O cantor, compositor, instrumentista, produtor musical, cineasta e ator Vertin apresenta o videoclipe de “Se Você Quer Saber”, faixa do álbum “Berro do Bode” (2026).
Dirigido e protagonizado pelo próprio artista, o trabalho foi filmado em São Paulo (SP) e aprofunda a proposta que vem marcando sua produção recente: integrar música, audiovisual, poesia e filosofia em uma mesma narrativa.
A composição é assinada em parceria com Juliano Holanda e ganha uma abordagem visual que busca traduzir, por meio da linguagem cinematográfica, as inquietações presentes na canção.
O projeto do videoclipe foi desenvolvido de forma independente e coletiva, reunindo Lucas Carduz (câmera, drone e edição), Silvia Feola (figurino), Bianca Carvalho (projeto gráfico), Aiky Braig (colorização e finalização) e Daniel Lima (assessoria de imprensa).
A mixagem e a masterização ficaram a cargo de Janga Gomes, do estúdio Medusa, enquanto João Leopoldo assina os teclados e arranjos. A produção musical é do próprio Vertin.
“No videoclipe existe uma conexão própria entre música autoral, direção de cinema e conhecimento dos conceitos da filosofia, proporcionando para mim mais estudos, exercícios de aprimoramento etc, principalmente como diretor e realizador audiovisual”, destaca.
Natural de Juazeiro (BA) e criado em Arcoverde (PE), Vertin mantém em sua trajetória uma forte ligação com o Sertão nordestino, independentemente do lugar onde desenvolve seus projetos.
Formado em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o artista costuma incorporar questões existenciais, políticas e sociais tanto em suas músicas quanto em seus filmes.
No novo videoclipe, gravado durante a madrugada na Avenida Paulista, a paisagem urbana torna-se parte da narrativa. O artista surge cantando em meio ao movimento da cidade, estabelecendo um contraste entre a dimensão individual e a dinâmica das grandes metrópoles.
“Estou no meio da Avenida Paulista (em São Paulo), eu vim lá do Sertão. É madrugada, eu canto acompanhando um playback (gravação) sem ser interrompido às 4h20 da manhã, com as pessoas passando a pé, de ônibus ou nos carros. Canto sem ser ouvido… Eu queria ser ouvido, mas eu sou tão pequeno em meio ao todo. Vejam… É só eu cantando entre as estrelas e o firmamento e não quero fingir que não está acontecendo nada ao meu redor, tampouco criar um sentido imaginário místico ou uma dramaturgia complexa para além do que é viver nas grandes cidades”, afirma.
No clipe, a observação da vida urbana também se converte em reflexão sobre deslocamento, pertencimento e desigualdade.
“Não iremos tão profundamente discutir o impacto (dos economistas) da ‘Faria Lima’ em nossas vidas cotidianas. Apenas estou atravessando a rua, simplesmente perdi a hora do ônibus e ‘fiquei desnorteado, como é comum no meu tempo’. Não sou filho único e mesmo assim lá em casa ‘ninguém dorme se eu não chegar’. Eu sou como você, ‘que ficou apaixonado e violento’, olhando a (Avenida) 9 de Julho, essa trincheira, concreta e fria, solitária e cortante”, diz.
Segundo o artista, seu momento criativo tem privilegiado questões psicossociais, sem abandonar o interesse por temas filosóficos como mistério e metafísica.
Para ele, a arte deve estabelecer compromisso com a realidade e provocar transformações por meio da experiência estética.
“Dalí o afastamento, a distância do céu, da terra, de si, dessa cidade, existe também o salto e o medo do abismo, portanto a paralisação ou o ‘equilíbrio’, a contenção. A visão de Deus pelo olhar de uma máquina que voa em condições de guerra para explorar, me achando como ponto vulnerável. Um objeto não identificado no céu de São Paulo, Brasil, um desconhecido que pode pular da ponte, enquadrado, no eixo, berrando com chocalho no peito migrante, trazendo versões do infinito em um céu de cimento cheio de estrelas reversas, obra de arte que ficou no museu”, pontua.
