A United Airlines iniciou, no Rio de Janeiro, a instalação do serviço de internet da Starlink no Boeing 777-200ER para voos internacionais de longa distância
A United Airlines iniciou na última segunda-feira (8), no Rio de Janeiro, a instalação do sistema de internet via satélite da Starlink, de propriedade do bilionário Elon Musk, nos Boeing 777-200ER, marcando a primeira aplicação da tecnologia em aeronaves de fuselagem larga da companhia.
Os primeiros equipamentos estão sendo instalados nos jatos herdados da Continental Airlines após a fusão entre as empresas, concluída em 2010. A expectativa da transportadora é expandir o serviço para toda a frota de widebodies até o final de 2027.
Em seu perfil em uma rede social, Scott Kirby, CEO da United Airlines, disse que a primeira instalação protótipo do sistema foi feita no hangar localizado no aeroporto do Galeão. “As equipes da United e da Starlink estão trabalhando para acelerar as instalações o mais rápido possível”, disse.
A implementação ocorre após relatos de interrupções no serviço de internet em voos internacionais de longa duração, alimentando especulações de que o sistema anterior fornecido pela Panasonic teria sido desativado em preparação para a entrada da nova infraestrutura de conectividade.
Programa de modernização
A United já concluiu a instalação do Starlink em toda sua frota de aproximadamente 250 jatos regionais do modelo E175, da Embraer. Paralelamente, o processo de retrofit segue em andamento nos Boeing 737 utilizados em rotas domésticas e regionais.
Segundo o cronograma divulgado pela companhia, cerca de metade dos narrowbodies deverá operar com o novo sistema ainda este ano. Para os aviões de fuselagem larga, o objetivo é concluir a instalação em toda a frota até o final do próximo ano.
A companhia vem promovendo a modernização de sua conectividade como uma das principais iniciativas de experiência do passageiro, incluindo eventos de demonstração realizados recentemente em Los Angeles.
A escolha pelo Boeing 777-200ER
Os primeiros Boeing 777-200ER selecionados para receber a Starlink são aeronaves entregues entre 1998 e 2007 e originalmente operadas pela Continental Airlines. Esses aviões são mais recentes que outros modelos Boeing 777 presentes na frota da United e utilizam motores GE90, considerados mais potentes e tecnologicamente mais avançados que os Pratt & Whitney PW4000 empregados em versões mais antigas.
Além dos motores, essas aeronaves contam com sistemas elétricos mais modernos, fator que pode facilitar a integração de novos equipamentos de conectividade e transmissão de dados.
Outra justificativa apontada para a escolha está relacionada ao cronograma de manutenção pesada. Os aviões encontram-se próximos de ciclos de D-Check, inspeção considerada uma das mais abrangentes da aviação comercial, envolvendo desmontagem extensa da aeronave e verificação estrutural completa.
Retrofit
Com idade entre aproximadamente vinte e 27 anos, os Boeing 777-200ER selecionados deverão passar por novas inspeções estruturais profundas, incluindo avaliações de corrosão na fuselagem, fadiga de componentes metálicos e degradação de sistemas elétricos.
A realização simultânea do retrofit do Starlink durante esses períodos de manutenção reduz a necessidade de futuras paradas operacionais e permite a integração dos novos equipamentos enquanto a aeronave já se encontra parcialmente desmontada.
A padronização da configuração desses aviões também contribui para a eficiência do programa, permitindo que a companhia obtenha dados operacionais e de instalação antes da expansão do projeto para outros modelos de aeronaves de longo curso.
Operações internacionais
Os Boeing 777-200ER equipados com motores GE90 são considerados ativos relevantes para a operação internacional da United. Além de apresentarem menor idade média em comparação com outros 777 da frota, essas aeronaves possuem configuração voltada para voos de longa distância e contam com cabines Polaris de classe executiva.
Diferentemente de parte dos Boeing 777 utilizados em operações domésticas de alta densidade, as variantes ER oferecem configuração mais adequada para rotas intercontinentais, permanecendo como componentes importantes da estratégia de longo curso da companhia ao longo dos próximos anos.
