Portugal poderá recorrer ao Brasil para ampliar o abastecimento de combustível de aviação caso haja escassez nos aeroportos portugueses
O Brasil poderá ampliar o fornecimento de combustível de aviação para Portugal caso os aeroportos do país europeu enfrentem escassez de jet fuel nos próximos meses, disse nesta terça-feira (5), Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia de Portugal, durante audiência regimental no parlamento português.
Segundo a ministra, a possibilidade foi discutida durante a recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Portugal. Na ocasião, o governo português recebeu do ministro brasileiro de Minas e Energia a sinalização de que o Brasil poderá reforçar as exportações de querosene de aviação, caso o mercado português enfrente dificuldades de abastecimento.
Durante a audiência, a ministra disse que o grupo português Galp atualmente garante cerca de 80% das necessidades de combustível de aviação do país.
De acordo com a governante, os 20% restantes são cobertos por contratos internacionais já estabelecidos.
Apesar do cenário considerado estável no momento, a ministra reconheceu que um agravamento da crise energética poderá afetar o abastecimento no fim do verão europeu. Ela acrescentou que o governo português acompanha a situação regularmente.
Pressão nos preços do QAV
O alerta ocorre em meio ao aumento da volatilidade no mercado internacional de petróleo e derivados após os impactos da guerra no Irã, intensificada por ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Embora o conflito esteja atualmente em cessar-fogo, autoridades europeias avaliam riscos logísticos em rotas estratégicas de transporte de petróleo, especialmente no Estreito de Ormuz, corredor fundamental para o fluxo global de petróleo e combustíveis refinados.
Qualquer interrupção na região pode elevar os preços internacionais do querosene de aviação, reduzir a disponibilidade de combustível aeronáutico e ampliar os custos operacionais de companhias aéreas europeias.
Risco de abastecimento
A Comissão Europeia disse que, até o momento, não há escassez de combustíveis no bloco, mas mantém planos de contingência para possíveis falhas no fornecimento de jet fuel.
O cenário reflete a dependência estrutural da União Europeia de importações de petróleo e derivados, tornando o bloco vulnerável a choques geopolíticos e oscilações logísticas globais.
Revisão de custos operacionais
A instabilidade no mercado energético também tem impacto direto sobre operadores aéreos na Europa. Algumas companhias já avaliam ajustes operacionais e redução de voos diante do aumento dos custos com combustível, um dos principais componentes das despesas da aviação comercial.
