“Mad Max: Estrada da Fúria”, de George Miller, começa com Max capturado pelos War Boys e reduzido a recurso: acorrentado, mascarado e ligado a Nux por transfusões. Correntes e máscara travam o corpo dele, e a transfusão mantém Nux em movimento, tornando qualquer fuga uma briga contra tempo e metal. Um caminhão de guerra blindado sai da Cidadela com carga de troca, e a estrada vira uma linha de decisões mecânicas em que falha de peça, falta de combustível ou perda de velocidade mudam o destino de quem está em cima.
Furiosa desvia o War Rig da rota prevista e leva cinco “wives” de Immortan Joe, e a consequência vem na forma mais concreta possível: o governante mobiliza força total e convoca aliados para a perseguição. “Mad Max: Estrada da Fúria” deixa pouco espaço para respiro nesse ponto, porque a fuga passa a ser medida pela distância entre veículos e pela capacidade do caminhão continuar inteiro. Investidas, colisões e ataques tentam quebrar o War Rig; a cada aproximação, a captura volta a parecer questão de minutos.
Charlize Theron, como Furiosa, conduz essa fuga com decisões que têm retorno imediato: desviar a rota coloca as “wives” dentro do War Rig e coloca Joe no encalço, e manter o caminhão em movimento vira a única forma de não ser cercado. A carga de troca que saiu da Cidadela também pesa, porque limita manobras e impõe escolhas de caminho e de velocidade. Nessa lógica, cada obstáculo no terreno vira teste de continuidade: se o War Rig para, a perseguição encosta.
A supertempestade de areia empurra a perseguição para um trecho em que visibilidade e controle se desfazem, e o comboio se fragmenta. Veículos se perdem, forças se dispersam, e as relações que pareciam fixas saem do lugar. Tom Hardy, como Max, ganha presença quando deixa de ser “carga” e consegue agir para se soltar e interromper a tentativa de Nux de destruir o War Rig. Quando a poeira baixa, ninguém está no mesmo lugar.
O War Rig parado para conserto vira o ponto mais frágil do grupo, e é aí que Max cruza com Furiosa e as mulheres com a ameaça de cerco logo atrás. A negociação nasce de necessidade imediata: sem o caminhão andando, não há para onde ir, e a cooperação entra pela porta estreita da sobrevivência. Um pântano atola veículos e trava o avanço, exigindo solução física para o caminhão seguir; ficar preso significa oferecer a própria posição aos perseguidores.
Nux muda de lado depois de ser acolhido por Capable, e a troca altera o equilíbrio de forças do jeito mais prático: ele passa a ajudar o War Rig a voltar a andar. A perseguição perde um operador e o grupo ganha alguém que conhece o funcionamento do ataque, com efeito direto na capacidade de seguir rodando. Max e Furiosa cegam o Bullet Farmer, e isso desabilita um vetor específico de caça, abrindo um intervalo operacional para o caminhão avançar sem aquela ameaça imediata.
O “Green Place” orienta a fuga até o encontro com as Vuvalini, que informam que o lugar não existe como antes e derrubam o plano inicial. A pressão muda porque a estrada continua hostil, mas agora falta um destino que justifique o risco de seguir na mesma direção. O grupo considera atravessar um grande salar em busca de outro lugar, enquanto Max tenta se separar e voltar ao impulso de andar sozinho, deixando a decisão coletiva exposta.
A Cidadela volta ao mapa quando Max retorna ao grupo e defende a inversão do caminho, com um cálculo pragmático: o poder de Immortan Joe pode ficar vulnerável fora dos muros. Voltar exige encarar a mesma estrada sob ameaça renovada; seguir ao salar exige aceitar o desconhecido sem garantia de água, abrigo ou defesa. O grupo aceita a inversão e inicia uma nova etapa em sentido contrário, carregando as mesmas pessoas e a mesma dependência mecânica do War Rig. A marcha recomeça na mesma estrada, e a interceptação segue ali.
Filme:
Mad Max: Estrada da Fúria
Diretor:
George Miller
Ano:
2015
Gênero:
Ação/Aventura/Épico
Avaliação:
8/10
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Natália Walendolf
★★★★★★★★★★

