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Thriller jurídico com Robert De Niro, Dustin Hoffman, Brad Pitt e Kevin Bacon que vai martelar na sua cabeça por dias, na Netflix

Thriller jurídico com Robert De Niro, Dustin Hoffman, Brad Pitt e Kevin Bacon que vai martelar na sua cabeça por dias, na Netflix

“Sleepers: Vingança Adormecida“ foi lançado em 1996 sob direção de Barry Levinson e recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Trilha Sonora para John Williams. Apesar de um elenco estelar, formado por nomes como Brad Pitt, Robert De Niro, Minnie Driver, Kevin Bacon, Dustin Hoffman e Billy Crudup, o filme é rodeado de polêmicas e recebeu duras críticas da imprensa internacional. Muitos afirmaram que a direção de Levinson é irregular, com um começo ambientado na infância dos protagonistas em Hell’s Kitchen amplamente elogiado, enquanto a segunda parte, quando a narrativa se transforma em um thriller de tribunal, passa a ter seu andamento questionado. Há também aqueles que acusaram o filme de sadismo e relativização moral. Não posso mentir: a primeira metade também é minha favorita.

A primeira parte se passa em Hell’s Kitchen, na década de 1960. Na época, o local era um bairro operário e perigoso de Nova York, fortemente associado à máfia italiana. Tommy, Michael, John e Shakes, com 13 anos, vivem dias ensolarados, trabalhando como coroinhas para o carismático padre Bobby (Robert De Niro) em funerais e praticando pequenos delitos pelas ruas. Tudo não passa de traquinagem, embora os meninos não sejam completamente ingênuos. Tudo muda quando o grupo decide roubar um carrinho de cachorro-quente e provoca involuntariamente um grave acidente no metrô, deixando um homem em coma.

O inferno dentro do reformatório

Os quatro amigos são apreendidos e julgados. Levados para o reformatório Wilkinson Home for Boys, um prédio luxuoso, mas que carrega uma rotina pesada e secretamente sombria, eles passam a viver sob a supervisão fria e cruel de Nokes (Kevin Bacon). Sofrendo diversos tipos de abusos no local, os meninos aguardam pelo fim da pena de um ano no reformatório — exceto Shakes, que recebe uma sentença menor. O tempo se arrasta lentamente e cada dia pode ser definidor em suas vidas, já que as maiores crueldades são impostas aos adolescentes pelos próprios agentes que trabalham no local.

Quando a vingança finalmente desperta

Mais de uma década mais tarde, aquele ano no reformatório Wilkinson parece uma noite mal dormida, mas que deixou uma ressaca sem fim. Agora adultos, os amigos têm destinos completamente diferentes. Tommy e Michael se tornaram criminosos a serviço de King Benny, um líder da máfia local. John se formou em Direito e se tornou promotor de Justiça, enquanto Shakes agora é jornalista. Numa fatídica noite, Tommy e Michael avistam o maior símbolo do trauma de suas infâncias em um bar. Sentado à mesa, jantando e bebendo calmamente, como se não tivesse nenhuma pendência moral com a sociedade, está Nokes, sem pressa e sem culpa. A cena desperta nos dois um instinto há muito tempo adormecido: o desejo de vingança.

Ambos se aproximam de Nokes, o confrontam e disparam diversos tiros contra ele, matando-o na frente de diversas testemunhas. A Justiça, obviamente, não demora para levá-los aos tribunais, para decidir suas penas por um crime que parecia até premeditado. Para a surpresa dos réus, quem assume a acusação é ninguém menos que Michael Sullivan, amigo de infância dos acusados, interpretado por Brad Pitt. No entanto, Michael não pegou o caso à toa. Desde o princípio, sua intenção é atuar com ineficácia para garantir a liberdade dos suspeitos. Quem o ajuda a colocar todo o plano em ação é Shakes (vivido por Jason Patric), encarregado de procurar o padre Bobby para que ele sirva de álibi aos dois acusados. O padre nega, claro, inicialmente. No entanto, a longa amizade com os rapazes e o conhecimento das crueldades às quais eles foram submetidos acabam o convencendo. Assim, Michael precisa fazer muito pouco, e muito malfeito, em seu trabalho para garantir a liberdade dos amigos.

A polêmica envolvendo Lorenzo Carcaterra

Baseado no best-seller de Lorenzo Carcaterra, que escreveu o livro homônimo em primeira pessoa e afirmou que a obra era autobiográfica, a história ganhou ampla repercussão nos anos 1990, embora não exatamente de forma positiva. Na verdade, tudo é bastante controverso, já que diversos jornais da época afirmaram ter investigado os acontecimentos sem encontrar provas de que o que Carcaterra descreve seja verdadeiro. Não foram encontradas sequer evidências de passagem do autor por qualquer reformatório juvenil. Ele, por outro lado, insiste na veracidade de sua história, mas afirma que nomes, datas e outros detalhes foram alterados para preservar a identidade dos envolvidos. Levinson, durante o lançamento do filme, defendeu a posição do autor ao afirmar que as vítimas não queriam que ninguém soubesse dos abusos sofridos justamente porque acreditavam que não seriam levadas a sério.

Um filme que permanece desconfortável

A verdade absoluta sobre a história de Carcaterra talvez jamais conheçamos, mas diversos casos de violência praticada contra adolescentes nesse tipo de instituição foram documentados ao longo das décadas nos Estados Unidos. Levinson, inclusive, utilizou essa justificativa para afirmar que as dúvidas sobre a autenticidade da história não anulam a existência real desse tipo de abuso. Apesar das inúmeras críticas negativas que o filme recebeu à época, é inegável que o longa impactou profundamente muitos espectadores e permanece na memória coletiva como uma obra sobre o assassinato brutal da infância.



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