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Sabemos que h motivos mais do que convincentes para trocar fraldas, mas e os polticos?

Sabemos que h motivos mais do que convincentes para trocar fraldas, mas e os polticos?

A frase, possivelmente apcrifa, “Polticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo“, comparando a necessidade de substituir fraldas “cagadas” com polticos ineficientes ou corruptos, popularmente atribuda a vrios autores: Ea de Queiroz, Mark Twain, Baro de Itarar, Benjamin Franklin, etc. No entanto, no existem registros concretos que comprovem nenhum dos autores, mas voc j pensou no assunto sobre o que devemos fazer para resolver o problema com esta renca de malditos corruptos de Braslia?

Sabemos que h
Criado pelo Gemini.

As eleies, frequentemente chamadas de pedra angular da democracia, so ferramentas que garantem que todos os cidados de uma nao tenham voz poltica igual. Mas esses chamados “grandes equalizadores” tm sido assolados por corrupo, divises partidrias, polarizao e eleitores desinformados.

por isso que alguns dos primeiros e mais famosos defensores da democracia usaram uma abordagem diferente. De 508 a 322 a.C., Atenas se afastou cada vez mais dos funcionrios eleitos. Com exceo de cargos especializados, como generais militares e altos funcionrios das finanas, a maioria dos cargos legislativos, executivos e judiciais era preenchida por meio de sorteio. Srio!

A partir dos 30 anos, os cidados podiam colocar uma ficha com seu nome em uma mquina de sorteio. Essas mquinas nomeavam cidados para cargos governamentais por meio de um processo projetado para garantir aleatoriedade e evitar fraudes.

Antes de assumirem o cargo, os candidatos escolhidos passavam por um exame pblico para investigar seu carter, e aqueles que fossem aprovados geralmente serviam por um nico ano.

Ao trmino do mandato, eles passavam por outra avaliao pblica para investigar sua conduta e transaes financeiras durante o perodo no cargo. Esse sistema era chamado de sorteio, e seu objetivo era promover a igualdade poltica.

De fato, os atenienses viam as loterias como mais democrticas do que a votao, j que acreditavam que as eleies favoreciam os ricos e influentes.

Os nomeados aleatoriamente, por outro lado, eram cidados comuns que se apresentavam para cumprir seu dever cvico. E como a maioria dos cargos no permitia mandatos repetidos, o sorteio impedia que as pessoas ganhassem muita influncia poltica.

claro que esse sistema estava longe de ser perfeito. O sorteio ateniense exclua mulheres, residentes estrangeiros e pessoas escravizadas. E, como filsofos como Plato e Aristteles apontaram, a tomada de decises polticas exige conhecimento especializado, uma qualidade difcil de desenvolver em mandatos curtos e que no pode ser garantida por seleo aleatria.

Mas, de modo geral, esse sistema baseado em sorteio tinha forte apoio pblico. Era a forma dominante de democracia durante a Era de Ouro de Atenas e s terminou de fato quando os conquistadores de Atenas aboliram a democracia por completo.

Ento, se o sorteio proporcionava estabilidade naquela poca, poderia faz-lo agora?

O filsofo poltico Alex Guerrero, professor de filosofia na Universidade Rutgers – New Brunswick, acredita que sim e at props uma verso moderna do sorteio, que ele chama de lotocracia. Funciona assim: em vez de depender de um nico rgo decisrio para cada questo, Guerrero prope mltiplas assembleias, cada uma dedicada a uma rea poltica especfica.

Essas legislaturas de tema nico, selecionadas por sorteio, ou SILLs, so compostas por centenas de cidados escolhidos aleatoriamente, que recebem treinamento na rea temtica de sua assembleia por especialistas e defensores.

Em seguida, aps consultar o pblico para obter sua perspectiva, os membros de um SILL (Comit de Interesse Especial) elaboram e votam em polticas especficas sobre o tema. Este sistema se estende at o topo, distribuindo at mesmo os poderes da presidncia por meio de uma rede de Assembleias Executivas, compostas por sorteio, e pelos funcionrios administrativos que elas nomeiam.

Os defensores da lotocracia acreditam que ela poderia resolver trs dos maiores problemas enfrentados pelas democracias modernas.

Primeiro, a representao desigual. Como campanhas eleitorais bem-sucedidas exigem dinheiro e influncia, muitos eleitos so muito mais ricos do que o eleitor mdio. Segundo a influenciadora Ana Paula Renault o Congresso possui uma alta concentrao de riqueza, com cerca de 93% dos deputados federais inseridos no grupo dos 10% mais ricos do Brasil. Alm disso, dados apontam que 18% dos deputados so considerados “super-ricos”, possuindo fortunas superiores a R$ 50 milhes.

Segundo problema: a maioria dos candidatos depende de doaes de indivduos, empresas e grupos de interesse especial que podem tentar influenciar suas polticas, uma prtica conhecida como lobby.

A lotocracia dificulta a compra de influncia, evitando eleies, oferecendo aos nomeados uma remunerao generosa e impondo mandatos mais curtos.

O terceiro problema a falta de competncia na formulao de polticas. Enquanto polticos de carreira lidam com dezenas de propostas polticas sobre inmeras questes complexas -que eles no sabem resolver pois a maioria analfabeta funcional e se fiam em seus assessores-, os SILLs permitem que seus membros se tornem especialistas em um nico tpico.

Como era de se esperar, essa proposta radical tem crticos, que argumentam, com bastante razo, que a lotocracia exige que a maioria dos cidados se submeta a um pequeno grupo escolhido aleatoriamente.

Eles acreditam que as democracias devem permitir que os cidados exeram a liberdade poltica em igualdade de condies, e as eleies so fundamentais para isso.

As eleies permitem que as pessoas definam a agenda poltica e vinculam os ocupantes de cargos pblicos a um ciclo contnuo de responsabilidade, tanto nas urnas quanto perante o pblico.

Nessa viso, o voto a forma como os cidados moldam e limitam coletivamente o poder pblico. E sem ele, mesmo o governo lotocrtico mais competente poderia parecer um governo de especialistas. Sem eleies, pode ser difcil dizer o que torna um sistema democrtico.

Mas esse debate destaca um objetivo comum: todos ns queremos instituies que sirvam a todos e abordem problemas reais. Assim como todos os outros elementos da democracia, cabe a ns continuar experimentando at encontrarmos um sistema que alcance esses ideais.

Imaginem s a cena: em vez de pagar marketing milionrio para prometer picanha e cerveja, o poltico brasileiro teria que torcer para o Kleroterion -aquela mquina grega de sorteio- no cham-lo para ser o novo Ministro da Fazenda, porque ele mal sabe fazer o pix do churrasco. A lotocracia ateniense no Brasil seria o pice do caos organizado, uma mistura de “Show do Milho” com “A Praa Nossa“.

O Cenrio: A Praa dos Trs Poderes vira um enorme bingo. Dona Etelvina, uma fofoqueira do subrbio de Bangu, sorteada para ser senadora. Seu Zez que vende paoca, isqueiro e cigarro solto no semforo, vira o novo novo relator da Reforma Tributria.

Dona Etelvina chega no Senado com sua marmita e quer saber por que o ar-condicionado est to frio, enquanto Zez, com um cigarro atrs de cada orelha, quer taxar o isqueiro importado porque rende muito menos grana que o nacional.

A “democracia direta” ateniense (onde todos debatem) significaria que a votao do novo Cdigo Penal seria interrompida para os senadores irem assistir ao jogo do Flamengo e se envolverem em uma briga colossal no fim da parida.

A grega isegoria dava direito igual de voz a todos. No Brasil, isso quer dizer que, em vez de 30 segundos de horrio eleitoral, o tiozo do zap tem 10 minutos no microfone do plenrio para explicar por que a Terra plana e como o preo da gasolina culpa da Lua em Touro. Os debates tcnicos seriam substitudos por “quem grita mais alto” ou “quem tem o melhor meme”.

Atenas sorteava estrategos. Imagine o sorteio para Comandante das Foras Armadas: sai o nome de um vendedor de picol na praia de Copacabana. Ele assume com a misso de invadir a Argentina s porque o time deles ganhou no vlei. A logstica militar brasileira baseada no “vai que d“.

Em Atenas, eles podiam banir polticos por 10 anos. No Brasil, a urna do ostracismo seria usada para expulsar o vizinho que coloca funk alto s 3 da manh, ou o sndico que aumentou o condomnio.

Como eles recebiam salrio para governar, o sorteio seria a melhor notcia da vida de muito brasileiro.

– “Me, fui sorteado para a Comisso de tica! Agora a gente sai do Serasa!”

O problema que, como a poltica exige tempo livre (cio), o governo teria que pagar o salrio, o vale-refeio, o vale-coxinha e o auxlio-transporte para o cidado sorteado.

No resumo desta pera bufa, a lotocracia no Brasil seria o governo do povo, pelo povo, e infelizmente… sorteado entre o povo. Pelo menos a corrupo seria mais democrtica, j que todos teriam a chance de ser sorteados e, provavelmente, fazer um governo catico da mesma forma.

Ok… j vou tomar meu Lexotan!

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