Ex-CEO da SriLankan Airlines foi encontrado morto enquanto respondia por acusações de corrupção ligadas à compra de aviões da Airbus
O ex-CEO da SriLankan Airlines, Kapila Chandrasena, foi encontrado morto nesta sexta-feira (8), em Colombo, no Sri Lanka, enquanto respondia a acusações de corrupção relacionadas à compra de dez aviões da Airbus em um contrato avaliado em US$ 2,3 bilhões.
De acordo com a polícia local, Chandrasena foi localizado na residência de um parente na capital cingalesa. Autoridades locais estão investigando as causas e as circunstâncias da morte. A Justiça do país asiático havia decretado sua prisão um dia antes da morte.
O caso ganhou repercussão internacional por integrar um dos desdobramentos do escândalo global de corrupção envolvendo a fabricante europeia e contratos de venda de aeronaves comerciais.
Prisão e nova ordem de detenção
Chandrasena havia sido preso em março, sob acusação de conspirar para aceitar um suborno de US$ 16 milhões vinculado à aquisição de dez aviões da Airbus para renovação da frota da companhia aérea estatal.
Segundo a agência AFP, o executivo foi libertado sob fiança na última terça-feira (5). Dois dias depois, na quinta-feira (7), a Justiça determinou sua nova prisão após promotores alegarem que ele teria subornado dois homens para garantir sua liberação.
O contrato investigado envolvia a aquisição de aeronaves comerciais para a frota da companhia aérea, em uma negociação que dependia de aprovação do gabinete ministerial do país.
Acusações envolvendo figuras políticas
Após sua prisão em março, Chandrasena teria dito aos investigadores que parte dos recursos ligados ao acordo com a Airbus foi destinada a figuras políticas de alto escalão no Sri Lanka.
Segundo informações apresentadas à Justiça pela comissão anticorrupção do país, o ex-executivo admitiu ter pago cerca de US$ 480 mil ao então presidente Mahinda Rajapaksa em 2013.
Os investigadores também citaram o nome do ex-ministro da aviação Piyankara Jayaratne como suposto destinatário de parte dos valores.
A assessoria de Rajapaksa negou as acusações.
Escândalo global da Airbus
O nome de Chandrasena já havia aparecido anteriormente nas investigações internacionais sobre práticas comerciais da Airbus.
Em 2020, o fabricante concordou em pagar mais de US$ 3,9 bilhões em multas para encerrar investigações conduzidas por autoridades dos Estados Unidos, Reino Unido e França sobre corrupção e violações de controle de exportação.
Na ocasião, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos disse que a Airbus utilizou intermediários para pagar propinas a autoridades governamentais e executivos de companhias aéreas com o objetivo de garantir contratos de venda de aeronaves.
O caso da SriLankan Airlines foi citado como um dos episódios analisados na investigação internacional.
Sanções dos Estados Unidos
Em dezembro de 2024, o governo dos Estados Unidos aplicou sanções contra Chandrasena, alegando que ele aceitou propina para assegurar que o Sri Lanka adquirisse aeronaves da Airbus por valores acima do mercado.
As sanções também foram estendidas a familiares diretos do ex-executivo.
Crise financeira
Paralelamente ao caso judicial, a SriLankan Airlines enfrenta dificuldades financeiras prolongadas.
Segundo dados citados pela AFP, a companhia acumulava perdas de aproximadamente US$ 1,85 bilhão até o fim de março de 2025.
Tentativas do governo do Sri Lanka de privatizar a empresa e atrair compradores para a companhia aérea estatal ainda não avançaram.
