O crescimento do número de mulheres à frente do orçamento doméstico tem redefinido a dinâmica financeira das famílias brasileiras. Especialistas do setor de seguros afirmam que maternidade e responsabilidade financeira caminham cada vez mais juntas em um país onde milhões de mulheres acumulam as funções de cuidadoras, gestoras do lar e principais provedoras.
Levantamento da FGV (Fundação Getulio Vargas), com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que o Brasil já soma mais de 41 milhões de domicílios chefiados por mulheres. De cada cem lares brasileiros, 52 têm nelas a principal responsável financeira.
Segunda uma pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora de 2025, uma em cada três mulheres empreendedoras é mãe solo, sendo as principais e muitas vezes as únicas responsáveis pelo cuidado dos filhos e pela gestão do lar.
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Maior escolaridade feminina, mudanças no mercado de trabalho, programas sociais e transformações demográficas, como a queda da taxa de fecundidade, estão entre as razões para o crescimento.
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Na prática, esse novo cenário altera também a forma como famílias encaram riscos e imprevistos. Quando a principal provedora precisa interromper o trabalho por doença, acidente ou incapacidade temporária, o impacto tende a recair sobre toda a estrutura doméstica.
“Hoje, ela se reconhece como um dos pilares de sustentação da família e entende que garantir proteção financeira e acesso à saúde é essencial para trazer segurança e tranquilidade ao futuro dos filhos, independentemente do cenário.”
Essa mudança aparece também no perfil das coberturas buscadas. Em vez de enxergar o seguro apenas como instrumento ligado ao falecimento, cresce o interesse por soluções voltadas a situações vividas em vida, como:
- doenças graves,
- invalidez,
- afastamento temporário da atividade profissional.
“Em termos gerais, mulheres costumam valorizar mais o propósito da proteção, enquanto homens, muitas vezes, respondem mais a números e retorno financeiro”, pontua Rosangela Duarte, gestora da unidade da Lojacorr Seguros no Pará.
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Dados internos da Azos, insurtech especializada em seguro de vida, indicam que as mulheres já representam 42% da base segurada da companhia. Entre elas, 40% estão na faixa entre 35 e 44 anos, período normalmente associado ao pico de responsabilidades familiares e profissionais.
As coberturas mais contratadas pelo público feminino da Azos são morte, invalidez e doenças graves. Também chama atenção o perfil dos beneficiários indicados. A maioria (42%) destina a proteção aos filhos ou netos. Em seguida vem cônjuges (24,5%), avós (16,1%) e irmãos (8,2%). Além disso, 23,6% dos beneficiários cadastrados por mulheres são menores de idade.
“São contratações com um perfil semelhante ao do público masculino, sendo a principal diferença as pessoas beneficiárias protegidas pelas mulheres.”
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Entre os homens, a distribuição é mais concentrada, com 40% para filhos/netos e 40% para cônjuges, segundo dados da empresa. “A rede de proteção feminina é mais pulverizada, protegendo um círculo familiar mais amplo”, afirma Cló.
Na Favela Seguros, empresa voltada à democratização do acesso ao setor em comunidades, as mulheres também são maioria. Elas representam 62,11% da base de clientes. Segundo a companhia, entre elas há procura proporcionalmente maior por produtos voltados à proteção familiar.
“Elas contratam mais o produto Família Protegida, o que reforça uma preocupação com filhos, companheiros, pais e outros familiares que dependem delas no dia a dia. Já entre os homens, há uma contratação proporcionalmente maior do funeral individual.”
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Planejamento ainda é desafio
Apesar do avanço da conscientização, especialistas afirmam que muitas famílias ainda cometem erros básicos de planejamento.
“Um dos principais erros é achar que seguro é só para morte, e ignorar invalidez, doenças graves e afastamento de renda”, diz Duarte, da Lojacorr.
Outro equívoco recorrente é não revisar o planejamento conforme a vida muda. Casamento, nascimento de filhos, separação, empreendedorismo ou troca de carreira alteram despesas, dependências e nível de proteção necessário.
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Rafael Cló, da Azos, ressalta que o brasileiro ainda concentra esforços apenas na acumulação de patrimônio, deixando em segundo plano a proteção da capacidade de gerar renda. Segundo ele, as duas frentes são complementares.
“A base de um planejamento financeiro sólido é a proteção do que está sendo construído. O brasileiro ainda peca ao não se preparar para a transferência patrimonial em caso de morte, ao não ter gestão de riscos de saúde em caso de doença ou acidente, e também erra ao subestimar o impacto da carga tributária na construção de patrimônio no longo prazo”, afirma.
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Veja 4 cuidados financeiros para mães provedoras
Grande parte das famílias se prepara para emergências pontuais, mas poucas simulam o impacto financeiro de ficar semanas ou meses sem renda recorrente.
Em casos de afastamentos prolongados ou tratamentos de saúde mais complexos, contar com uma reserva de emergência é essencial. Para Rafael Caribé, CEO da empresa de contabilidade Agilize, o segredo é olhar para a reserva como parte de uma estratégia mais ampla de segurança financeira.
“No caso de mães empreendedoras ou profissionais liberais, a reserva financeira pessoal e familiar precisa ser ainda maior, já que são atividades com mais riscos. Um bom planejamento financeiro e uma gestão de recursos que pense em médio e longo prazos também ajudam a trazer segurança, mesmo em momentos delicados por questões de saúde”, diz.
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Maternidade, transição de carreira, empreendedorismo e novos dependentes alteram completamente a dinâmica financeira da família e exigem atualização das estratégias de proteção e organização patrimonial.
O planejamento financeiro das mães não se limita à proteção da renda no presente, ele também influencia diretamente a forma como os filhos vão lidar com o dinheiro no futuro.
No dia a dia, decisões simples, como definir limites de consumo, explicar escolhas ou envolver as crianças em pequenas decisões, já funcionam como ferramentas de aprendizado.
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