Europa endurece controle de entrada e passageiros devem reservar mais tempo nos aeroportos (IA/M&E)

O fim de uma medida temporária adotada durante a implantação do Sistema de Entrada/Saída, o EES, deve mudar a rotina de passageiros que chegam à Europa a partir deste domingo (6). Os países participantes deixam de ter a possibilidade de interromper temporariamente a coleta de dados biométricos em postos de fronteira com grande concentração de viajantes, justamente nos momentos em que as filas atingem níveis considerados elevados. Para quem tem viagem marcada, a recomendação é simples: reservar mais tempo para passar pela imigração e evitar conexões muito próximas entre um voo e outro.

A mudança ocorre depois de meses de implantação do novo sistema, que passou a registrar eletronicamente a entrada e a saída de cidadãos de países que não fazem parte da União Europeia. O procedimento inclui a coleta de impressões digitais e o reconhecimento facial, além do registro da passagem do viajante pela fronteira.

O EES começou a ser implantado gradualmente em outubro de 2025 e ficou totalmente operacional nas fronteiras participantes em 10 de abril de 2026. A partir de agora, termina também uma das flexibilizações previstas durante esse período de adaptação.

O que muda para quem viaja para a Europa

Durante a fase de transição, os países tinham margem para suspender temporariamente a coleta biométrica quando o volume de passageiros provocava aumento excessivo no tempo de espera. A possibilidade funcionava como uma espécie de válvula de escape para os aeroportos em períodos de grande movimento.

A partir deste domingo, essa alternativa deixa de existir.

Isso significa que os passageiros de países de fora da União Europeia, incluindo brasileiros, continuarão sujeitos ao procedimento completo previsto pelo EES mesmo quando os postos de controle estiverem muito movimentados.

O sistema foi criado para substituir os carimbos tradicionais no passaporte por um registro digital das entradas e saídas do Espaço Schengen. A expectativa é aumentar o controle sobre a permanência de visitantes, facilitar a identificação de pessoas que ultrapassam o período autorizado e melhorar o gerenciamento das fronteiras. O problema está no tempo necessário para realizar cada atendimento.

Controle de passaporte ficou mais demorado

Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo, a IATA, um procedimento que antes podia levar entre 20 e 25 segundos passou a consumir aproximadamente 90 segundos com a utilização do novo sistema.

A diferença parece pequena quando considerada individualmente. Em um aeroporto que recebe milhares de passageiros em poucas horas, porém, o impacto se acumula rapidamente.

Dados compilados pela Euronews mostram que alguns dos principais aeroportos europeus já registraram aumento significativo nos períodos de espera desde a implantação do EES.

No Aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, a espera média chegou a 120 minutos em julho. No mesmo mês do ano anterior, o tempo registrado era de aproximadamente 60 minutos.

Em Munique, também na Alemanha, o período de espera passou de 31 para 60 minutos. Já em Amsterdã, nos Países Baixos, os maiores tempos registrados saltaram de 80 para 120 minutos.

Os números ajudam a dimensionar o que pode acontecer nos períodos de maior movimento, principalmente em aeroportos que concentram voos internacionais e grandes volumes de passageiros.

IATA pede mais tempo para adaptação

A IATA defende que as flexibilizações sejam mantidas até o final da temporada de inverno. Para a entidade, a operação do sistema precisa estar acompanhada de infraestrutura suficiente para absorver os momentos de pico.

Entre os pontos considerados necessários estão sistemas confiáveis, quiosques de autoatendimento, controles automáticos de fronteira e equipes suficientes nos aeroportos.

A Comissão Europeia, por sua vez, avalia que a operação do EES ocorreu de maneira geral de forma satisfatória durante o verão europeu. A instituição também informou que mantém contato com os países que ainda precisam fazer ajustes em determinados pontos de passagem de fronteira.

A diferença de avaliação mostra um dos principais desafios desta nova etapa: o sistema já está funcionando, mas a capacidade dos aeroportos de processar grandes volumes de passageiros ainda varia bastante de um local para outro.

Brasileiros devem ficar atentos às conexões

Para o turista brasileiro, o principal impacto não está na necessidade de apresentar uma nova autorização para entrar na Europa, mas no tempo que pode ser gasto durante o controle de fronteira.

Quem desembarca em um país do Espaço Schengen e segue para outro destino europeu precisa considerar o tempo de imigração no planejamento da viagem. Uma conexão curta pode se tornar um problema caso a fila avance lentamente.

A recomendação para as próximas semanas é evitar conexões muito apertadas, principalmente em grandes aeroportos internacionais, e chegar ao controle de fronteira preparado para uma espera maior.

Também é importante lembrar que o EES não se aplica da mesma maneira a todos os passageiros. O sistema é voltado principalmente para cidadãos de países que não fazem parte da União Europeia e que entram ou saem do espaço abrangido pelo mecanismo.

O passageiro deve, portanto, considerar que a passagem pela imigração poderá levar mais tempo do que em viagens anteriores.

Por que o EES foi criado

O Sistema de Entrada/Saída faz parte do processo de modernização do controle de fronteiras europeu. Em vez de depender exclusivamente de carimbos no passaporte, as autoridades passam a contar com um registro digital das movimentações dos viajantes.

A tecnologia permite registrar dados biométricos e informações relacionadas à entrada e à saída do território europeu. O objetivo é oferecer às autoridades uma visão mais precisa sobre quem entrou, quando entrou e quando deixou a região.

A implantação, entretanto, trouxe um novo desafio operacional: processar esses dados sem criar gargalos nos aeroportos.

Com o fim da flexibilização neste domingo, a capacidade de cada terminal para lidar com grandes volumes de passageiros passa a ter ainda mais peso na experiência de quem chega à Europa.

Para o viajante, a mudança exige pouco mais do que planejamento. Em vez de considerar apenas o tempo do voo e da conexão, será necessário incluir também uma margem maior para o controle de fronteira.

Em aeroportos onde a espera já chegou a duas horas, alguns minutos a mais podem fazer diferença entre embarcar no próximo voo ou perder a conexão.