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Justiça torna réus 12 pessoas por queda de avião da Voepass

Justiça torna réus 12 pessoas por queda de avião da Voepass

Justiça Federal recebe denúncia contra 12 pessoas pela queda do ATR 72-500 da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo, em agosto de 2024

A Justiça Federal recebeu nesta quarta-feira (21), a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra doze pessoas vinculadas à Voepass pelo acidente que matou os 62 ocupantes de um ATR 72-500 da companhia em Vinhedo/SP, em agosto de 2024.

Os denunciados responderão a ação penal por crimes relacionados à segurança do transporte aéreo e ao sinistro envolvendo a aeronave.

O avião (PS-VPB) cumpria o voo entre Cascavel/PR e São Paulo (GRU) quando caiu na região de Vinhedo. Segundo o MPF, as responsabilidades atribuídas aos réus estão associadas não apenas às circunstâncias que levaram diretamente à queda, mas também a práticas de gestão e manutenção adotadas pela empresa antes do acidente.

Os réus

Entre os doze denunciados estão integrantes da alta administração da Voepass, além de ocupantes de diretorias e outras funções de chefia que, segundo as investigações, participaram de decisões relacionadas às condições de operação e manutenção da frota.

Também foram incluídos na ação penal dois funcionários que não exerciam cargos de comando, mas que, conforme o MPF, tiveram participação direta nos acontecimentos relacionados ao acidente.

Quatro outras pessoas indiciadas pela Polícia Federal não foram incluídas na denúncia. Segundo o material apresentado pelo MPF, esses investigados firmaram acordos de não persecução penal.

Manutenção e segurança operacional

A denúncia aponta a existência de práticas internas destinadas à redução de custos que, segundo o MPF, comprometeriam procedimentos de manutenção e segurança operacional.

As investigações identificaram registros considerados falsos, reparos classificados como precários e utilização de componentes sem qualidade ou rastreabilidade adequada. O MPF também afirma que trabalhadores eram pressionados a não registrar determinadas falhas encontradas durante os voos ou inspeções realizadas em solo.

Para o Ministério Público Federal, esse conjunto de condutas contribuiu para a deterioração das condições de segurança da operação da companhia.

Falhas no sistema de degelo

Um dos pontos centrais da denúncia envolve a operação do ATR 72-500 em condições de formação de gelo.

De acordo com o MPF, a Voepass tinha conhecimento de que o modelo não possuía certificação ou homologação do fabricante para operação em condições críticas de gelo. Mesmo assim, a aeronave foi escalada para o voo entre Cascavel e Guarulhos, quando havia alertas meteorológicos indicando possibilidade de formação severa de gelo na rota.

A denúncia também aponta problemas no sistema de degelo da aeronave. Segundo o MPF, pilotos e gestores tinham conhecimento dessas falhas havia pelo menos um ano, mas a ausência de registros oficiais das ocorrências permitiu que o avião permanecesse em serviço.

A combinação entre as condições meteorológicas, as limitações operacionais relacionadas ao gelo e os problemas no sistema de proteção contra formação de gelo teria contribuído para a perda de sustentação da aeronave.

Precedentes

As acusações apresentadas pelo MPF não se restringem ao voo que terminou com a queda em Vinhedo. A denúncia também relaciona os crimes ao risco supostamente imposto aos passageiros e tripulantes nos três voos imediatamente anteriores realizados pelo mesmo ATR 72-500.

A tese apresentada pelo Ministério Público é de que as condições que culminaram no acidente não surgiram de forma isolada, mas estavam relacionadas a problemas identificados anteriormente na operação da aeronave.





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