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Como diabos a Frana conseguiu armas nucleares?

Como diabos a Frana conseguiu armas nucleares?

A Frana saiu desmoralizada perante a opinio pblica internacional e dividida internamente aps a Segunda Guerra. A rpida derrota de 1940 com a superestimada Linha Maginot (que revelou-se um fracasso ttico), a colaborao vergonhosa do Regime de Vichy e o fato de ter sido tratada com desconfiana pelos Grandes Aliados mancharam o histrico militar do pas. Como ento explicar que o pas foi o quarto a adquirir armas nucleares? As trs primeiras construram as suas com origem no trabalho realizado durante o Projeto Manhattan, com os EUA realizando o trabalho de base.

Como diabos a Fran

Os Estados Unidos foram o primeiro com os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki em 1945. Roubado segredos militares dos EUA, a Unio Sovitica veio em seguida com seu primeiro teste em 1949, desencadeando a corrida nuclear durante a Guerra Fria. E o Reino Unido essencialmente copiou o trabalho de casa americano em 1952

A Frana para se tornar uma potncia nuclear foi diferente e repleto de seus prprios problemas. Ento, como a Frana conseguiu? Como a Frana adquiriu armas nucleares?

Ao final da Segunda Guerra Mundial, a Frana no era completamente inexperiente em tecnologia nuclear e alguns de seus cientistas haviam trabalhado no Projeto Manhattan sob a gide britnica.

Assim, no final da dcada de 1940, o governo francs iniciou um programa nuclear com a ajuda de cientistas israelenses, cuja assistncia foi fundamental para o avano do projeto.

Inicialmente, o programa nuclear era de natureza civil e a Frana rapidamente se tornou lder mundial na construo de reatores nucleares. Naturalmente, ter energia nuclear civil significava que o armamento nuclear era muito mais fcil devido a todo aquele material nuclear refinado excedente disponvel.

Em 1956, aps a Crise de Suez, Frana e Reino Unido foram internacionalmente humilhados. E a Frana “sentiu” que nem os EUA nem o Reino Unido eram confiveis ​​para usar suas armas nucleares na sua defesa.

Assim, os franceses buscaram construir as suas prprias e, por um breve perodo, trabalharam ativamente com a Alemanha Ocidental e a Itlia para construir arsenais nucleares para os trs pases.

Essa iniciativa foi abandonada quando Charles de Gaulle se tornou presidente no final de 1958, pois ele queria que o programa nuclear francs fosse o mais autossuficiente possvel.

Um efeito colateral dessa deciso foi que, ao contrrio do programa britnico, o francs era incrivelmente caro e representava um grande fardo para outras partes das foras armadas francesas.

A razo para isso era que, diferentemente de quando a Gr-Bretanha comeou a construir armas nucleares, os EUA eram hostis ideia, no hostis o suficiente para fazer algo a respeito, mas a liderana americana deixou claro que considerava que a Frana no precisava de suas prprias armas nucleares e, portanto, no recebeu nenhuma ajuda dos EUA, o que aumentou o custo do programa.

Ento, por que permitir que a Gr-Bretanha desenvolvesse armas nucleares, mas no a Frana? Bem, era porque a estratgia nuclear francesa seria fundamentalmente diferente da britnica.

A Gr-Bretanha havia concordado, em grande parte, em manter a mesma poltica de dissuaso que os Estados Unidos, que exigia uma resposta na mesma moeda, sem escalada e sem primeiro ataque, enquanto a Frana tinha planos diferentes.

A liderana francesa acreditava que uma invaso da URSS s poderia ser detida com uma retaliao nuclear, o que significava que os soviticos teriam que escolher entre invadir e perder metade da Ucrnia e da Bielorrssia ou retaliar com suas prprias armas nucleares.

Um ataque nuclear sovitico foraria uma resposta do Reino Unido e dos EUA, j que a radiao no respeita fronteiras.

Para os franceses, isso significava que eles poderiam efetivamente forar o uso dos arsenais britnico e americano, se quisessem. D para entender por que os dois lados no estavam to interessados em comungar com a Frana.

Cientistas franceses e israelenses continuaram a colaborar at que a Frana construiu e testou sua primeira bomba em 1960. O teste foi realizado na Arglia e provavelmente foi seguido pela demisso de cientistas israelenses do programa, alm de muita reclamao da URSS e um leve incmodo dos EUA.

A Arglia conquistou sua independncia em 1962, mas os franceses continuaram a realizar testes l at meados da dcada de 1960, quando mudaram seu principal local de testes para a Polinsia Francesa.

Em 1964, a Frana possua suas primeiras armas nucleares operacionais e continuou a expandir seu arsenal ao longo da Guerra Fria.

Assim, apesar da oposio de outras potncias nucleares, os franceses se juntaram ao clube como seu quarto membro.

Os pases que possuem armas nucleares atualmente so nove: Estados Unidos, Rssia, China, Frana e Reino Unido, que so reconhecidos pelo Tratado de No Proliferao de Armas Nucleares (TNP); alm de ndia, Paquisto, Coreia do Norte e Israel, que mantm arsenais fora do tratado.

Entre as potncias, a Rssia se destaca como a maior em quantidade de ogivas, seguida pelos Estados Unidos, e juntas influenciam significativamente a poltica de segurana global.

Atualmente, existem cerca de 13.000 armas nucleares no mundo, nmero bem menor do que durante a Guerra Fria, embora a ameaa associada a elas permanea relevante.

O Brasil, por sua vez, no possui armas nucleares e signatrio do TNP e do Tratado de Tlatelolco, que estabelece uma zona livre de armamentos nucleares na Amrica Latina e Caribe.

E mesmo que quisesse no poderia. Embora domine o ciclo de enriquecimento de urnio, O Brasil no tem a capacidade de construir uma arma nuclear. O desenvolvimento exigiria anos de esforo, bilhes de dlares e superao de barreiras legais, diplomticas e tecnolgicas.

Mas tente s imaginar a seguinte cenrio: O ano 2026. O Brasil finalmente inaugurou sua primeira ogiva nuclear, batizada carinhosamente de “Bombado“, depois de um concurso realizado na internet. O que deveria ser um marco geopoltico transformou-se, previsivelmente, no maior monumento nossa capacidade de improvisao.

O oramento inicial do projeto dava para construir dez RS-28 Sarmat e uma colnia em Marte. Aps passar por trs comisses parlamentares e um fundo partidrio de urgncia, a verba encolheu tanto que o reator nuclear teve que ser financiado por uma emenda parlamentar secreta de um deputado do centro.

Em troca, a usina de enriquecimento de urnio foi construda no quintal da fazenda do primo do deputado, no interior do Piau. O urnio enriquecido, inclusive, foi comprado com gio de uma distribuidora fantasma que, no papel, vendia brita e areia.

Quando o artefato ficou pronto, o Comando do Exrcito assumiu a custdia. O Alto Comando determinou que uma arma de destruio em massa no poderia parecer desleixada.

O silo de lanamento foi estrategicamente camuflado com cal branca. Metade do oramento militar do trimestre foi gasto em tintas Coral para garantir que o meio-fio ao redor do mssil ficasse perfeitamente impecvel.

Recos de 18 anos, prestando servio obrigatrio e armados com fuzis FAL que emperram s de olhar para a chuva, foram escalados para tirar guarda no reator. Dois deles foram suspensos logo na primeira semana porque usaram o calor residual do ncleo de plutnio para esquentar a marmita preparada pela mame.

Na vspera do teste oficial, o Diretor de Energia Nuclear descobriu que a usina estava operando na ilegalidade: faltava o alvar do Corpo de Bombeiros e uma licena ambiental que estava engavetada na mesa de um fiscal que entrou de licena-mdica e cujo celular s d “fora de rea”.

Para o reator no desligar e causar um colapso, engenheiros formados na USP e no ITA tiveram que fazer um “gato” direto no poste da Light. O painel de controle do mssil nuclear acabou ligado na mesma extenso que a AirFryer e a mquina de caf da secretaria, fazendo o disjuntor cair trs vezes por dia.

Com os presidentes da Cmara, do Senado e do Executivo presentes para cortar a fita inaugural (e garantir seus respectivos 10% de crditos na foto), o boto de ignio foi pressionado. Nada aconteceu.

A investigao posterior descobriu que os cabos de cobre do sistema de ignio haviam sido furtados na noite anterior por uma gangue local.

O software de lanamento, que custou R$ 45 milhes licitados por uma empresa de fachada de um senador, era na verdade uma verso craqueada do Windows 98 rodando um script de bingo on-line.

O mssil no saiu do lugar porque um sargento, na obsesso por limpeza, passou tanta cal na base do foguete que acabou colando as engrenagens de ejeo.

O Brasil no destruiu o mundo, mas conseguiu assustar a ONU. No pelo poder blico, mas pelo fato de que o Diretor do Projeto Nuclear foi visto, no dia seguinte, tentando vender duas barras de plutnio no Mercado Livre sob o ttulo: “Item de decorao vintage brilhante – Raridade (Aceito troca por Gol Chaleira em bom estado)“.

A comunidade internacional aplicou sanes, mas suspendeu-as trs semanas depois, ao perceber que o maior perigo do Bombado era ele explodir na mo dos prprios polticos enquanto eles tentavam superfaturar a manuteno do boto de pnico.

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