Funcionários da Airbus iniciaram greve por tempo indeterminado na Espanha após rejeitarem proposta sobre salários e condições de trabalho
Milhares de funcionários da Airbus iniciaram na última terça-feira (25), uma greve por tempo indeterminado na Espanha após rejeitarem uma proposta da empresa sobre salários e condições de trabalho.
A paralisação ocorre em oito unidades da fabricante no país e sucede uma série de interrupções realizadas entre 1º e 23 de julho.
Segundo o comitê de greve, a mobilização passou a abranger períodos completos de 24 horas e não tem data prevista para terminar. Trabalhadores e representantes sindicais devem voltar à mesa de mediação nesta quinta-feira (27).
Adesão e impacto na produção
Os sindicatos disseram que aproximadamente 90% dos funcionários elegíveis participaram do primeiro dia completo de greve e que a paralisação já começou a reduzir o ritmo de produção. A Airbus não confirmou o índice de adesão nem informou se houve impacto na fabricação de aeronaves ou componentes.
A greve foi precedida por paralisações de três horas e assembleias realizadas em 24 de agosto. Na ocasião, os trabalhadores votaram pela continuidade da mobilização enquanto as negociações permanecessem abertas.
Na última quarta-feira (26), a Airbus apresentou uma nova proposta, mas a greve continuou.
Salários e condições de trabalho
O conflito envolve reajustes salariais, trabalho remoto, programação de férias, transporte de funcionários e a aplicação do chamado Bradford Factor, fórmula utilizada para avaliar a frequência e a duração das ausências de empregados.
Os trabalhadores também reivindicam garantias formais de que mudanças organizacionais não resultarão em cortes de postos de trabalho ou deterioração das condições de trabalho. Entre os pontos citados estão alterações relacionadas às atividades espaciais da Airbus na Espanha.
Outro tema em negociação é a diferença na progressão salarial entre funcionários contratados mais recentemente e trabalhadores com maior tempo de serviço que exercem funções semelhantes.
Proposta da Airbus
Durante uma sessão de mediação na última sexta-feira (21), a Airbus apresentou uma proposta que previa aumentos salariais vinculados à inflação e um reajuste adicional destinado a recuperar poder de compra. O plano também contemplava a continuidade das negociações sobre outras condições de trabalho.
De acordo com documentos divulgados pelo comitê de greve, a empresa ofereceu ainda retirar um recurso judicial relacionado ao pagamento durante períodos de afastamento por doença e devolver valores anteriormente descontados dos funcionários.
A proposta não resultou em acordo. As assembleias realizadas três dias depois decidiram pela manutenção da greve por tempo indeterminado, mesmo com a continuidade das negociações diárias.
A Airbus na Espanha
A Airbus emprega aproximadamente 14.000 pessoas em oito localidades na Espanha. As operações abrangem aviação comercial, aviação militar, helicópteros e sistemas espaciais.
A divisão de aeronaves comerciais emprega cerca de 4.500 pessoas nas unidades de Getafe, Illescas e Cádiz. As instalações produzem estruturas utilizadas em diferentes programas da fabricante.
Em Getafe, são montados estabilizadores horizontais das famílias A320, A330 e A350, além da seção traseira da fuselagem do A350.
A unidade de Illescas fabrica grandes estruturas de material composto, incluindo revestimentos das asas do A350 e a porta de carga do convés principal destinada ao A350F.
Em Cádiz, a produção inclui componentes de estabilizadores e carenagens dos ventiladores dos motores do A320neo.
Aviação militar, helicópteros e espaço
A Airbus também mantém atividades de aviação militar em Getafe e Sevilha. A empresa possui ainda uma unidade de produção de helicópteros em Albacete e desenvolve e fabrica equipamentos para satélites e lançadores na região de Madri.
A abrangência das operações faz com que uma paralisação prolongada possa afetar diferentes etapas da cadeia industrial da Airbus na Espanha, embora a empresa ainda não tenha divulgado uma avaliação oficial sobre eventuais impactos na produção.
