Desde que passou a se apresentar como pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta construir uma imagem mais moderada em relação ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A estratégia busca reduzir a rejeição associada ao sobrenome e ampliar o diálogo com eleitores fora do núcleo duro do bolsonarismo. Os dados da pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), indicam, porém, que essa tentativa ainda encontra resistência no eleitorado.
Segundo o levantamento, 48% dos eleitores não veem o senador como uma versão mais moderada da família Bolsonaro. Outros 38% dizem perceber nele uma postura mais moderada. A divisão revela que a narrativa adotada pela campanha ainda não conseguiu se consolidar de forma ampla.
Moderação reconhecida apenas entre bolsonaristas
A percepção de moderação aparece concentrada principalmente entre eleitores já alinhados ao bolsonarismo. Entre aqueles que dizem enxergar Flávio como mais moderado, 77% se identificam como bolsonaristas e 63% se declaram de direita.
O desafio maior surge justamente entre o eleitorado independente — segmento considerado decisivo em disputas presidenciais. Nesse grupo, apenas 28% afirmam enxergar Flávio como mais moderado que sua família, enquanto 53% o veem como semelhante ao pai.
Esse dado indica que a tentativa de suavizar a imagem ainda não atravessou as fronteiras do campo político que já apoia o ex-presidente.
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Imagem de liderança também divide eleitorado
A pesquisa também avaliou atributos de liderança dos principais nomes da disputa. No caso de Flávio Bolsonaro, 49% dos entrevistados afirmam que ele não representa um líder forte, enquanto 42% dizem vê-lo dessa forma.
O resultado contrasta com a avaliação atribuída ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontado como líder forte por 51% dos eleitores.
Entre os eleitores independentes, a diferença permanece: 43% consideram Lula um líder forte, contra 32% que dizem o mesmo sobre Flávio.
Quando questionados sobre características pessoais dos candidatos, o senador também enfrenta avaliações mais críticas. Entre os entrevistados, 62% discordam da afirmação de que Flávio seria um político honesto.
No caso de Lula, 69% dos eleitores discordam da ideia de que o presidente seja honesto, mostrando que o tema permanece sensível para ambos os lados da polarização.
Entre os eleitores independentes, o levantamento aponta diferenças importantes na percepção de atributos políticos. Nesse grupo, Flávio é visto como mais radical, menos sensível e com menos princípios que o presidente.
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Apesar disso, Lula aparece como menos preocupado com as pessoas para 32% dos independentes, enquanto 18% fazem essa avaliação sobre Flávio.
Entre os eleitores independentes, os índices positivos para o senador permanecem baixos em atributos específicos. Apenas 24% o consideram competente, enquanto 12% o veem como um político sincero.
No quesito honestidade, Lula e Flávio aparecem em empate técnico dentro desse segmento do eleitorado.
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Dependência do capital político de Bolsonaro
Outro dado relevante do levantamento aponta o peso do ex-presidente Jair Bolsonaro na trajetória eleitoral do senador. Para 69% dos entrevistados, Flávio ficou conhecido politicamente principalmente por meio do pai.
O dado sugere que Bolsonaro ainda é o principal vetor de visibilidade e transferência de votos para a candidatura do filho.
A pesquisa também mostra uma mudança na avaliação da indicação de Flávio como candidato do campo bolsonarista.
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Em dezembro, quando a candidatura foi anunciada, 54% dos entrevistados consideravam a escolha um erro. Na nova rodada da pesquisa, 47% passaram a dizer que Jair Bolsonaro acertou ao indicar o filho para a disputa.
A variação indica uma redução da resistência inicial à candidatura, embora ainda reste dúvida sobre o potencial de crescimento eleitoral do senador.
O desafio do teto eleitoral
Os números reforçam um dilema central para a campanha de Flávio Bolsonaro: expandir o apoio além do eleitorado bolsonarista sem perder a base que sustenta sua candidatura.
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A força política do pai continua sendo um ativo eleitoral importante, mas também pode representar um limite para a expansão do candidato em segmentos menos ideológicos do eleitorado.
A evolução dessa dinâmica — especialmente entre eleitores independentes — tende a ser um dos fatores mais relevantes para medir o potencial de crescimento da candidatura nos próximos levantamentos.
A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 6 e 9 de março, por meio de entrevistas domiciliares em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

