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Velório do escritor Raimundo Carrero reúne familiares, amigos e amantes da literatura na APL

Velório do escritor Raimundo Carrero reúne familiares, amigos e amantes da literatura na APL


Familiares, amigos, poetas, políticos e amantes da literatura se despedem do escritor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero, na tarde desta terça (16), na Academia Pernambucana de Letras (APL), da qual o escritor – que faleceu aos 78 anos – era membro desde 2004. Após o velório, o sepultamento acontece no Cemitério de Santo Amaro, às 17h.


Segundo o comunicado da assessoria de comunicação do autor, ele faleceu durante a madrugada em decorrência de um câncer. Nascido em 20 de dezembro de 1947 em Salgueiro, Sertão de Pernambuco, Raimundo Carrero é um dos principais nomes da literatura pernambucana e brasileira.


Em nota de pesar, a Academia Pernambucana de Letras (APL) lembrou que a data do falecimento coincide com a de nascimento de Ariano Suassuna, amigo de Carrero, que faria 99 anos se estivesse vivo. Raimundo se dizia discípulo de Ariano.




Depoimentos

“Ele tinha muitas virtudes, inclusive de ser uma pessoa de compartilhar conhecimentos com jovens que desejavam se aprofundar na arte de escrever com ele. Recebiam as orientações que abriam horizontes e isso é muito importante porque é uma característica de generosidade”, destacou Margarida Cantarelli, presidente da APL.


Falar de Carrero é falar do lirismo, da sensibilidade e da essência poética. E essa essência poética dele era tão universo que ele percorria Cervantes, Dostoiévski, mas também os poetas pajeúzeiros como Dedé Monteiro. Ele era um poeta universal, um romancista que tratava a palavra com muito zelo e com muito cuidado. Era um malabarista das palavras”, definiu Alessandro Palmeira, prefeito de Afogados da Ingazeira, que esteve no velório acompanhado de diversos poetas do Pajeú.



Lembranças familiares

“Raimundo era uma pessoa muito humana, simples, modesta e não era uma pessoa de ostentar. E ele gostava de ajudar as pessoas. Qualquer pessoa que pedisse ajuda a ele da literatura, ele ajudava. Ele era muito humano”, descreveu Marilena de Castro Carrero, viúva do escritor.


“O maior legado que ele deixa, é um legado de disciplina, perseverança e tenacidade. Porque é isso: ele decidiu muito jovem na vida que ia dedicar a vida dele inteira à literatura e à arte. E ele fez isso, contra tudo e contra todos. E ele nunca desistiu dessa aposta. E para isso foi preciso muita disciplina”, comentou Diogo Carrero, filho do escritor.


“Para além disso, era uma pessoa muito ética e talvez não parecesse, mas muito sensível. E esse combo criou um ser humano muito singular e as dores e delícias de conviver com ele foram inesquecíveis”, completou Diogo.


“Falar dele na literatura é meio que ‘chover no molhado’. Meu pai, antes de tudo foi um guerreiro da literatura. Ele sabia escrever como poucas pessoas e eu acompanhei muito o processo de produção dele porque também sou formado em Letras. Então, ele me influenciou muito. E juntamente com o processo de escrita dele tem a visão de mundo dele, que era muito particular e também nos ligava a ele profundamente”, lembrou Rodrigo Carrero, filho do escritor.



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