Huse implanta grupo de dor torácica e prepara protocolo estadual que colocará Sergipe como referência nacional no atendimento ao paciente infartado / Fotos: Ascom SES
As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Entre elas, a Síndrome Coronariana Aguda (SCA) — que inclui a angina instável e o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) — concentra os maiores índices de mortalidade.
Diante desse cenário, o Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) implementou o Grupo de Estudo “Time de Dor Torácica”, com foco na qualificação do protocolo estadual de atendimento ao paciente com infarto.
A iniciativa promove ajustes e atualizações na linha de cuidado já existente, fortalecendo a padronização do atendimento em toda a Rede Estadual de Saúde.
Protocolo alinhado às diretrizes nacionais e internacionais
O novo formato segue as orientações da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e recomendações de entidades internacionais, como o American College of Cardiology, a American Heart Association e a European Society of Cardiology.
O objetivo é organizar de forma integrada todas as etapas do atendimento, desde a identificação precoce dos sintomas até o tratamento definitivo, com acesso garantido ao serviço de hemodinâmica do Huse, referência estadual para angioplastia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Ajustes no protocolo estadual
A dor no peito é o principal sintoma do IAM. No Huse, entre oito e dez pacientes infartados são atendidos diariamente no Centro de Hemodinâmica Dr. José Augusto Soares Barreto.
O Grupo de Dor Torácica, formado por médicos e enfermeiros do serviço de hemodinâmica, monitora indicadores assistenciais e conduz os aprimoramentos que serão aplicados de forma integrada nas unidades gerenciadas pela Secretaria de Estado da Saúde (SES).
Entre os principais avanços estão:
- Padronização de condutas em toda a rede estadual;
- Redução do tempo entre diagnóstico e intervenção;
- Integração entre diagnóstico, regulação e tratamento.
Segundo o coordenador da Linha de Cuidado do Paciente Cardiovascular do Huse, José Edvaldo Santos, a definição do tipo de infarto é feita por eletrocardiograma.
No IAM com supradesnivelamento do segmento ST, há obstrução total da artéria coronária; no IAM sem supra, a obstrução é parcial, mas também apresenta alto risco.
Atendimento no tempo adequado
Nos casos de IAM com supradesnivelamento do ST, o paciente é encaminhado imediatamente para angioplastia, considerada o tratamento padrão-ouro.
O fluxo inclui acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e transporte direto para a unidade de referência em hemodinâmica.
Já nos casos sem supradesnivelamento, os novos parâmetros reforçam a realização de cateterismo em até 24 horas, além da priorização de exames com sinais isquêmicos de alto risco.
A lógica do protocolo é clara: quanto menor o tempo entre o diagnóstico e a desobstrução da artéria, menores as chances de complicações como insuficiência cardíaca e óbito.
Rede integrada e telecardiologia
O modelo também fortalece a integração estadual por meio da telecardiologia, permitindo que exames realizados nos municípios sejam avaliados rapidamente por especialistas. A regulação organiza o transporte de forma ágil, garantindo acesso ao centro angioplastador de referência.
Com protocolo unificado, critérios técnicos padronizados e acesso garantido ao serviço de hemodinâmica, Sergipe consolida um modelo assistencial voltado à redução da mortalidade por infarto, alinhado às melhores práticas nacionais e internacionais.
Com informações da ASN

