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Uma das histórias de amor mais bonitas do cinema francês recente chegou ao Prime Video

Uma das histórias de amor mais bonitas do cinema francês recente chegou ao Prime Video

Em “Os Jovens Amantes”, Fanny Ardant, Melvil Poupaud e Cécile de France entram em cena sob direção de Carine Tardieu para uma comédia romântica com bordas de drama. Shauna, viúva, mãe e avó, se apaixona por Pierre, médico de 45 anos e casado, 25 anos mais jovem, e precisa decidir até onde leva a relação sem implodir a vida doméstica dele e a rotina dela.

Shauna atravessa o corredor de um hospital e reconhece Pierre, quinze anos depois de um primeiro contato que não prometia volta. Ele para, puxa conversa, tenta estender o minuto e mede o risco de parecer invasivo. Ela retribui, mas segura o corpo, calcula a diferença de idade e antecipa o olhar alheio, como quem já conhece o preço de uma exposição. Ela hesita. A conversa acaba cedo, só que altera a rota dos dois: um reencontro banal vira motivo para insistir em outro encontro.

Um caso vira logística diária

Pierre procura Shauna outra vez e transforma a atração em compromisso prático, porque o casamento ocupa horários e uma vida longa já vem com obrigações de família. Ele rearranja a agenda, inventa justificativas, volta para casa com pressa e tenta manter o rosto neutro. O segredo custa caro. Shauna aceita o jogo, mas impõe termos: escolhe quando atende, decide quando aparece, recusa a posição de aventura escondida. Os dois esbarram no atrito entre desejo e cronograma: ele promete e falha, ela aparece e sai cedo, e sempre fica um rastro que alguém pode ler.

Casamento e família apertam

Pierre tenta manter o apartamento funcionando enquanto corre atrás de Shauna, e o esforço cria um ruído constante dentro de casa. Jeanne percebe as ausências, cobra explicações, pressiona por fatos e obriga o marido a responder com algo que pareça verificável. Ele desvia, promete, se contradiz, e a convivência perde o automático. Ele está casado. O conflito aparece quando Pierre consulta o relógio, atrasa uma rotina que antes tinha horário certo e, para não se denunciar, precisa escolher qual porta abre primeiro.

Jeanne, do lado dele, e Cécilia, a filha de Shauna, do lado dela, empurram o caso para fora do esconderijo. Jeanne tenta preservar a própria vida e precisa decidir o que tolera dentro do casamento; Cécilia quer a mãe disponível e cobra presença como quem protege um terreno conhecido. A filha repara. Pierre reage à pressão doméstica com tentativas de conciliação, e Shauna reage com silêncio e recuos estratégicos, porque cada pergunta direta encurta a margem de improviso. Quando os dois insistem em se ver, alguém fica sem uma resposta aceitável.

Shauna disputa o próprio tempo

Shauna não entra nessa história para preencher calendário; ela entra para recuperar margem de manobra e reafirmar que ainda escolhe. Ela arruma a casa, se cuida, sai sem pedir licença e, depois, precisa encarar o comentário alheio que chega em visitas e em perguntas que ninguém disfarça. Ela fecha a porta. A idade aparece como dado imediato, sem máscara: um ritmo que pede pausa, um corpo que impõe limites, uma lucidez que percebe o que vem junto com a paixão. Quando Shauna aceita o romance, ela também define fronteiras e força Pierre a lidar com elas, porque a relação só se sustenta se couber na vida real.

Pierre, por sua vez, tenta viver a euforia sem perder o chão. Ele assume o risco, volta a procurar Shauna e, na hora de encarar a própria casa, tenta controlar danos com frases curtas e decisões rápidas. Ele é médico, ele tem responsabilidades e ele não consegue fingir que nada mudou. Ele improvisa no varejo da vida cotidiana e tenta compensar com rapidez, mas uma decisão pequena, como aceitar um convite ou recusar uma visita, altera o humor de uma noite inteira.

O círculo ao redor reage com curiosidade, ciúme e pragmatismo. Um amigo pressente a mudança, tenta arrancar a verdade e ainda mede o lugar que sobra para ele nessa nova configuração. Shauna protege o próprio segredo, mas esbarra em gente que a conhece há décadas e lê o corpo antes de qualquer explicação. Ninguém tem tempo para discurso. Esses olhares empurram o casal para uma tarefa social: alguém faz pergunta seca, alguém alonga silêncio, alguém ri por nervoso, e Shauna e Pierre precisam responder antes que o assunto vire fofoca.

Tardieu mantém o romance em movimento ao tratar cada encontro como decisão que cobra recibo. Shauna e Pierre continuam se procurando, continuam combinando horários e continuam avaliando o que contam e a quem contam, porque qualquer ajuste no casal desloca uma lealdade próxima. O filme fecha com os dois ainda escolhendo o próximo passo, e essa escolha já deixa uma conversa pendurada na casa de alguém.

Filme:
Os Jovens Amantes

Diretor:

Carine Tardieu

Ano:
2021

Gênero:
Drama/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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