O JPMorgan reduziu o preço-alvo das ações da Embraer (EMBJ3), mas manteve recomendação equivalente à compra (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para o papel, apostando que a fabricante brasileira ainda tem espaço relevante de valorização, apoiada em margens em expansão, carteira de pedidos robusta e no potencial de sua subsidiária de mobilidade aérea urbana, a EVE.
Após os resultados do primeiro trimestre de 2026, que fizeram com que as ações tivessem uma sessão de forte baixa, o banco ajustou suas projeções de lucro operacional e revisou para baixo o preço-alvo de dezembro de 2026 de Embraer: de US$ 84 para US$ 80 por ADR (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York), e de R$ 109 para R$ 98 por ação na B3. Mesmo assim, o valuation continua considerado atrativo: o novo preço-alvo embute cerca de 33% de potencial de alta frente às cotações atuais.
Quando a EVE é incluída na conta – avaliada em US$ 6 por ação – o valor justo da Embraer sobe para US$ 88 por ADR, ou aproximadamente R$ 108 por ação, com a divisão de eVTOL contribuindo com algo em torno de US$ 9 por ADR (cerca de R$ 11 por ação).
No modelo de fluxo de caixa descontado, o JPMorgan cortou em torno de 3% a 4% suas estimativas de EBIT (lucro antes de juros e impostos) da companhia, o que levou a projeção de margem operacional de 2026 para 9,3%. O número, porém, ainda se situa no limite superior do guidance oficial da Embraer – mesmo considerando as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O banco ainda vê potencial de revisão positiva: se as tarifas americanas forem zeradas, o intervalo de guidance poderia subir para algo entre 9,3% e 9,9%, acima das projeções atuais do mercado e da própria casa, que estão ancoradas em 9,3%. A evolução dessa margem é vista como o principal motor tanto para o resultado financeiro quanto para o humor dos investidores.
A revisão do preço-alvo também reflete um ambiente mais desafiador para o setor aeroespacial. Desde o início da escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã, o segmento vem passando por um processo de “de-rating” – na prática, múltiplos mais baixos de negociação, à medida que investidores exigem mais prêmio de risco.
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Ainda assim, o banco americano destaca que a Embraer se diferencia por operar com aeronaves menores e mais eficientes em termos de consumo de combustível, o que tende a amortecer o impacto do petróleo mais caro em comparação com concorrentes.
A ação, segundo o banco, é negociada a cerca de 7,5 vezes o EV/Ebitda (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) estimado para 2027, bem abaixo dos 12,6 vezes observados na média dos pares globais, mesmo após aplicado um desconto de 10% para refletir o menor porte da empresa e seu perfil de liquidez.
Os principais catalisadores
No curto prazo, o banco enxerga uma série de gatilhos que podem destravar valor para a Embraer:
Campanhas na Índia – A companhia participa de negociações importantes tanto na aviação comercial quanto na defesa. No radar estão potenciais pedidos de mais de 200 aeronaves E175 e cerca de 60 cargueiros C-390, amparados em acordos assinados com os conglomerados indianos Adani e Mahindra. Qualquer anúncio concreto nessa frente tende a reforçar a visibilidade da carteira de pedidos.
Parceria com a Northrop Grumman – Nos Estados Unidos, a Embraer se aliou à norte-americana Northrop Grumman para oferecer o C-390 como um “agile tanker” à Força Aérea americana, o que abriria uma frente relevante em um dos mercados mais disputados do mundo em defesa.
EVE em fase de testes e certificação – A EVE, focada em aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), avança no cronograma de testes de voo e certificação regulatória. Para o JPMorgan, o ativo é uma fonte adicional de opcionalidade de crescimento e uma peça importante na narrativa de inovação ligada à Embraer.
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Além disso, a empresa promove nesta semana uma agenda intensa com investidores em Nova York, apresentando seu portfólio, plano de produção e perspectivas para o restante de 2026. A expectativa do banco é que esse esforço de comunicação ajude a melhorar o sentimento em torno do papel, especialmente após as preocupações com a rentabilidade no primeiro trimestre.
A Embraer encerrou o último trimestre com um backlog de US$ 32,1 bilhões – alta de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume de pedidos firmes é considerado um pilar importante da tese de investimento.
Por outro lado, o banco alerta que a falta de novos anúncios relevantes pode funcionar como freio para a ação. A ausência de contratos adicionais ou, em um cenário mais negativo, o encerramento das negociações com a Índia sem resultados concretos são apontados como riscos à visão positiva.
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