curvo com o tempo, o que significa que nossa bunda viveu uma jornada sem igual para se tornar o que hoje.
A ltima coisa que ajuda a tornar o traseiro humano nico a gordura, o que tambm pode ter algo a ver com o fato de nos tornarmos bpedes. Os seres humanos tm crebros relativamente grandes que usam muita energia. Nossos corpos armazenam energia na forma de gordura, e temos uma porcentagem relativamente alta dela para um mamfero no aqutico.
Isso levou os antroplogos a sugerir que nossa gordura corporal ajuda a proteger nossos crebros metabolicamente caros contra tempos de escassez. Isso parece ser algo que somos capazes de fazer porque andar uma maneira energeticamente eficiente de se locomover.

Tambm evita as desvantagens de passarmos nossas vidas nas rvores, ter que suportar todo o nosso peso nos galhos das rvores e viver merc da gravidade requer muita energia. Os orangotangos parecem se dar muito bem nisso, mas eles tm a fora, a flexibilidade e as propores dos membros para fazer funcionar, sem mencionar os dedes dos ps que podem ser opostos.
Embora todas essas mudanas paream muito boas, nosso arranjo peculiarmente humano de msculos e gordura em nossos traseiros vem com pelo menos uma grande desvantagem relacionada bunda: uma situao mais complicada do que muitos outros primatas hora de fazer coc.
Imagine um quadrpede, como um chimpanz, seu tronco e suas pernas se encontram e formam um ngulo, com o bumbum nos lados e seu nus apontando mais para fora. E essa abertura no fica enfiada l dentro das grandes ndegas. Por isso eles podem defecar natural e praticamente em qualquer posio, j para ns mais complicado.
Pode parecer grosseiro o que vou falar, mas as verdade tm que ser dita: “cagar de p no rola! Exceto se voc quiser se borrar todo. Exatamente por isso, precisamos sentar no vaso -recomendvel afastar um pouco as bandas da bunda com a mo- ou ento ficar de ccoras.

Essa posio certamente tambm cobrou a vida de muitos de nossos ancestrais que foram caados por seus predadores no momento exato que atendiam o chamado da natureza. Felizmente, hoje, esta desvantagem j no mata mais ningum e o inconveniente fica apenas no aspecto higinico, um problema menor.
Obrigado, fabricantes de papel higinico!
Mas por que diabos, em uma espcie to intelectual, a bunda se tornou um objeto de tanta admirao e “apreciao” visual? A resposta simples e genial: seleo sexual com uma pitada de psicologia evolutiva.
Do ponto de vista antropolgico, uma curvatura acentuada -a famosa “lombada”- sinalizava boa reserva de gordura, fertilidade e capacidade de suportar uma gravidez no passado.
Embora a biologia diga que para correr, o glteo mximo forma o famoso cofrinho. A combinao de msculos desenvolvidos e tecido adiposo cria uma forma que atrai o olhar.
uma espcie de almofada natural embutida para sentar, o que timo para os dias atuais de trabalho em home office.
Em suma, gostamos de bunda porque a evoluo nos programou para valorizar um “motor” potente e bem acolchoado. funcional, esttico e, convenhamos, bem melhor de olhar do que o rabo de um macaco. Portanto, quando algum admira, est apenas agradecendo a Charles Darwin por termos desenvolvido essa proeminncia nica! Obrigado, evoluo por tornar a bunda a parte inspiradora da anatomia que ela hoje.
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