Os papéis da Embraer (EMBJ3) sofreram uma forte queda após o balanço do primeiro trimestre de 2026, em que reportou queda de 51,5% na comparação anual. Na sexta-feira, os ativos fecharam com queda de 11,45%, a R$ 73,74.
Mesmo com a reação negativa dos investidores, o Goldman Sachs e o Santander se uniram ao coro de outros analistas para reforçar a recomendação de compra das ações. Ao final da última semana, a XP Investimentos também reiterou sua recomendação de compra, com preço-alvo para o final de 2026 para R$ 87 por ação.
Quase como um consenso entre os analistas, o Goldman explicou que, apesar do resultado, a Embraer ainda possui espaço para expansão de margem e melhora na conversão de caixa livre. Com expectativas mais otimistas, o banco atualizou o preço-alvo para a companhia para o ADR (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York), a US$ 82, ao final de 2026.
Em reunião com o Goldman Sachs, a administração da Embraer afirmou que espera resultados mais fortes no restante do ano. No longo prazo, a empresa ainda acredita que pode atingir cerca de US$ 10 bilhões em vendas até 2028. No período, a Embraer espera ter margem Ebitda na faixa de “mid-teens” (aproximadamente 14%-16%).
De acordo com os analistas, a empresa mantém uma forte posição de mercado nos segmentos de jatos regionais, jatos executivos, defesa e pós-venda, o que pode sustentar essa posição.
Oportunidades a curto prazo
Para o Santander, a queda de cerca de 23% nas ações da Embraer desde o início do conflito no Oriente Médio criou uma oportunidade de compra para uma tese de forte crescimento. Em especial, para o negócio militar.
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Até então, a Embraer e outros OEMs (fabricantes originais) não observaram cancelamentos de pedidos nem atrasos relevantes nos cronogramas de entrega, de acordo com o banco. Mesmo com um possível aumento das tensões globais, as entregas de 2027 possuem maior flexibilidade do que as entregas programadas para 2026.
Segundo o banco, a empresa também tem negociações com desconto considerável em relação às principais companhias globais do setor. De acordo com o índice proprietário do banco, a Embraer está sendo negociada com um desconto de 39% em relação às concorrentes. Esse desconto está acima da média dos últimos 12 meses de 32%.
Além disso, os analistas enxergam uma possibilidade da companhia ganhar participação relevante de mercado em Aviação Executiva. Atualmente, esse público representa aproximadamente 1/3 da demanda por jatos executivos da Embraer, mas responde por cerca de 2/3 da demanda total do mercado.
O banco também espera que a companhia possa obter pedidos substanciais do cargueiro militar C-390 na divisão de Defesa & Segurança nos próximos anos.
O que pode ter justificado a queda?
De acordo com a própria administração, em encontro com o Goldman Sachs, algumas margens sofreram fortes pressões ao longo do trimestre. As margens da divisão comercial, por exemplo, foram impactadas por preços antigos em entregas de três unidades para um cliente que, de acordo com a companhia, historicamente possui condições econômicas mais apertadas.
As margens da aviação executiva sofreram impacto negativo das tarifas no 1T e 2T. Segundo a Embraer, isso não deve se repetir no segundo semestre, podendo até ter reembolso positivo no período. Ao longo do 1T, as margens da aviação executiva também tiveram maior participação de clientes de frota. A administração explicou que, no restante do ano, terão um mix de entregas mais favorável.
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A Embraer também afirmou que sua margem operacional recorrente/ajustada neste ano ficará pouco abaixo de 10%. Ao longo prazo, entretanto, a expectativa é de poder atingir cerca de US$ 10 bilhões em vendas até 2028.
