A operadora espanhola Aena venceu nesta segunda-feira (30) o leilão de venda assistida do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão e passará a administrar o terminal até 2039. O lance vencedor foi de R$ 2,9 bilhões, valor muito acima da outorga mínima estabelecida pelo governo.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações do portal g1
O processo foi conduzido pelo Ministério de Portos e Aeroportos e ocorreu na sede da B3, em São Paulo, a partir das 15h. Além da Aena, participaram da disputa o Zurich Airport e o consórcio RIOgaleão, atual operador do aeroporto.
A outorga inicial havia sido definida em R$ 932,8 milhões. Com a concorrência entre os interessados, o valor final atingiu R$ 2,9 bilhões, representando ágio de 210,88%.
Aena amplia presença no Brasil
Com a vitória no processo, a Aena passa a operar 18 aeroportos no país, consolidando-se como a maior concessionária aeroportuária em número de terminais no Brasil. Entre os ativos sob sua gestão estão o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, além dos aeroportos de Recife e Maceió, entre outros.
Como fica a gestão do Galeão
Atualmente, o Galeão é operado pela concessionária RIOgaleão, formada pelas empresas Vinci Compass e Changi Airports, que detêm 51% do capital. Os outros 49% pertencem à Infraero.
Com a conclusão da venda assistida, tanto a RIOgaleão quanto a Infraero deixarão a sociedade, permitindo que a Aena assuma integralmente a gestão do aeroporto.
O que é a venda assistida
Diferentemente de um leilão de concessão tradicional, que envolve projetos novos, a venda assistida ocorre quando um contrato existente passa por relicitação, permitindo a troca de operador. Esse modelo foi adotado no caso do Galeão após negociações para reequilibrar as condições econômicas da concessão.
O novo contrato autoriza a Aena a operar, manter e ampliar a infraestrutura do aeroporto, além de assumir os direitos e obrigações previstos no acordo revisado.
Mudanças no contrato de concessão
O modelo atualizado do Galeão foi definido em entendimento entre o governo federal, a RIOgaleão e o Tribunal de Contas da União (TCU). Entre as principais alterações estão:
- substituição da contribuição fixa por pagamento variável de 20% do faturamento à União até 2039
- fim da exigência de construção de uma terceira pista
- saída da Infraero da sociedade
- criação de um mecanismo de compensação ligado ao Aeroporto Santos Dumont, concorrente direto do Galeão
Nesse último ponto, caso o governo altere as restrições operacionais do Santos Dumont, o novo concessionário do Galeão poderá solicitar compensações.
Movimento de passageiros segue em recuperação
Apesar de operar abaixo de sua capacidade máxima — estimada em 37 milhões de passageiros por ano — o Galeão tem apresentado crescimento na movimentação.
Em 2025, o aeroporto recebeu 17,9 milhões de passageiros, alta de 23,4% em relação a 2024, quando passaram pelo terminal 14,5 milhões de viajantes. O fluxo médio equivale a cerca de 49 mil passageiros por dia.
Atualmente, o Galeão registra aproximadamente 340 voos domésticos e 110 voos internacionais por dia, considerando pousos e decolagens.

