O cantor Ed Motta foi intimado a depor na Polícia Civil após dar início à confusão que terminou com um cliente alvo de socos no rosto e ferido com uma garrafa de vidro na cabeça no restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. A vítima precisou levar seis pontos.
A 15ª DP (Gávea), que investiga o caso, marcou o depoimento para a próxima terça-feira, às 11h. Outros envolvidos devem ser ouvidos na semana que vem.
Vítima cobra providências
Nesta sexta-feira, um dia após se tornar pública a confusão protagonizada pelo cantor, a defesa da vítima, um jovem de 28 anos, manifestou “indignação” pelo caso e cobrou medidas “rigorosas” da polícia contra o suspeito.
“Com total indignação pelo fato, a equipe jurídica do cliente agredido informa que está pedindo providências rigorosas às autoridades policiais. Durante a situação que se instaurava no restaurante por terceiros, o cliente foi covardemente agredido com um soco enquanto estava sentado. Em seguida, foi atingido de costas por uma garrafa atirada por um dos integrantes do grupo enquanto se retirava do local. O ato covarde, por sorte, resultou em apenas seis pontos cirúrgicos na cabeça. Todo o processo legal está sendo conduzido para que a justiça defina a pena indicada”, afirmou em nota.
O episódio é investigado pela 15ª DP (Gávea), que planeja intimará os envolvidos a prestar depoimento na semana que vem.
Suspeito da agressão é um advogado
Em sua mesa, Ed Motta estava acompanhado de Diogo Coutinho do Couto, proprietário dos restaurantes Escama e Quinta da Henriqueta, e de um homem que seria primo de Diogo. De acordo com as investigações, este terceiro indivíduo, identificado como Nicholas Guedes Coppim, que é advogado, é quem teria desferido os socos e lançado a garrafa. Havia ainda com o cantor mais duas mulheres e um quarto homem.
Após as agressões, a vítima buscou atendimento médico no Hospital Samaritano, em Botafogo. Em seguida, dirigiu-se à delegacia.
Em depoimento, ele contou que, na madrugada de sábado para domingo, por volta da 0h, estava jantando com sua família e amigos. À sua frente, havia uma mesa com um grupo de seis pessoas (quatro homens e duas mulheres), de onde Ed Motta se levantou, derrubou uma cadeira que estava na mesa da vítima e foi embora. Em seguida, começou uma discussão entre integrantes das duas mesas. Neste momento, um homem com sotaque português se dirigiu até a vítima e o atingiu com um soco no rosto. A vítima afirma que não revidou e decidiu levantar e ir embora. Ao se encaminhar para a saída do estabelecimento, o mesmo agressor lançou uma garrafa de vidro pelas suas costas. O item atingiu o lado esquerdo de sua cabeça. Por fim, o autor das agressões e seu grupo deixou o local.
Contexto da confusão
A taxa de rolha de vinho — valor cobrado por restaurantes para servir bebida levada pelo cliente — foi o ponto de partida de um desentendimento envolvendo o cantor Ed Motta e amigos no Grado, restaurante do chef Nello Garaventa e de sua mulher, Lara Atamian, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio.
Segundo comunicado de Garaventa e Atamian, “um grupo de clientes composto por Eduardo Motta (Ed Motta), Diogo Coutinho do Couto (proprietário dos restaurantes Escama e Henriqueta) e um terceiro indivíduo, até o momento identificado como seu primo, protagonizou episódios de extrema violência, agressões físicas, intimidação e condutas discriminatórias dirigidas à nossa equipe e aos clientes presentes no local”.
Ainda de acordo com a nota do casal, as provocações começaram após a negativa de concessão de cortesia da taxa de rolha. O restaurante afirma que uma cadeira teria sido arremessada contra um garçom que se encontrava de costas.
Em conversa com O GLOBO por telefone na quarta-feira, Motta reconheceu excessos, mas apresentou uma versão diferente.
— Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada. Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso — contou Motta, de 54 anos, acrescentando que, após jogar a cadeira no chão, deixou o restaurante e não estava presente quando a confusão se agravou.
Veja, abaixo, o comunicado completo dos donos do Grado sobre o caso:
“Durante o atendimento no último sábado, um grupo de clientes composto por Eduardo Motta (Ed Motta), Diogo Coutinho do Couto (proprietário dos restaurantes Escama e Henriqueta) e um terceiro indivíduo, até o momento identificado como seu primo, protagonizou episódios de extrema violência, agressões físicas, intimidação e condutas discriminatórias dirigidas à nossa equipe e aos clientes presentes no local.
Após a negativa de concessão de cortesia da taxa de rolha, integrantes do grupo passaram a dirigir provocações constrangedoras à nossa equipe. As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada. Funcionários foram publicamente expostos ao ridículo, sem possibilidade de resposta.
Na sequência, uma cadeira foi arremessada contra um garçom que se encontrava de costas.
Um esbarrão provocado por Ed Motta em uma cliente de outra mesa derrubou objetos, fazendo com que a situação escalasse e as agressões passassem a atingir também esses clientes. Um deles, que estava sentado, recebeu um soco e, ao se dirigir à saída, teve uma garrafa de vinho, tamanho magnum, intencionalmente arremessada contra sua cabeça, causando sangramento imediato.
A postura firme e profissional de nossa equipe, que tentou conter as agressões utilizando o próprio corpo como escudo, foi fundamental para evitar consequências ainda mais graves.
Os agressores deixaram o estabelecimento antes da chegada da polícia, acompanhados por um indivíduo associado ao Sr. Diogo Coutinho do Couto, que dirigiu ameaças aos presentes e insinuou estar armado.
Os episódios causaram danos físicos, emocionais e materiais relevantes. Vidas foram colocadas em risco e, por consequência, a própria continuidade do restaurante.
Ainda estamos nos recuperando dos acontecimentos e buscando minimizar seus impactos negativos. Refletimos profundamente antes de tornar os fatos públicos, mas entendemos que o constrangimento e os danos decorrentes desses episódios não nos pertencem, e sim aos agressores. Decidimos não adotar o silêncio por receio reputacional. Nossa obrigação é proteger nossa casa, nossa equipe e nossos clientes, a quem devemos todo o sucesso de um restaurante construído com muito trabalho ao longo de quase uma década
Estamos prestando integral suporte jurídico e assistencial aos funcionários afetados, buscando a responsabilização dos envolvidos e a reparação dos danos causados.
Permanecemos à disposição das autoridades competentes e das demais partes envolvidas para colaborar integralmente com os esclarecimentos necessário”
