Aos 49 anos e com mais de três décadas de carreira, Shakira chega neste sábado à Praia de Copacabana como a nova estrela do projeto Todo Mundo no Rio, sucedendo Madonna e Lady Gaga na série de megashows gratuitos que transformaram o início de maio em um dos grandes eventos musicais da cidade.
A apresentação marca mais uma etapa da turnê “Las mujeres ya no lloran”, que reafirmou a colombiana como uma das artistas latinas mais influentes da música pop mundial.
Das três divas que passaram pelo palco montado na orla carioca, Shakira é, provavelmente, a mais próxima do Brasil. A cantora, conhecida do público brasileiro desde os tempos em que frequentava o sofá de Hebe Camargo — e dona de um português impecável —, chega ao Rio com um show grandioso, de forte aparato visual e repertório que mistura rock, dance, reggaeton e sucessos que ajudaram a abrir caminho para o atual boom da música latina.
— Como o show da Shakira já é muito grandioso, com muito telão, muita coisa técnica, pegamos o palco da turnê original e ampliamos — explica Luiz Guilherme Niemeyer, sócio-diretor da Bonus Track. — A equipe dela está muito envolvida em fazer a coisa acontecer da melhor forma, em fazer uma promoção. A Shakira foi supersolícita, gravando vídeo, eles estão engajados.
Ao trazer Madonna e Lady Gaga ao Brasil depois de longos períodos sem apresentações das artistas no país, Niemeyer costumava citar a “escassez” como um dos critérios para as escolhas do Todo Mundo no Rio. No caso de Shakira, que abriu sua atual turnê no Rio em fevereiro do ano passado, outros fatores pesaram mais.
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— A questão da latinidade, do orgulho latino, ficou muito forte, principalmente depois da apresentação do Bad Bunny no Super Bowl (final do campeonato de futebol americano nos EUA) — diz. — Shakira fez um vídeo recentemente falando que Copacabana é o altar do mundo, e seria para ela uma coroação, a consagração global.
Com “Las mujeres ya no lloran”, Shakira deve quebrar o recorde de turnê de maior bilheteria de uma artista latina — e também o de maior arrecadação de uma mulher em 2025, atrás apenas do grupo inglês Coldplay no ranking geral. Em março, na Cidade do México, ela reuniu mais de 400 mil pessoas em um show gratuito no Zócalo, a maior praça pública da América Latina, depois de 13 apresentações com ingressos esgotados no estádio GNP Seguros.
A trajetória que leva Shakira a esse patamar começou muito antes do atual momento de consagração. Em 1998, ainda jovem e produzida nos Estados Unidos por Emilio Estefan, ela lançou “Dónde están los ladrones?”, álbum que impulsionou sua carreira internacional com músicas como “Ciega, sordomuda”, “Tú” e “Ojos así”. Nesta última, a artista explicitava suas raízes libanesas, inclusive com a incorporação da dança do ventre.
Em 2005, já estabelecida no mercado americano, a cantora lançou dois álbuns: “Fijación oral, Vol. 1”, em espanhol, e “Oral fixation, Vol. 2”, em inglês.
O segundo disco ganhou novo fôlego em 2006, quando foi relançado com a faixa bônus “Hips don’t lie”, parceria com Wyclef Jean, rapper dos Fugees. A canção, com elementos do reggaeton que começava a ganhar o mundo, chegou ao topo das paradas nos Estados Unidos, na Austrália e na Europa.
A carreira de Shakira se manteve estável ao longo dos anos, mas ganhou uma reviravolta em 2022, após o fim do casamento de 12 anos com o jogador espanhol Gerard Piqué, com quem teve dois filhos, Milan e Sasha.
A separação foi transformada em música em 2023, com “Shakira: Bzrp Music Sessions, Vol. 53”, parceria com o DJ argentino Bizarrap que dominou o streaming global e viralizou com versos como “você trocou um Rolex por um Casio”.
No ano seguinte, a artista lançou o álbum “Las mujeres ya no lloran”, uma espécie de documento musical sobre queda, dor e superação, aproximando arte e vida pessoal. O disco concorreu em um cenário dominado por mulheres de peso do pop, como Taylor Swift, Beyoncé, Ariana Grande e Billie Eilish, chegou ao 13º lugar na parada americana e liderou o ranking de pop latino.
No palco, Shakira revisita uma história de sucessos iniciada fora da Colômbia em 1995, com “Estoy aquí”. O show passa por diferentes fases da carreira e combina a energia do rock, a força do dance e latinidades dançantes, com espaço para músicas como “Copa vacía”, “La bicicleta” e “TQG”, parceria com Karol G.
Também entram no repertório a explosão colorida de “Waka waka (this time for Africa)”, música oficial da Copa do Mundo de 2010, e os hits de vingança, como “Shakira: Bzrp Music Sessions, Vol. 53” e “Soltera”, que resume o clima em um verso: “Tenho o direito de me comportar mal para me divertir.”
A apresentação ainda inclui o single “Algo tú”, lançado este ano com participação do jovem astro colombiano Beéle. Tudo acompanhado por um grupo robusto de bailarinos, banda afiada, grafismos em telões e uma rampa pensada para aproximar a cantora do público.
A passagem pelo Rio também pode reservar afagos aos fãs brasileiros. Uma das possíveis surpresas é “Choka choka”, parceria com Anitta lançada há poucos dias no álbum “Equilibrivm”. No show do ano passado na cidade, Shakira cantou “Mama África”, de Chico César. Outros gestos ao público local são esperados.
Como nova diva do Todo Mundo no Rio — “o que não significa que a gente não possa mudar tudo aí nos próximos anos, fazer um show de rock, fazer um show de K-pop”, avisa Niemeyer —, Shakira deve atrair não apenas cariocas e turistas brasileiros, mas também fãs de diferentes países da América Latina.
— Tem muita gente vindo da Colômbia, de toda a América Latina. A estimativa é de mais de 500 mil turistas na cidade no fim de semana do show — diz Niemeyer, acrescentando que o plano de segurança será uma versão intensificada dos anteriores. — Tem mais equipamento, câmeras de reconhecimento facial. Estamos aumentando, com o governo do Estado, a quantidade de pessoas para a revista do público.
