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Produtor atribui cancelamento da Paixão de Cristo do Recife a razões financeiras

Produtor atribui cancelamento da Paixão de Cristo do Recife a razões financeiras

Realizado há 27 anos, de forma ininterrupta, a Paixão de Cristo do Recife não será encenada em 2026. Todos os anos, o espetáculo a céu aberto costuma levar ao Marco Zero milhares de pessoas, gerando mais de 200 empregos diretos, entre elenco, produção e equipe técnica.


Em entrevista à Folha de Pernambuco, o produtor-geral da peça, Paulo de Castro, explicou que razões financeiras levaram ao cancelamento. O evento costuma contar com o apoio do Governo de Pernambuco e da Prefeitura do Recife, que garantem um aporte total de R$ 420 mil. O valor, no entanto, seria insuficiente para garantir a execução do projeto.





Segundo Paulo de Castro, um terceiro patrocinador teria retirado o apoio financeiro ao projeto há cerca de dois meses. Diante das dificuldades, a Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), realizadora do espetáculo, optou por suspender as apresentações deste ano e retomá-las em 2027.





Em nota oficial, a instituição afirma que está sendo estruturado um novo ciclo para a Paixão de Cristo do Recife. “Isso inclui um plano ampliado de captação de recursos, buscando novas fontes de financiamento que possibilitem investimentos consistentes em figurinos, cenários, efeitos especiais, estrutura técnica e valorização justa dos profissionais envolvidos. Estamos fortalecendo nossa gestão de produção, modernizando processos, ampliando parcerias institucionais e patrocinadores, além de desenvolver ações inovadoras de comunicação e visibilidade que potencializem ainda mais o impacto artístico, social e turístico do espetáculo”, diz o texto.

O comunicado trata o cancelamento como “pausa estratégica” e “um movimento de preparação” para a retomada da montagem. “É o tempo necessário para consolidar as transformações que já vêm sendo planejadas há alguns anos e que agora ganham corpo e direção”, afirma o comunicado.

A encenação dos últimos dias de Jesus é aguardada todos os anos por espectadores e artistas. Daniel Neves, que integra o elenco de figuração da peça há 24 anos, foi um dos que lamentou o cancelamento. “A Paixão de Cristo do Recife é uma tradição que não pode acabar. Dói muito saber que esse ano não vai ter, ainda mais para nós, que damos nosso sangue todos os anos por esse espetáculo”, disse.

O que diz o Governo

Procurada pela Folha de Pernambuco, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), órgão ligado à Secretaria de Cultura de Pernambuco, informou que “não possui vínculo institucional, contratual ou de apoio financeiro com a produção da Paixão de Cristo do Recife mencionada”.

A nota oficial diz ainda: “O referido espetáculo é uma iniciativa independente e, neste exercício, não houve solicitação de apoio ou inscrição em editais promovidos pelo Governo de Pernambuco”.

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