A canção folk de John Denver “Take me home, country roads”, de 1971, se tornou o hino não oficial do time dos Estados Unidos na Copa do Mundo, cantada por dezenas de milhares de pessoas ao final das partidas da seleção anfitriã.
Enquanto as comemorações do 250º aniversário dos EUA, organizadas pelo presidente Donald Trump, atraem multidões partidárias, os estádios da Copa estão repletos de torcedores unidos por uma canção associada a um país menos polarizado.
— Todos conseguem cantá-la em harmonia — comenta Drew Bastinelli, que viajou do Oregon para participar das comemorações do 4 de Julho em Washington.
Época com menos divisões
Para Doug Hartmann, professor de sociologia da Universidade de Minnesota, o apelo reside na forma como a canção evoca “uma época mais amena e simples, com menos conflitos e divisões”.
A Federação de Futebol dos EUA incluiu a canção numa lista de músicas propostas à Fifa para serem tocadas após as partidas. Na lista também estavam “Livin’ on a prayer”, de Bon Jovi, e “Sweet Caroline”, de Neil Diamond.
— Procurávamos músicas que representassem artistas americanos e que também fossem fáceis de cantar junto — diz Michael Kammarman, porta-voz da seleção dos EUA.
Executiva da Fifa, Amy Hopfinger escolheu a música de John Denver para encerrar a vitória dos EUA sobre a Austrália em 19 de junho. Assim que as primeiras notas soaram, os 66.925 espectadores presentes abafaram os alto-falantes.
A cena se repetiu após a vitória contra a Bósnia e Herzegovina em 1º de julho, que classificou os EUA para as oitavas de final. Essa partida atraiu um público recorde de 33,5 milhões de telespectadores no país.
— Sou 200% argentino, mas, quando essa música começa a tocar no estádio, é impossível não cantar junto — disse o técnico da seleção americana, Mauricio Pochettino.
‘Todo mundo adora’
Essa reação é chamada de “efervescência coletiva”, explica Jeffrey Montez de Oca, professor de sociologia da Universidade do Colorado.
— Quando você canta num estádio com milhares de outras pessoas, você se sente parte de algo maior — diz ele. — É semelhante a uma experiência religiosa.
A seleção americana de futebol é uma representação da diversidade da imigração no país.
— A diversidade da equipe, e a força que essa diversidade gera, é simbolicamente importante em meio a um momento de forte reação política nos Estados Unidos em relação a direitos e liberdades fundamentais — diz Jules Boykoff, professor de ciência política da Universidade do Pacífico.
O hino clássico de John Denver já transcendeu os jogos da seleção americana. Os organizadores o usam durante o torneio mesmo quando a equipe anfitriã não está jogando.
Para muitos torcedores, ele conquistou um lugar na cultura do futebol americano.
— Todo mundo adora essa música — diz Andy Byford, um inglês em São Petersburgo, na Flórida, que cantou a canção depois da partida entre Inglaterra e Gana.
