E-mails de Woody Allen e Soon-Yi Previn, mulher do cineasta, para o criminoso sexual Jeffrey Epstein revelam pedido de ajuda em admissão universitária, críticas ao movimento #MeToo e uma alfinetada no ator Timothée Chalamet. As mensagens estão nos arquivos do caso Epstein tornados público na sexta-feira (30) pelo Departamento de Justiça dos EUA.
As mensagens trocadas entre Soon-Yi Previn, que é filha adotiva da atriz Mia Farrow, ex-mulher de Allen, e Epstein sugerem laços próximos com o financista, acusado na Justiça por abuso de menores e por operar uma rede de exploração sexual e tráfico de pessoas. Epstein morreu na prisão, em 2019, um mês após ser detido.
Escrevendo em seu nome e no de Allen, Previn conversava com Epstein sobre atualidades e pedia favores a ele, segundo a revista Variety.
Uma troca de mensagens de 2017 mostra Previn agradecendo a Epstein por ajudar a filha do casal, Bechet Allen, a ser admitida no Bard College, instituição de ensino superior frequentada pela elite de Nova York, graças a uma conexão pessoal de Epstein com o então presidente da instituição, Leon Botstein.
“Acho melhor que a Bechet lute e não saiba com antecedência que passou, para que, quando entrar no Bard, tenha suado um pouco e realmente queira ir. Obrigada por ter resolvido isso para nós”, escreveu Previn a Epstein. “Não consigo dizer o quanto isso significa para mim. O Woody disse que, quando a Bechet incendiar a escola, vocês é que terão de agradecer.”
O Bard College não respondeu ao pedido de esclarecimento feito pela Variety. Já um porta-voz de Leon Botstein. afirmou ao jornal New York Times que Epstein era “um mentiroso contumaz que aparentemente se creditava até pelo sol nascer todos os dias”.
Segundo o porta-voz de Botstein, Bechet Allen foi admitida na universidade “com base nos méritos de suas próprias qualificações”, como acontece com cerca de 40% dos candidatos ao Bard a cada ano.
Woody Allen e Soon-Yi Previn não responderam aos pedidos da Variety para comentários.
Em 2016, em outra troca de e-mails, Previn e Epstein discutiram o político Anthony Weiner, que tinha sido condenado por transferir material obsceno a uma menor.
Nas mensagens, Previn escreveu sobre a menina de 15 anos a quem Weiner pediu fotos nuas: “Ela sabia exatamente o que estava fazendo e o quão vulnerável [Weiner] estava, e o fisgou como uma isca”. Previn ainda questionou: “Qual é a desculpa dela para ser uma pessoa desprezível e nojenta?”.
Nas mensagens a Epstein, Previn não poupou críticas ao ator Timothée Chalamet, indicado ao Oscar 2026 pelo protagonista de “Marty Sypreme”.
“Fico feliz que o filme daquele babaca do Chalamet não tenha recebido uma boa crítica”, escreveu ela em 2018. O ator tinha protagonizado “Um dia de chuva em Nova York”, filme de Woody Allen que a Amazon engavetou naquele mesmo ano em meio à repercussão das denúncias feitas pelo movimento #MeToo e a repercussão das acusações de abuso sexual contra Allen feitas por Dylan Farrow, filha do cineasta com a atriz Mia Farrow.
A produção foi marcada por escândalos, à medida que o #MeToo dominava a cultura e o mundo voltava a debater as antigas acusações de abuso sexual contra Allen feitas por sua filha Dylan Farrow.

