Parecia improvável que uma história de mais de dois milênios ainda reservasse algo inédito para o público. Embora a trama da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém permaneça a mesma, o espetáculo deste ano contará com efeitos especiais sem precedentes na encenação.
A abertura desta 57ª edição acontece neste sábado (28) e segue com mais sete sessões no período de 29 de março até 4 de abril, integrando a Semana Santa. A experiência imersiva é realizada na cidade-teatro de Nova Jerusalém, localizada no distrito de Fazenda Nova, em Brejo da Madre de Deus, a 180 km do Recife.
Elenco
A peça teatral da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém chega no ano de 2026, tendo o ator carioca Dudu Azevedo assumindo como intérprete de Jesus. Além dele, completam o elenco nomes de destaque da dramaturgia brasileira. Beth Goulart é Maria, enquanto Marcelo Serrado atua como Pilatos e Carlo Porto interpreta Herodes.
Grandiosidade
O espetáculo deste ano também celebra o centenário de Plínio Pacheco (1926-2002), idealizador e construtor de Nova Jerusalém, considerado o maior teatro a céu aberto do mundo. Os cenários da Paixão de Cristo estão distribuídos por uma área de 100 mil metros quadrados, com nove palcos-plateia, em um espaço cercado por muralhas de pedra granítica e torres monumentais, reproduzindo a arquitetura judaica e romana da Jerusalém de dois mil anos atrás.
A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém reproduz os últimos dias de Jesus na Terra, cobrindo a Última Ceia, o julgamento, a crucificação e a ressurreição dele. O espetáculo inicia com a cena do Sermão da Montanha e encerra com a ascensão de Jesus ao céu.
Por falar no grande “finale”, a última cena ganha mais realismo com o uso de tecnologia de última geração. A nova adição dos efeitos especiais permitem um desfecho visual ainda mais impactante com o personagem de Jesus ascendendo ao céu até desaparecer entre as nuvens, subindo mais que os anos anteriores.
A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, que reúne cerca de 60 mil pessoas anualmente, foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, em junho passado. A peça teatral, realizada pela Sociedade Teatral de Fazenda Nova (STFN), também é, desde 2009, Patrimônio Cultural Material e Imaterial de Pernambuco.
Origem
Natural de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Plínio Pacheco chegou em Fazenda Nova em 1956, um ano depois de desembarcar no Recife. Lá, ele casou com Diva Mendonça e se aproximou com o universo cênico do local, instigando Plínio a concluir a peça “Jesus” em abril de 1967, após cinco meses de reclusão, e erguer os muros que conhecemos hoje.
A cidade cenográfica de Nova Jerusalém foi inaugurada no ano seguinte, ganhando forte popularidade a partir da década de 1970 com a encenação anual. Na configuração atual, centenas de figurante e artistas pernambucanos atuam no espetáculo, utilizando mais de dois mil figurinos produzidos e confeccionados a partir de uma pesquisa histórica.
A edição deste ano tem a direção de Lúcio Lombardi e coordenação geral de Robinson Pacheco, filho de Plínio Pacheco, que permanece administrando o local em nome da família.
SERVIÇO
Paixão de Cristo de Nova Jerusalém
Quando: 28 de março até 4 de abril
Onde: Teatro de Nova Jerusalém, s/n, Fazenda Nova – Brejo de Madre de Deus
Ingressos a partir de R$ 90 no site (www.novajerusalem.com.br)
Informações: @paixaodecristooficial

