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Dassault avança no novo caça Rafale F5

Dassault avança no novo caça Rafale F5

O Rafale F5 será a evolução mais profunda do caça francês, com mudanças que vão além de software e armamentos

A Dassault Aviation está desenvolvendo o novo caça Rafale F5 sem participação de um parceiro estrangeiro no programa e prevê que o novo padrão do caça francês esteja disponível para exportação a partir de 2035.

Segundo Eric Trappier, presidente e CEO da Dassault, em entrevista à BFM Business, ontem (26), o cronograma de desenvolvimento prevê a entrada em serviço entre 2033 e 2035, conforme os requisitos das Forças Armadas da França.

Questionado sobre o cronograma, Trappier indicou que o objetivo é estar pronto entre 2033 e 2035. O executivo também afirmou que, atualmente, não existe um programa de codesenvolvimento com outros países.

A França decidiu avançar com o financiamento do Rafale F5 após o fracasso, no fim de 2025, das negociações de cofinanciamento com os Emirados Árabes Unidos. As tratativas haviam sido encerradas em meio a divergências relacionadas principalmente à transferência de tecnologia. Segundo reportagens da imprensa francesa, Abu Dhabi teria considerado contribuir com até 3,5 bilhões de euros para o projeto.

As conversas, porém, foram retomadas em 2026. Em junho, o governo francês confirmou que voltou a discutir com os Emirados Árabes Unidos uma possível colaboração no Rafale F5, embora atualmente não exista um programa de codesenvolvimento com o país.

Fim da participação francesa no caça do FCAS

O Rafale F5 ganhou ainda mais importância na estratégia francesa de combate aéreo após França e Alemanha encerrarem, em junho, a participação conjunta no componente tripulado do Future Combat Air System (FCAS).

A decisão ocorreu depois que Dassault e Airbus não chegaram a um acordo sobre a divisão do trabalho industrial no programa. Com o impasse, o Rafale F5 passou a concentrar parte importante da modernização da aviação de combate francesa para a próxima década. Paralelamente, Paris prevê preparar o desenvolvimento de uma futura aeronave de sexta geração para o período pós-Rafale.

Por que formar um agrupamento de capital para construir uma aeronave se já sabemos como construir uma aeronave com um único fabricante?”, disse Trappier. O executivo acrescentou que a cooperação internacional continua sendo possível. “Podemos fazer cooperações. É isso que vamos propor”.

Novo motor e sistemas de combate

O Rafale F5 será mais do que uma atualização de software, sensores ou armamentos. O novo padrão prevê alterações no motor, no radar, no sistema de guerra eletrônica e na capacidade de emprego de armamento nuclear.

O caça também deverá operar integrado a uma aeronave de combate não tripulada derivada do demonstrador nEUROn. O conceito prevê emprego de inteligência artificial e autonomia controlada, mantendo o ser humano no processo decisório.

A aeronave não tripulada deverá contar com compartimento interno de armas e arquitetura preparada para receber atualizações conforme a evolução das ameaças. A expectativa é que o sistema possa atuar à frente do Rafale em missões como reconhecimento e penetração, com um demonstrador operacional previsto pela programação militar francesa para cerca de 2035.

Em março, Éric Trappier disse que o programa do veículo não tripulado ainda não havia sido formalmente lançado e que a Dassault buscava parceiros para seu desenvolvimento.

Evolução do M88

A motorização também está entre os principais elementos do Rafale F5. A Safran apresentou, em junho de 2025, o motor M88 T-REX, desenvolvido com meta de atingir nove toneladas de empuxo com pós-combustão.

O objetivo representa aumento de aproximadamente 20% em relação ao M88 atualmente utilizado pelo Rafale. O projeto mantém as dimensões e a arquitetura modular do motor existente.

A atualização da programação militar francesa prevê o desenvolvimento e a integração ao Rafale F5 de uma motorização nacional de maior empuxo, do tipo T-REX. O aumento de potência deverá compensar, entre outros fatores, o acréscimo de massa provocado pela adoção de novos sensores, sistemas de guerra eletrônica e armamentos.

Integração com aeronave não tripulada

O conceito operacional do Rafale F5 inclui, além da atuação conjunta com o drone de combate furtivo derivado do nEUROn, provavelmente terá um assistente virtual. A tecnologia deverá incorporar recursos de autonomia e inteligência artificial à interface utilizada pelo piloto.

Armamento nuclear

A capacidade nuclear é um dos fatores determinantes para o calendário do Rafale F5. A aeronave deverá empregar o míssil hipersônico ASN4G a partir de 2035, substituindo o atual Asmpa-R.

O cronograma de entrada em serviço entre 2033 e 2035 está diretamente relacionado à modernização da componente aérea da dissuasão nuclear francesa e à integração do novo armamento ao caça.

Calendário de entregas

A atualização da programação militar francesa também alterou o calendário de produção de parte da frota. Cerca de vinte Rafale que estavam previstos para entrega entre 2031 e 2032 tiveram o recebimento adiado para 2033 e 2034.

A medida permite que essas aeronaves sejam construídas diretamente no padrão F5, evitando que unidades inicialmente produzidas em configurações anteriores precisem passar posteriormente por uma conversão de maior alcance.

Com o novo cronograma, o Rafale F5 passa a concentrar uma parcela relevante da evolução da aviação de combate francesa na próxima década, combinando mudanças na propulsão, sensores, guerra eletrônica, armamento nuclear, inteligência artificial e operação com aeronaves não tripuladas.





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