Autorização eletrônica da União Europeia ainda não será cobrada no verão europeu de 2026, mas brasileiros seguem sujeitos a exigências migratórias, seguro-viagem e comprovação de recursos
A autorização eletrônica de viagem Etias, criada pela União Europeia para controlar a entrada de visitantes isentos de visto em 30 países europeus, ainda não será exigida dos brasileiros durante o verão europeu de 2026, embora o sistema esteja previsto para entrar em operação no último trimestre do ano.
A informação reduz uma das principais dúvidas dos viajantes que planejam visitar a Europa na alta temporada, mas não elimina outras exigências migratórias, como comprovação de recursos, hospedagem, motivo da viagem e seguro-viagem compatível com as regras do Espaço Schengen.
A Europa permanece entre os destinos mais procurados pelos viajantes brasileiros e concentra a maior intenção de viagens de longa distância para 2026. Dados da Comissão Europeia indicam que 59% dos entrevistados globalmente planejam realizar uma viagem internacional de longa distância no próximo ano, sendo que 42% apontam o continente como principal destino.
Com a chegada do verão no hemisfério Norte, entre 21 de junho e 22 de setembro, a movimentação turística tende a atingir seus níveis mais elevados. Temperaturas entre 20°C e 35°C, dias mais longos, festivais, eventos ao ar livre e intensa atividade turística impulsionam a procura por destinos como França, Itália, Portugal, Espanha e países banhados pelo Mar Mediterrâneo.
Exigências migratórias
Apesar da isenção de visto para brasileiros em viagens de turismo de até noventa dias em diversos países europeus, o cumprimento das exigências migratórias continua sendo obrigatório.
As autoridades migratórias europeias podem solicitar documentos que comprovem a finalidade da viagem, recursos financeiros compatíveis com o período de permanência e reservas de hospedagem durante o processo de imigração.
Seguro-viagem no Espaço Schengen
Entre as exigências para ingresso nos países do Espaço Schengen, zona de livre circulação entre os 25 membros da União Europeia — 4 associados — está a contratação de seguro-viagem com cobertura mínima de 30 mil euros para despesas médicas e hospitalares, além de assistência para repatriação sanitária.
O seguro compatível com as regras do tratado é exigido em diversos destinos europeus e pode ser solicitado durante a inspeção documental realizada pelas autoridades de fronteira.
Etias
Outro tema que gera dúvidas entre os viajantes é o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem (Etias), mecanismo criado para reforçar o controle de entrada de visitantes isentos de visto em trinta países europeus.
O Etias é uma autorização eletrônica de viagem criada pela União Europeia para visitantes de países isentos de visto, como o Brasil. O sistema não substitui e nem é um visto, mas funciona como uma triagem prévia para entrada em 30 países europeus, incluindo os do Espaço Schengen. A autorização deverá ser solicitada antes do embarque e terá como objetivo reforçar o controle migratório e a segurança nas fronteiras.
Alta temporada
O aumento do fluxo de passageiros em aeroportos, hotéis e destinos turísticos durante os meses de verão eleva a necessidade de planejamento prévio e de avaliação adequada das coberturas contratadas.
Além das despesas médicas, coberturas relacionadas a interrupções de viagem, cancelamentos, atrasos e extravio de bagagem ganham relevância durante períodos de maior movimentação nos aeroportos europeus.
Viagens em família
Especialistas recomendam atenção adicional para viagens realizadas em grupo familiar. A orientação é que cada passageiro possua cobertura própria, incluindo crianças e idosos.
“Também é importante verificar se o seguro cobre situações como interrupção da viagem, necessidade de acompanhante em caso de internação e despesas extras provocadas por emergências”, disse Hugo Reichenbach, sócio e diretor de operações da empresa Real Seguro Viagem.
O executivo recomenda ainda que apólices, comprovantes e contatos de assistência 24 horas sejam mantidos tanto em formato digital quanto impresso durante toda a viagem.
Recusas de entrada
O alerta sobre a documentação e o seguro obrigatório encontra respaldo nos registros migratórios mais recentes. Em 2025, quase 3.000 brasileiros tiveram a entrada negada em países europeus.
Entre os principais motivos apontados pelas autoridades estão documentação inadequada, incapacidade de comprovar recursos financeiros para permanência, ausência de seguro compatível com as exigências do Espaço Schengen e apresentação de informações consideradas irregulares.
O cenário reforça a necessidade de planejamento antecipado para viagens à Europa, especialmente durante o verão, período que concentra alguns dos maiores volumes de passageiros e turistas do ano.
