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Mulher confessa participação em esquema de exportação de peças de aviões à Rússia

Mulher confessa participação em esquema de exportação de peças de aviões à Rússia

Mulher bielorrussa declarou-se culpada nos EUA por participação em esquema de exportação ilegal de peças para a Rússia usando intermediários

Uma cidadã da Bielorrússia acusada de participar de um esquema de exportação ilegal de componentes aeronáuticos dos Estados Unidos para a Rússia declarou-se culpada em tribunal federal norte-americano, na última quarta-feira (20).

O caso expõe mecanismos utilizados para movimentar peças e aviônicos de origem ocidental por meio de intermediários, empresas de fachada e fornecedores em terceiros países até operadores russos de aeronaves comerciais e de negócios.

Segundo autoridades norte-americanas, Yana Leonova residia recentemente na Rússia. Ela foi presa na França e extraditada para os Estados Unidos em novembro de 2025.

As acusações

De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o esquema teve início em maio de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Investigadores afirmam que Leonova trabalhou com co-conspiradores nos Estados Unidos e na Armênia para adquirir componentes aeronáuticos de distribuidores norte-americanos e posteriormente enviá-los à Rússia por meio de empresas intermediárias.

Os promotores alegam que os envolvidos ocultaram ou falsificaram informações sobre usuários finais e destinos das cargas em documentos de exportação, evitando assim a necessidade de licenças obrigatórias do Departamento de Comércio dos EUA.

As acusações também mencionam movimentações financeiras em dólares por meio de contas bancárias estrangeiras com destino a contas nos Estados Unidos.

Cadeia de suprimentos paralela

O processo judicial oferece detalhes sobre um segmento pouco transparente da cadeia global de suprimentos da aviação, especialmente no mercado secundário de peças aeronáuticas, onde componentes podem circular legalmente entre distribuidores, brokers e fornecedores independentes.

Segundo os investigadores, os acusados utilizaram essa estrutura indireta de fornecimento para mascarar o destino final de equipamentos controlados.

O caso envolve componentes destinados a aeronaves produzidas por Airbus, Boeing, Bombardier, Dassault e Gulfstream.

A denúncia cita especificamente janelas para os Airbus A321, pares de fan blades para o modelo e um radar meteorológico multiscan associado a um Bombardier Global 6000 (RA-67241).

Empresa norte-americana citada

A acusação identifica um fornecedor norte-americano apenas como “U.S. Company-1”, descrito como uma empresa de peças aeronáuticas registrada no estado de New Jersey.

Segundo a denúncia, a companhia fornecia peças e equipamentos eletrônicos para diferentes modelos de aeronaves comerciais e de negócios.

O documento também menciona um cidadão norte-americano naturalizado, residente em Nova Jersey, apontado como fundador e gestor da empresa. Identificado apenas como “Co-conspirator-1”, ele não aparece formalmente como réu no processo público.

Transferências financeiras

Documentos apontam que um intermediário baseado na Armênia realizou diversas transferências para uma conta bancária em Nova York ligada ao fornecedor de peças aeronáuticas nos meses de junho e julho de 2022. Os valores citados incluem pagamentos de até US$ 100 mil.

Casos em alta nos EUA

O processo contra Leonova integra uma série de ações recentes conduzidas pelas autoridades norte-americanas envolvendo exportações ilegais de tecnologia aeronáutica e componentes controlados para a Rússia após o endurecimento das sanções ocidentais.

Em janeiro, um cidadão indiano foi condenado a trinta meses de prisão por conspirar para exportar componentes aeronáuticos controlados e um sistema de navegação e controle de voo do estado do Oregon para usuários russos.

Outro processo citado pelas autoridades envolveu cidadãos russos que admitiram participação em um esquema de aquisição e exportação de tecnologia aeronáutica de fornecedores dos EUA para compradores russos, principalmente companhias aéreas.

Em um caso separado, um cidadão com dupla nacionalidade norte-americana e russa foi condenado a 41 meses de prisão por tentar exportar duas aeronaves Cessna para a Rússia via Armênia.

Leonova pode receber pena máxima de até vinte anos de prisão. A sentença definitiva será definida pela Justiça norte-americana em agosto.





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