Era março de 1997. O Brasil vivia a retomada de sua produção cinematográfica e, embalado por isso, surgia na capital pernambucana o 1º Festival de Cinema Nacional do Recife, que mais tarde – em 2003 – seria rebatizado como Cine PE – Festival do Audiovisual. Quase três décadas depois, o evento segue “firme e forte” em sua missão de difundir o cinema brasileiro e formar público, preparando uma edição comemorativa marcada para acontecer entre 1º e 7 de junho, no Teatro do Parque.
“É claro que a gente se esforçou muito. Entre dificuldades naturais e sucessos, conseguimos chegar à 30ª edição e entendemos que esse é um marco merecedor de toda forma possível de comemoração”, afirmou Alfredo Bertini, criador e diretor do Cine PE, ao lado da esposa Sandra Bertini.
Em quase três décadas de existência, o festival viveu momentos históricos. Logo em seu primeiro ano, realizado no Cinema São Luiz, abriu ao público com a avant-première de “Baile Perfumado”, dirigido por Paulo Caldas e Lírio Ferreira, marco da produção audiovisual no estado. Mas só no ano seguinte, segundo Alfredo, é que ele e Sandra perceberam que a iniciativa encabeçada por eles tinha vindo para ficar.
“Fomos obrigados a ir para o Centro de Convenções, porque o São Luiz [que na época pertencia ao Grupo Severiano Ribeiro] tinha uma programação com ‘Titanic’ que seria prorrogada. Foi naquele Teatro Guararapes lotado para ver ‘Central do Brasil’, que havia acabado de vir do Festival de Berlim, foi que começamos a pensar: ‘Isso aqui vai durar’”, relembrou o diretor.
O Cine PE sobreviveu aos desafios comuns da produção cultural e a fatores inesperados, como a pandemia de Covid-19 em 2020, alcançando agora uma justa homenagem: seu reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial. Há projetos em tramitação para a concessão do título, tanto na Assembleia Legislativa de Pernambuco como na Câmara de Vereadores do Recife.
“Acho que isso [a provável aprovação dos títulos] agrega muito valor ao evento. Há muito anos eu vejo o quanto o Cine PE é abraçado pelas pessoas. Ele já não é de propriedade minha e de Alfredo. É de todo o estado de Pernambuco e, em especial, daqueles que são muito apaixonados por cinema”, apontou Sandra.
Na abertura de sua 30ª edição, o Cine PE vai exibir “Doutor Monstro”, dirigido por Marcos Jorge, com a presença de Taís Araújo, que vive a protagonista do filme. Outros longas e curtas-metragens integram a Mostra Competitiva, que selecionou 22 títulos entre mais de 1.400 inscritos, um recorde alcançado neste ano pelo evento.
A programação conta ainda com as sessões da Mostra Matinê, com 12 filmes que estão fora da competição e serão exibidos no Cinema São Luiz. Além disso, os lançamentos de uma exposição de fotos, um curta-metragem documental e um livro, todos sobre os 30 anos do Cine PE, marcam a celebração.
“Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados através do site Vendyno. Serão distribuídos sempre 24 horas antes de cada sessão, limitado a um por CPF”, explicou Iris Pasciani, produtora de programação do festival.
