A Banda de Pau e Corda lançou, na última semana, o single “Piuí”, em alusão às cinco décadas do Carnaval de Boa Viagem, manifestação criada pelo próprio grupo e considerada um marco na transformação do Carnaval do Recife em uma festa popular, aberta e realizada nas ruas.
Idealizado em 1976, o Carnaval de Boa Viagem introduziu um formato que mais tarde se tornaria padrão na capital pernambucana: os polos de animação espalhados pela Cidade.
Até então, a programação carnavalesca se concentrava no Centro e em eventos fechados promovidos por clubes, enquanto artistas emergentes – especialmente do frevo – encontravam poucas oportunidades de se apresentar.
A iniciativa da Banda de Pau e Corda de erguer um palco na orla, em frente ao Edifício Acaiaca, abriu espaço para novos músicos e atraiu multidões logo na estreia.
“Foi uma ideia meio louca, porque na época não existia essa ideia de polos, era uma coisa muito difícil de fazer e a gente não sabia quem ia pagar”, diz Sérgio Andrade, vocalista da Banda de Pau e Corda.
Mesmo enfrentando incertezas financeiras e logísticas, o projeto ganhou apoio institucional e comercial, o que garantiu sua realização e rápida expansão.
Com o crescimento do público, o polo passou a receber investimentos em cenografia, ampliação do palco e reforço musical, consolidando-se como o maior ponto de encontro do carnaval recifense por muitos anos.
Segundo Sérgio, o movimento representou uma ruptura estética e cultural, aproximando artistas e público em um ambiente mais diverso e acessível.
“O Carnaval de Boa Viagem e a Banda de Pau e Corda representaram novas possibilidades e caminhos de interpretar o frevo, porque saímos um pouco do perfil dos cantores do rádio e das orquestras, passando a inserir a festa em outros formatos”, conta Sérgio Andrade.
Durante cerca de duas décadas, a Banda de Pau e Corda esteve à frente da programação, ajudando a redefinir a forma de apresentar o frevo e outras expressões musicais da festa.
“Com o tempo, o Carnaval de Boa Viagem ficou imenso e a Prefeitura do Recife passou a controlar tudo, a gente já não tinha mais a gerência, mas foi uma semente que a gente plantou e até hoje a gente vê esse modelo das pessoas assistirem shows de carnaval gratuitamente”, continua.
Em 2001, o polo foi desativado após mudanças na organização da festa, que passou a priorizar polos descentralizados e grandes apresentações no Marco Zero, estrutura que segue vigente.
A nova versão de “Piuí” surge como tributo a esse período histórico e ao impacto social do Carnaval de Boa Viagem.
A faixa conta com produção musical de Alexandre Baros, direção e arranjos de Zé Freire, além de mixagem e masterização assinadas por Junior Evangelista.
* Com informações da assessoria

