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Daniel Craig e Nicole Kidman em aventura baseada em best seller com 22 milhões de cópias vendidas, na Netflix

Daniel Craig e Nicole Kidman em aventura baseada em best seller com 22 milhões de cópias vendidas, na Netflix

“A Bússola de Ouro” começa dentro do Jordan College, instituição onde Lyra Belacqua, interpretada por Dakota Blue Richards, vive cercada por professores, bibliotecas e regras que ela claramente prefere ignorar. A garota atravessa corredores escondidos, escuta conversas proibidas e passa mais tempo procurando aventura do que obedecendo ordens. Enquanto os adultos tentam manter aparência de tranquilidade, crianças começam a desaparecer pelas ruas de Oxford, o que espalha medo entre famílias pobres e deixa os acadêmicos em estado de alerta.

Chris Weitz apresenta esse universo sem transformar cada diálogo em manual. O espectador percebe aos poucos que aquela sociedade funciona de forma diferente da nossa. Pessoas caminham acompanhadas por daemons, criaturas que representam parte da alma humana, e existe uma preocupação crescente com uma substância chamada Poeira. Cientistas acreditam que ela possui ligação com outros mundos. Líderes religiosos enxergam a descoberta como ameaça perigosa e passam a pressionar qualquer pesquisa relacionada ao assunto.

Lyra escuta uma conversa envolvendo Lorde Asriel, personagem de Daniel Craig. O explorador retorna de expedições no Norte trazendo provas sobre a existência da Poeira e tenta conseguir apoio financeiro para continuar suas pesquisas. A apresentação feita por Asriel dentro do Jordan College chama atenção porque ninguém parece confortável com o que está sendo revelado. Há olhares tensos, reuniões fechadas e gente poderosa tentando controlar quais informações podem circular.

Nicole Kidman é a Sra. Coulter e o filme melhora bastante quando ela aparece. A personagem mistura elegância, gentileza e ameaça de maneira inquietante. Ela convida Lyra para morar com ela em Londres, oferece roupas sofisticadas, festas luxuosas e acesso a lugares que a menina jamais frequentaria sozinha. Só que por trás daquela simpatia existe um interesse evidente em vigiar cada passo da garota.

A bússola que ninguém domina

O centro da história passa a ser o alethiometer, a bússola dourada que dá título ao filme. O objeto responde perguntas e revela informações escondidas, mas quase ninguém consegue interpretá-lo corretamente. Lyra recebe o instrumento em segredo dentro do Jordan College e percebe que ele pode ajudá-la a descobrir quem está sequestrando crianças e qual relação existe entre os desaparecimentos e os experimentos realizados no Norte.

A partir daí, “A Bússola de Ouro” ganha ritmo de aventura clássica. Lyra deixa Oxford, atravessa cidades movimentadas, embarca em dirigíveis e começa a escapar de adultos interessados em capturá-la. Existe um charme antigo naquela construção de mundo. O filme parece misturar fantasia, steampunk e conto infantil sem abandonar a sensação constante de perigo. Mesmo nas cenas mais grandiosas, a trama mantém foco no olhar curioso da protagonista.

Dakota Blue Richards segura o longa com naturalidade impressionante para alguém tão jovem. Lyra mente para sair de enrascadas, improvisa histórias absurdas e toma decisões impulsivas o tempo inteiro. Em vários momentos ela parece mais inteligente que os adultos ao redor, principalmente porque percebe detalhes ignorados por gente ocupada demais defendendo poder e influência.

Nicole Kidman aproveita cada aparição para transformar a Sra. Coulter numa figura imprevisível. Em uma cena ela trata Lyra com carinho quase maternal. Pouco depois, deixa escapar um comportamento frio e controlador. O filme nunca entrega totalmente o que a personagem pretende, e isso mantém boa parte da tensão funcionando até os minutos finais.

Viagem pelo Norte congelado

Quando a história segue em direção ao Norte, o longa cresce em escala. Lyra passa a viajar com os chamados egípcios, grupo de navegadores que procura crianças sequestradas. Essas pessoas perderam filhos, amigos e familiares durante as operações misteriosas realizadas por soldados ligados ao Magistério, instituição religiosa que domina grande parte daquele mundo. O filme acerta ao mostrar que o medo já tomou conta da população comum enquanto autoridades continuam fingindo controle da situação.

Daniel Craig aparece menos do que muitos imaginavam na época do lançamento, mas Lorde Asriel continua importante mesmo fora de cena. Tudo gira em torno das descobertas feitas por ele. Seus experimentos despertam interesse científico e também paranoia política. Quanto mais perto Lyra chega da verdade, maior fica o esforço das autoridades para impedir novas revelações.

A aventura encontra seu personagem mais carismático quando Iorek Byrnison surge pela primeira vez. O urso blindado, dublado originalmente por Ian McKellen, vive isolado após perder prestígio entre os próprios semelhantes. Lyra percebe que ajudá-lo a recuperar sua armadura pode garantir proteção durante a travessia congelada. A relação entre os dois funciona porque existe afeto genuíno, mas também necessidade mútua. Ela precisa sobreviver. Ele deseja recuperar dignidade e espaço dentro do reino dos ursos.

Chris Weitz filma as cenas no gelo com energia suficiente para sustentar a sensação de descoberta constante. Há perseguições, emboscadas e batalhas que reforçam o tamanho daquela disputa envolvendo a Poeira. Ainda assim, o longa parece mais interessado em acompanhar o amadurecimento de Lyra do que apenas acumular cenas de ação.

“A Bússola de Ouro” sofreu bastante na época do lançamento por encerrar a história antes de acontecimentos importantes dos livros de Philip Pullman, mas permanece interessante por um motivo simples. O filme trata fantasia infantil com seriedade política rara em grandes produções voltadas para famílias. Crianças desaparecem, cientistas sofrem pressão institucional e líderes religiosos tentam controlar conhecimento. No meio desse caos, sobra para uma garota curiosa carregar a única bússola capaz de revelar aquilo que muita gente preferia manter escondido.



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