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Anthony Hopkins encara um assassino à sua altura em suspense perturbador que voltou ao radar no Prime Video

Anthony Hopkins encara um assassino à sua altura em suspense perturbador que voltou ao radar no Prime Video

Da mesma forma que não existe crime perfeito, criminosos nunca são iguais uns aos outros. Por mais que se cerquem de métodos semelhantes a fim de alcançar seus execráveis objetivos, golpistas de toda ordem, estelionatários, ladrões ou assassinos seriais — todos psicopatas em maior ou menor grau —, sempre fazem questão de manifestar em seu comportamento bestial uma característica qualquer que os difira dos outros, como uma impressão digital, e é a partir daí que policiais bem-preparados, ciosos de seu ofício, começam suas intrincadas averiguações, tornadas um jogo de gato e rato onde as aparências estão sempre muito perto do engano, a verdade se irmana com a mentira, vilões passam por mocinhos sem inspirar muita desconfiança e o caos é o déspota das ledas intenções do gênero humano, imperando sobre a lei e a ordem. Em “Presságios de um Crime”, a vida mais parece uma caçada, cruenta e irracional, na qual estamos todos condenados a sofrer nas mãos uns dos outros. Depois da estreia promissora de “2 Coelhos” (2012), injustamente ignorada por Hollywood, em “Presságios de um Crime” Poyart faz do roteiro de Ted Griffin e Sean Bailey uma história em que mentes excepcionais assumem objetivos declaradamente antagônicos. E às vezes não se sabe quem é o verdadeiro predador.

A morte não pede passagem

Cada um inventa um jeito de lidar com seus traumas, congelados no limbo tétrico que também somos nós, à espera de que surja alguma coisa verdadeiramente nova no lugar, junto com a resposta que tirará nossas dúvidas. Uma série de crimes macabros inquietam Joe Merriwether e Katherine Cowles, dois investigadores do FBI, pela primeira vez meio hesitantes sobre seu tirocínio profissional. É a terceira ocorrência com a vítima morta por uma perfuração no bulbo raquidiano, o que denota a perícia extraordinária do assassino. Não existe nenhuma outra relação entre os eventos, monstruosos a ponto de ter envolvido uma criança, e os agentes não têm nenhuma pista. Poyart lança mão de chuvas e cenários urbanos depauperados para realçar a debacle moral que toma conta da Geórgia, por onde Merriwether e Cowles circulam como se estivessem em casa. Até que não conseguem mais virar-se sozinhos.

Um velho colaborador

John Clancy, um legista aposentado, atende ao chamado de Merriwether e retoma o batente, depois de ter perdido a filha para o câncer. Finalmente, ele vai sair da casa sem mobília numa área rural afastada com o propósito invulgarmente oportuno de unir a experiência como policial e o dom de antever tragédias, qualidade que faz dele o único adversário à altura do matador. Anthony Hopkins junta-se a Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish como o anjo torto mandado por Deus (ou pelo diabo) para tentar conter o enigma incorporado por Charles Ambrose, o personagem de Colin Farrell. O diretor tem o condão de achar o momento exato de jogar luz nas diferenças e, em especial, sobre os pontos de contato a aproximar Clancy e Ambrose, e no desfecho uma longa cena com Hopkins e Farrell dá a “Presságios de um Crime” a aura filosófica pela qual o público esperava desde o início.



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